4º Trimestre de 2016 / Adultos
Título: O
Deus de toda provisão — Esperança e sabedoria divina para a Igreja em meio às
crises
Comentarista: Elienai Cabral
TEXTO
ÁUREO: “E o mundo passa, e a sua
concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”
(1Jo 2.17).
Abaixo,
os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos
subtópicos.
I. Reconhecer a
provisão divina em um mundo em crise;
II. Compreender que
o mundo atual está caótico;
III. Explicar as
características do mundo atual.
INTERAGINDO
COM O PROFESSOR
Prezado professor, na lição de hoje vamos estudar a
respeito da crise econômica que o mundo atual enfrenta, em especial o Brasil.
Segundo os especialistas a crise econômica brasileira é resultado da crise
política. Mas sabemos que ela é na verdade consequência da ganância e da
corrupção dos homens que não temem a Deus. É resultado da Queda. Contudo, não
importa o tamanho e a extensão da crise que estamos enfrentando; Deus tem
sempre a provisão para o seu povo. O Senhor supriu as necessidades dos
israelitas durante quarenta anos no deserto. Supriu as necessidades do profeta
Elias em Querite, enviando pão e carne. Deus não mudou. Ele continua abençoando
e suprindo as necessidades dos seus filhos. Toda crise é ruim, mas em meio a
elas podemos ver o agir de Deus. Em meio às crises nossa fé é fortalecida.
INTRODUÇÃO
Estamos
vivendo em um mundo em crise. Mas o Reino de Deus não está em crise. Não
podemos nos esquecer que não estamos sozinhos nesse mundo tenebroso. O Senhor
Jesus prometeu estar conosco até a consumação dos séculos. Mesmo vivendo em um
mundo decaído, podemos contar com a proteção, provisão e cuidado do Pai
Celeste.
I. PROVISÃO DIVINA
EM UM MUNDO CAÓTICO
1. A provisão de
Deus no deserto.
Temos
um Deus que supre as nossas necessidades. Durante quarenta anos o Senhor
sustentou o seu povo no deserto. Todos os dias, com exceção do sábado, os
israelitas recebiam o maná e cordonizes para o seu sustento (Êx 16). A provisão
era diária. Não faltou água, alimento, roupa e calçado até o dia em que
chegaram à Terra Prometida. Porém, no meio do povo de Deus sempre há pessoas
incrédulas e murmuradoras. Os israelitas não demonstraram gratidão pela
provisão divina; diante de alguma dificuldade, logo murmuravam e reclamavam de
Deus. Qual tem sido sua atitude diante das crises?
2. A provisão de
Deus para Elias em Querite (1Rs 17.1-6).
Certo
dia, Elias profetizou para o rei Acabe dizendo que não choveria por um bom
período de tempo. Acabe sabia que a falta de chuva ia mexer com a economia do
seu reino. Haveria um período difícil de escassez. Então, Deus mandou que o
profeta Elias se escondesse junto ao ribeiro de Querite (v.3). Elias obedeceu a
Deus. A obediência nos faz experimentar a provisão de Deus. Quem está em
desobediência dificilmente desfrutará da provisão divina. O servo do Senhor
bebia das águas do ribeiro, e a cada manhã comia da comida que os corvos lhe
traziam. Elias experimentou a provisão de Deus.
3. A provisão de
Deus para Elias em Sarepta (1Rs 17.8-16).
Elias
não podia aparecer publicamente, pois Acabe estava à sua procura. Depois que o
riacho de Querite secou, Deus ordenou que o seu profeta se dirigisse à aldeia
de Sarepta. Perto dos portões da cidade, ele encontrou uma viúva que recolhia
gravetos. Como no ribeiro de Querite, a provisão de Deus veio de forma
inusitada. Deus havia utilizado corvos para alimentar o profeta. Agora uma
viúva deveria cuidar de Elias. Em geral, as viúvas dependiam dos seus filhos e
parentes para sua sobrevivência. Ao chegar à casa da viúva, Elias lhe pede água
e pão. A mulher respondeu que não tinha pão. Em sua casa, havia apenas um
punhado de farinha e um pouco de azeite. Então, o profeta desafia aquela mulher
a assar primeiro um pão para ele. A mulher acreditou na palavra do profeta.
