Lições Bíblicas CPAD / Jovens e Adultos
Título: Integridade Moral e Espiritual — O legado do livro de Daniel para a
Igreja de hoje
Comentarista: Elienai Cabral
TEXTO
ÁUREO: “Agora, pois, eu,
Nabucodonosor, louvo, e exalço, e glorifico ao Rei dos céus; porque todas as
suas obras são verdades; e os seus caminhos, juízo, e pode humilhar aos que
andam na soberba” (Dn 4.37).
VERDADE
PRÁTICA: A soberba é o pecado que
mais afronta a soberania divina.
INTERAÇÃO
Deus
abomina a soberba. Este sentimento pernicioso é um prenúncio da queda (Pv
16.18). As conquistas de muitos impérios e o enriquecimento contribuíram para
que Nabucodonosor se tornasse soberbo e altivo. Então Deus decidiu lhe ensinar
uma importante lição, assim como havia ensinado ao seu povo. O rei perdeu sua
consciência e ficou durante um período de tempo se comportando como um animal.
Depois deste período tão difícil, Nabucodonosor aprendeu que o Altíssimo está
acima de todo reino e poder humano. O Senhor é soberano, Ele remove os reis e
os estabelece.
Que
a soberba não encontre guarida em nossos corações, nos fazendo agir como tolos.
Que sejamos humildes, honrando a Deus em toda a nossa maneira de viver.
OBJETIVOS:
Após esta aula, o aluno
deverá estar apto a:
1° Analisar a soberania divina na vida
de Nabucodonosor.
2° Saber que Deus falou com
Nabucodonosor por intermédio dos sonhos.
3° Compreender a fidelidade da pregação
de Daniel para o rei.
ORIENTAÇÃO
PEDAGÓGICA
Professor, para introduzir
a lição reproduza o quadro abaixo para seus alunos. Utilizando o quadro,
enfatize os pontos fortes de Nabucodonosor e as suas fraquezas. Explique que
este rei foi chamado, segundo o profeta Jeremias, de “servo do Senhor” (Jr 25.9).
Deus usou Nabucodonosor para punir seu povo. O Senhor é soberano, Ele exalta e
também abate. Porém, o coração do rei se tornou soberbo e ele então
experimentou o juízo de Deus. Leia Provérbios 16.18 e conclua enfatizando os
perigos da soberba.
Palavra Chave: Soberba: Comportamento
excessivamente orgulhoso; arrogância, presunção.
INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos
o capítulo quatro de Daniel, cujo conteúdo consiste de um testemunho pessoal do
rei Nabucodonosor. Ele foi submetido a um estado de loucura, resultante de sua
soberba, que o levou a viver como um animal do campo por “sete tempos”, até que
Deus o tirou daquela condição. Ao final desse período, Nabucodonosor reconheceu
a soberania do Deus dos cativos de Judá.
A história revela o que
ocorre com os que se exaltam e se tornam soberbos ante a majestade do
Todo-Poderoso. A trajetória de Nabucodonosor demonstra a soberania divina sobre
toda a criação, pois nenhuma criatura pode usurpar a glória de Deus. O episódio
ilustra também que a misericórdia e a justiça divinas são capazes de salvar o
homem arrependido.
I. A PROVA DA SOBERANIA
DIVINA (Dn 4.1-3)
1. Nabucodonosor, chamado
por Deus para um desígnio especial (Jr 25.9). Segundo a história, Nabucodonosor reinou na
Babilônia no período de 605 a 562 a.C. Foi um rei que Deus, dominador de todas
as nações do mundo, levantou para um desígnio especial, permitindo que o seu
reino prosperasse e crescesse em extensão. O profeta Jeremias diz que Deus
chamou a Nabucodonosor de “meu servo” (Jr 25.9). Na verdade, Nabucodonosor foi
o instrumento divino de punição do povo de Deus. Israel foi castigado por ter
abandonado o Senhor e tomado o caminho da idolatria e dos costumes pagãos.
2. A soberba de
Nabucodonosor.
Apesar de ser um
“instrumento” usado pelo Senhor, segundo o pastor Matthew Henry, “Nabudonosor
foi o rival mais ousado da soberania do Deus Supremo do que qualquer outro
mortal jamais pudesse ter sido”. Traspassado pela presunção, Nabucodonosor
ficou longos “sete tempos” numa situação irracional à semelhança dos animais do
campo (Dn 4.28-33). Só assim o soberano caldeu viu que o Altíssimo está acima
dele.
3. Nabucodonosor proclama a
soberania de Deus (Dn 4.1-3).
Depois de ter experimentado
a punição de sua soberba, Nabucodonosor se arrependeu do seu pecado e foi
restaurado de sua demência. Isso o levou a fazer uma proclamação acerca do
eterno domínio de Deus (Dn 4.34-37). O rei babilônio aprendeu que o Senhor, em
sua soberania, é aquele “que muda os tempos e as horas; ele remove os reis e
estabelece os reis” (Dn 2.21).
SINOPSE DO TÓPICO (I): Nabucodonosor
foi chamado por Deus para uma missão especial, todavia ele deixou que a soberba
dominasse seu coração.
II. DEUS FALA NOVAMENTE A
NABUCODONOSOR POR MEIO DE SONHOS (Dn 4.4-9)
1. Deus adverte
Nabucodonosor através de um sonho.
Tanto no Antigo como em o Novo Testamento os sonhos
era um dos canais de comunicação entre Deus e o homem. No caso do sonho que
teve Nabucodonosor, seus sábios e adivinhos nada puderam revelar. O rei, então,
se lembrou de Daniel, o único capaz de trazer a revelação do sonho que certa
vez ele tivera (Dn 2.1-45; 4.8). Obviamente, não se tratava de um sonho comum,
pois era uma revelação divina acerca do futuro de Nabucodonosor. Apesar da
narrativa, é importante frisar que hoje temos a Palavra de Deus como o canal
revelador da vontade de Deus aos homens.
2. Daniel é convocado (Dn
4.8).
Interpretar sonhos era uma
habilidade espiritual de Daniel reconhecida desde quando ele entrou na
Babilônia (Dn 1.17). Por isso, Nabucodonosor contou-lhe o sonho que tivera e
solicitou-lhe a interpretação. Daniel ouviu atentamente o relato do rei e
pediu-lhe um tempo, pois estava atônito e sem coragem para revelar a verdade do
sonho (Dn 4.19).
3. Daniel ouve o sonho e dá
a sua interpretação (Dn 4.19-26).
Dos versículos 9 a 18,
Nabucodonosor conta a Daniel todo o seu sonho. O rei viu uma grande árvore de
dimensões enormes que produzia belos frutos e que era visível em toda a terra.
Os animais do campo se abrigavam debaixo dela e os pássaros faziam ninhos em
seus ramos (vv.10-12). O monarca caldeu “viu” também descer do céu “um vigia,
um santo” (v.13). Esse vigia clamava forte: “Derribai a árvore e cortai-lhe os
ramos” (v.14).
a)
Uma árvore majestosa (vv.11,12). A árvore indicava a formosura, a grandeza, o poder
e a riqueza do reino de Nabucodonosor. Ninguém na terra havia alcançado todo
esse poder antes dele. Daniel declarou que aquela árvore que seria cortada era
o rei babilônio (Dn 4.22). Assim é a glória dos homens, como uma árvore que
cresce e se torna frondosa e, de repente, é derribada. Da mesma forma, Deus
destrói os soberbos.
b)
Juízo e misericórdia são demonstrações da soberania divina. O texto do versículo 15
diz que a ordem divina era que “o tronco com suas raízes seriam deixadas na
terra”, indicando que a intenção não era destruir a Nabucodonosor, e sim
dar-lhe a oportunidade de se converter e reconhecer a glória de Deus. O rei foi
tirado do meio dos homens e ficou completamente louco, indo conviver com os
animais do campo por “sete tempos” (Dn 4.25). Depois, Nabucodonosor voltou ao
normal, mas logo em seguida seu reino foi sucedido por Belsazar que, por
profanar as coisas de Deus, perdeu o trono para Dario, o rei dos medos (Dn
5.1-31).