Para ver a provisão divina é preciso crer. A provisão de Deus veio para Elias e
para viúva que o acolheu. A farinha e o azeite da mulher não se acabaram até o
dia em que as chuvas voltaram a cair.
SUBSÍDIO
BÍBLICO-TEOLÓGICO
Não
há que duvidar que o tempo todo Deus sabia como alimentaria os israelitas no
deserto. Quando murmuraram, o Senhor revelou seu plano de fornecer pão dos céus
para colherem a porção para cada dia. Até no fornecimento de pão Deus faria uma
prova: Queria ver se o povo andaria em sua lei ou não. No sexto dia, as pessoas
achariam quantidade suficiente de pão para durar dois dias, em cumprimento da
lei do sábado.Deus queria que estes israelitas soubessem que aquele que os tirou do Egito ainda estava com eles. À tarde sabereis e amanhã vereis. A glória mencionada no versículo 7 diz respeito à realização da mão de Deus no suprimento do pão, ao passo que a glória referida no versículo 10 era a manifestação especial de Deus na nuvem.
Moisés repreendeu os israelitas por murmurarem contra ele e Arão, pois nada significavam, era Deus quem os conduziriam. Quando Deus lhes desse carne e pão para comer, eles saberiam que o Senhor ouviria as murmurações feitas contra ele. De certo modo, fornecer comida desta maneira era uma repreensão. Deus não forneceu comida só porque reclamaram; Ele queria que soubessem que Ele era o Senhor e que não estava contra seus servos, mas contra quem murmurava.
Os filhos de Israel seriam humilhados diante de Deus. Arão os reuniu, dizendo: Chegai-vos para diante do Senhor, porque ouviu as vossas murmurações. Quando se aproximaram e olharam para o deserto, de repente a glória do Senhor apareceu na nuvem. A prova inconfundível da presença de Deus na coluna de fogo autenticou as palavras de Moisés e preparou o povo para a glória mais encoberta de milagre que ocorreria. A glória do Senhor deu a estes fracos seguidores de Deus de ver o mal dos seus corações quando contemplassem a fidelidade de Deus para com eles. Com a realização do milagre da carne e do pão, eles saberiam que o Senhor era o seu Deus. Ele teve paciência com estes crentes fracos, cuja fé necessitava de crescimento; em outra época, depois de terem tempo para amadurecer (Nm 14.11,12), eles foram punidos por causa da permanência na incredulidade” (Comentário Bíblico Beacon. 1ª Edição. Volume 1. RJ: CPAD, 2005, pp.175,76).
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MAIS
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II. UM MUNDO
CAÓTICO
1. O mundo jaz do
Maligno.
João, o apóstolo de Jesus Cristo,
declarou qual é a situação deste mundo: “Sabemos que somos de Deus e que todo o
mundo está no maligno” (1Jo 5.19). Satanás é o deus deste século. Ele é o
responsável pelas diferentes tragédias que assolam a humanidade. Muitos podem
dizer que as tragédias e as crises são resultado apenas da ação do homem, mas
não podemos nos esquecer de que Satanás usa os homens para matar, roubar e
destruir (Jo 10.10).
2. O mundo
globalizado.
Com
certeza você já deve ter ouvido falar a respeito da globalização. Mas sabe o
que significa? Existem vários conceitos para definir esse termo. Vejamos o
conceito segundo o dicionário Houaiss: “Ato ou efeito de globalizar(-se).
Espécie de mercado financeiro mundial criado a partir da união dos mercados de
diferentes países e da quebra das fronteiras entre esses mercados”. A ideia de
globalização surgiu da consolidação do sistema capitalista, e um dos seus
objetivos é a padronização de ideias e valores.
3. Tempo de
mudanças.
Ao
longo da sua história, a humanidade experimentou diferentes transformações na
área tecnológica, científica, econômica e social. Essas mudanças acabaram
trazendo crises de ordem social, econômica e política.A era moderna foi marcada pelo avanço do conhecimento científico, pelo advento da industrialização, pela predominância da luta ideológica e, especialmente, pela expansão da fé cristã, como também pela proliferação das seitas e das religiões orientais.
Na atualidade, temos experimentado o progresso cientifico e tecnológico, mas também crises econômicas e éticas sem precedentes. O apóstolo Paulo, profeticamente, falou a respeito desses tempos, referindo-se a eles como trabalhosos e difíceis.
SUBSÍDIO
VIDA CRISTÃ
Novo Cenário
Mundial
A
unificação das duas Alemanhas; o desmantelamento do império soviético; o fim
oficial da política do Apartheid na África do Sul; as disputas étnicas e
territoriais em regiões como a Bósnia Ezergovina; o conflito entre judeus e
árabes pelo reconhecimento de um Estado Palestino; a Guerra do Golfo, que, com
o final da guerra fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, fez nascer
um novo oponente para os americanos; a luta por reconhecimento por parte do
povo e a democratização das antigas ditaduras latino-americanas são apenas alguns
dos exemplos das mudanças que têm ocorrido no cenário mundial.Com a formação de blocos de países, como o MCE — Mercado Comum Europeu (conhecido também como Unidade Europeia); o NAFTA — North American Free Trade Agreement, ou Acordo de Livre Comércio da América do norte e o MERCOSUL (do qual o Brasil é importante membro), entre outros, as relações entre os países deixaram de ser meramente bilaterais.
Elas passaram a fazer parte de um contexto muito maior, no qual a globalização de mercados é a principal prioridade. Em blocos, os países menos fragilizados diante de potências economicamente mais forte, e com maior poder de barganha” (AYRES, Antônio Tadeu. Reflexos da Globalização sobre a Igreja: Até que ponto as últimas tendências mundiais afetam o Corpo de Cristo? 1ª Edição. RJ: CPAD, 2001, p.20).
III. CARATERÍSTICAS
DO MUNDO ATUAL
1. Uma sociedade centrada no homem.
Vivemos em uma sociedade em que o
antropocentrismo prevalece. A palavra antropos significa “homem”, e
antropocentrismo traz a ideia do homem como o centro de tudo. Certo filósofo
pré-socrático declarou que “o homem é a medida de todas as coisas”. Tal ideia
faz do homem o centro do Universo. Sabemos que o homem é falho e finito. Deus, o
Criador, é o soberano. Deus, o Pai, tornou seu Filho Jesus, a razão e o centro
de toda a criação. Paulo, escrevendo aos Colossenses afirmou: “Ele é antes de
todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele” (Cl 1.17). Os humanistas,
na verdade são “amantes de si mesmos” (2Tm 3.2). O humanismo deve ser repudiado
pela liderança da igreja e por seus membros.
2. Uma sociedade
relativista.
O
relativismo ético e moral nega a existência de verdades absolutas,
especialmente, os princípios e ensinos imutáveis da Palavra de Deus. O certo e
o errado se confundem, pois as verdades passam a ser relativas. Aqui há a
negação de qualquer lei superior para orientar a vida das pessoas. Por isso
cremos que o relativismo tem causado danos aos crentes em nossos dias.
3. Uma sociedade
secularizada.
Segundo
o pastor Claudionor de Andrade o secularismo é a “doutrina que ignora os
princípios espirituais na condução dos negócios humanos”. Essa doutrina também
perverte os nossos valores cristãos. Ela corrompe as verdades bíblicas para
perverter a igreja e desviá-la da fé cristã, pois o secularismo valoriza a
forma em detrimento do conteúdo.
SUBSÍDIO
BÍBLICO TEOLÓGICO
Professor,
é importante que o conceito de antropocentrismo, relativismos e secularismo
sejam bem trabalhados nesse tópico. Se desejar, copie no quadro e leia as
definições para seus alunos. Leia com atenção as definições:
Antropocentrismo — [Do gr. antropos,
homem; do gr. kentron, centro + ismo]. Perspectiva teológica-filosófica
que coloca o homem como centro do universo, descartando, na prática, a ideia de
um Deus bom, justo e que se interessa pelos negócios humanos. O
antropocentrismo leva sempre em consideração o que declarou o filósofo grego
Portágoras: ‘O homem é a medida de todas as coisas’.
Relativismo — [Do lat. relativas].
Concepção filosófica segundo a qual nada é definitivamente certo nem absoluto,
por depender de contingências e condicionamentos. Sob esta ótica, caem por
terra os princípios éticos da verdade. O relativismo moral tem sido utilizado
pelos ditadores para destruir os princípios da liberdade e da fé em Deus.