c)
O papel dos anjos nos desígnios divinos. No sonho do rei, ele viu “um vigia” que descia do
céu com a missão de proclamar os juízos de Deus (vv.14,15). No Antigo
Testamento, os anjos tinham uma atividade mais presente na vida do povo de
Deus. Em o Novo Testamento, eles continuaram suas atividades em obediência ao
Criador, porém, para a orientação da igreja de Cristo, Deus concedeu o Espírito
Santo que a assiste em tudo.
SINOPSE DO TÓPICO (II): Deus,
por intermédio de um sonho, falou com Nabucodonosor e o advertiu de sua
soberba.
III. A PREGAÇÃO DE DANIEL
1. A pregação de Daniel.
Apesar de inicialmente ter sentido certo temor após
interpretar o sonho, Daniel deu um conselho a Nabucodonosor que lembra a
mensagem neotestamentária de Cristo à Igreja de Éfeso (Dn 4.27 cf. Ap 2.5).
Será que temos coragem de fazer o mesmo diante dos poderosos dessa terra?
2. O pecado de
Nabucodonosor em relação aos pobres.
Daniel diz ao rei que ele
deveria desfazer os seus pecados praticando a justiça, “usando de misericórdia
para com os pobres” (Dn 4.27). Em outras palavras, antes do pecado pessoal da
soberba, o rei estava pecando social e estruturalmente em relação aos menos
favorecidos do reino. A atualidade desse ponto é tão verdadeira que a mesma
recomendação de cuidado aparece em o Novo Testamento, no contexto da igreja (Gl
2.10).
SINOPSE DO TÓPICO (III): Deus
usa seu servo Daniel para revelar o sonho de Nabucodonosor e aconselhá-lo a
respeito do seu pecado.
CONCLUSÃO
Que Deus nos livre da
soberba, pois ela é como uma doença contagiosa que se aloja no coração do homem
e faz com que ele perca o senso de autocrítica, passando a agir irracionalmente
(Sl 101.5; 2Cr 26.16). Estejamos atentos, pois a Palavra de Deus nos mostra que
a soberba nos cega (1Tm 3.6; 6.4), nos afasta de Deus e traz ruína.
BIBLIOGRAFIA
SUGERIDA
ZUCK, Roy B. (Ed). Teologia
do Antigo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009.
LAHAYE, Tim. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. 5ª Edição. RJ:
CPAD, 2013.
EXERCÍCIOS
1. Qual foi a missão para
qual Deus designou Nabucodonosor?
R. Deus usou Nabucodonosor
para castigar seu povo.
2. Por que o povo de Israel
foi punido?
R. Porque tomaram o
caminho da idolatria e dos costumes pagãos.
3. Qual é hoje o canal
revelador da vontade de Deus para o crente?
R. A Palavra de Deus.
4. Maior do que os anjos,
quem assiste a Igreja de Cristo atualmente?
R. O Espírito Santo.
5. Antes do pecado da
soberba, em que pecado Nabucodonosor incorreu?
R. Ele pecou em relação
aos pobres.
AUXÍLIO
BIBLIOGRÁFICO I
Subsídio Bibliográfico
Cumprimento e Destronização
(4.28-33)
A falha de Nabucodonosor em
prestar atenção e voltar-se para Deus por meio de um arrependimento genuíno é
um reflexo ilustrativo da fraqueza e da perversidade humana. Doze meses se
passaram e a visão apavorante desvaneceu-se. Talvez a visão não viesse a se
tornar realidade. Certo dia, em um momento de glorificação própria, o rei
começou a se exultar pelas suas grandes realizações. Enquanto caminhava pelo
‘terraço do palácio real’, debaixo dos seus pés estava o edifício mais
esplêndido que a Babilônia já tinha visto, adornado em ouro com ladrilhos
lustrosos de cores brilhantes. Próximo do palácio ficava a montanha artificial
e os jardins suspensos construídos para a sua rainha das montanhas da Média.