Secularismo — [Do lat. seculu + ismo]. Doutrina que ignora os princípios espirituais na condução dos negócios humanos. O secularismo, ou materialismo, tem o homem, e somente o homem, como a medida de todas as coisas. Pode ser considerado sinônimo de humanismo” (ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Bíblico Teológico. 8ª Edição. RJ: CPAD, 1999, pp.45,253,261).
CONCLUSÃO
Mesmo
vivendo em um mundo em crise, podemos contar com a provisão de Deus. Vivemos
neste mundo, mas não podemos concordar com a sua maneira de pensar (Rm 12.2).
Temos que priorizar e manter sempre o fundamento do Evangelho que recebemos.
PARA
REFLETIR
A respeito da
provisão de Deus em tempos difíceis, responda:
1° O que Deus
enviou para sustento do seu povo no deserto?
Resp: Deus enviou o maná
(pão) e as codornizes (carne).
2° Quem todos os
dias levava provisão para o profeta Elias?
Resp: Os corvos.
3° Depois de
Querite, Elias foi enviado para qual lugar? Quem o sustentou ali?
Resp: Elias foi para
Sarepta e foi sustentado por uma viúva.
4° Defina, de
acordo com a lição, globalização?
Resp: Segundo o
dicionário Houaiss, globalização é o “ato ou efeito de globalizar(-se). Espécie
de mercado financeiro mundial criado a partir da união dos mercados de
diferentes países e da quebra das fronteiras entre esses mercados”.
5° Cite três
características do mundo atual.
Resp: Antropocentrismo,
relativismo e secularização.
SUBSÍDIOS
ENSINADOR CRISTÃO
A Palavra de Deus mostra que o sistema de vida do mundo é corrupto, materialista e se encontra completamente desvirtuado da vontade de Deus, que pode ser conhecida por intermédio da vida e obra de Jesus Cristo. O apóstolo João caracteriza esse mundo como um grande sistema de vida regido pela “concupiscência da carne”; isto é, todos os desejos possíveis e impossíveis que a natureza humana e carnal impulsiona; pela “concupiscência dos olhos”, quando os olhos físicos apenas desejam aquilo que satisfaça física e materialmente o ser humano; a “soberba da vida”, quando o acúmulo de bens materiais toma-se o sentido de toda a existência (1Jo 2.16). Todas essas características confirmam a natureza caída do ser humano pecador.
Entretanto, o apóstolo afirma no versículo 17 que o mundo passa, bem como a sua concupiscência, mas quem faz a vontade do Pai permanece para sempre. Ou seja, quem tem a mente e o coração voltados para Deus, possui o Espírito de Cristo e não se deixa escravizar pela concupiscência da carne, dos olhos e da soberba da vida. Não é mais escravo da carne, mas servo disponível para fazer a vontade de Deus para sempre.
A realidade caótica desse mundo prova o quanto a Bíblia, a Palavra de Deus, tem razão em descrever a malignidade e a perversidade em que se encontra o mundo moderno. Um mundo, onde não há a valorização da vida, onde pessoas preferem defender o Meio Ambiente (que é uma defesa legítima e urgente), a crianças indefesas (liberação do aborto); onde uma sociedade esmaga a espiritualidade interior, pois seus anseios são voltados para o interesse gélido do homem moderno (uma sociedade antropocêntrica); onde tudo se relativiza, os absolutos do ponto de vista moral e éticos são ignorados em nome de uma suposta pluralidade, mesmo que esta seja perversa e maligna em sua legitimidade; onde uma sociedade é secularizada, pois obriga o homem de fé a vivê-la enclausurado em sua vida particular (tolera-se a fé enquanto ela não incomode).
Mas é nesse mundo de crise e caótico que somos desafiados a viver o Evangelho e caminhar em provisão da parte de Deus. Nosso Senhor, no Sermão do Monte, nos convida a sermos “sal da terra” e “luz do mundo”, um candeeiro que ilumina toda uma região obscurecida por densas trevas. A trilharmos um caminho onde Deus proverá tudo o que for necessário para a nossa sobrevivência tanto do ponto de vista humano quanto do ponto de vista espiritual.
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