Esta era a grande Babilônia. De uma pequena cidade de um lado do rio Eufrates o
rei havia dobrado sua área para os dois lados do rio. Ele havia enchido com
novas construções e templos com uma arquitetura distinta. Ele a havia cercado
com muros conhecidos pela altura e largura.
Com esse tipo de visão
enchendo a mente, podemos imaginar a soberba do rei” (Comentário Bíblico
Beacon. 1ª Edição. Volume 4. RJ: CPAD, 2006, p.514).
AUXÍLIO
BIBLIOGRÁFICO II
Subsídio Teológico
A loucura e a restauração
(4.33-37)
Demente, o rei nivela-se a
um animal, e passa a viver ao desabrigo, em uma área onde a temperatura variava
de 50 graus positivos no verão, a abaixo de zero, no inverno. Recuperado, o rei
finalmente responde adequadamente ao Senhor. Nabucodonosor, então: 1) glorifica
a Deus; 2) o honra como o Rei supremo do Universo; 3) expressa sua total
dependência da vontade de Deus e, 4) reconhece que tudo o que ele faz é correto
‘e pode humilhar os que andam na soberba.
(RICHARDS, Lawrence O. Guia
do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por
capítulo. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.516).
SUBSÍDIOS
ENSINADOR CRISTÃO
Deus abomina a soberba
Imagine um rei que controla
as vidas das pessoas e decide se elas vivem ou morrem, mas de repente, de uma
hora para outra se tornar um louco, um lunático e um irracional? Este rei foi
Nabucodonosor. O capítulo 4 de Daniel traz a imagem de uma árvore florescente
representando a figura de Nabucodonosor, o imperador da Babilônia. Num belo dia
o rei olhou para todas as criações do seu império e, consigo mesmo, viveu a
síndrome de Narciso: pensou que era o responsável por todas as realizações do
império babilônico. Na imagem apresentada a Nabucodonosor um homem anuncia que
a árvore seria cortada e ficariam apenas as raízes. Esta árvore era o rei
Nabucodonosor. Daniel foi corajoso em anunciar isso a ele!
O conceito de soberba
O relato do quarto capítulo
de Daniel demonstra o sutil, mas desastroso, efeito da soberba. Um
comportamento excessivamente orgulhoso, arrogante e presunçoso caracteriza o
sentimento da soberba. A ideia de poder sobre os outros por si só é uma
loucura. Segundo a psicóloga Rosemeire Zago, “a soberba leva o homem a
desprezar os superiores e a desobedecer às leis. Ela nada mais é que o desejo
distorcido de grandeza” e completa: “a pessoa que manifesta a soberba atribui
apenas a si próprio os bens que possui. Tem ligação direta com a ambição
desmedida, a vanglória, a hipocrisia, a ostentação, a presunção, a arrogância,
a altivez, a vaidade, e o orgulho excessivo, com conceito elevado ou exagerado
de si próprio”. Nabucodonosor concentrou todas estas características
perdendo-se em si mesmo no mundo obscuro do orgulho.
Não percamos a lucidez
Quantas vezes sentimos a
síndrome de narciso como a que se abateu sobre Nabucodonosor? Pretendemos usar
o nosso raio de influência para fazer um pequeno império onde nós determinamos,
impomos e mandamos sobre o “destino” das pessoas. Por isso que Tomás de Aquino
atribuiu a soberba um pecado específico, embora, como bem retratou a psicóloga
Rosemeire Zago, num artigo publicado no UOL, a soberba apareça em outros
pecados. A soberba adoece a alma. Não fomos chamados para ser irracionais ou
lunáticos no exercício das nossas funções humanas. Por isso, o verdadeiro
antídoto contra as ambições das nossas almas é Jesus de Nazaré, o homem “manso
e humilde de coração”.