sábado, 19 de setembro de 2015

Lição 12 CPAD - 3° Trimestre 2015


Lições Bíblicas CPAD / Adultos

3º Trimestre de 2015

Título: A Igreja e o seu Testemunho — As ordenanças de Cristo nas cartas pastorais

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

Data: 20 de Setembro de 2015

 
 

TEXTO ÁUREO: Em tudo, te dá por exemplo de boas obras; na doutrina, mostra incorrupção, gravidade, sinceridade(Tt 2.7).

 
VERDADE PRÁTICA: A Palavra de Deus tem exortações de grande valor para todos os crentes, em todos os lugares.

 
OBJETIVO GERAL: Mostrar que o ideal bíblico é que o pastor local seja um exemplo de vida.

 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I. Explicitar que o líder precisa falar de acordo com sã doutrina.

II. Explicar os quatro conselhos no tratamento de Tito com os idosos, as mulheres, os jovens e os servos.
 
III. Conscientizar a classe de que o líder deve ser bom exemplo em tudo.

 
INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Prezado professor, para introduzir a lição desta semana, inicie a aula com as seguintes perguntas: “Como as pessoas devem ser tratadas em nossa igreja local?”; “Os nossos idosos são tratados como merecem?”; “As crianças recebem a atenção que lhe é devida?”; “Os jovens e os adolescentes recebem a devida atenção?”; “Pode-se falar com os idosos da mesma maneira que falamos com os colegas?”.
Aguarde as respostas e incentive a participação de todos. Em seguida, fale que são sobre estas questões que o apóstolo Paulo está exortando a Tito em relação a como tratar as diferentes pessoas na igreja. Tal ensino pode e deve ser contextualizado para a nossa realidade.
 
 

INTRODUÇÃO
 
Nesta lição estudaremos o segundo capítulo da epístola de Tito. Veremos os vários conselhos práticos de Paulo a respeito dos idosos, das mulheres, jovens e servos. Veremos também que o pastor deve ser um exemplo de viver íntegro na igreja.

 
PONTO CENTRAL: O apóstolo exortou a Tito como tratar as pessoas em suas diversas faixas etárias.

 
I. O MODO CORRETO DE FALAR DO LÍDER
 
 
1. “Fala o que convém à sã doutrina” (v.1).
O líder deve ter a sua fala sempre fundamentada na Palavra de Deus, e para isso precisa conhecê-la e nela meditar diariamente. Precisa reconhecer e valorizar a Bíblia, sabendo que ela é especial para a formação de um caráter cristão. O estudo bíblico contribui para que o pastor e o obreiro tenham sempre uma boa mensagem. Jesus certa vez afirmou que falamos do que há em abundância em nosso coração (Mt 12.34). Então um coração cheio da Palavra de Deus vai sempre falar o que convém.

2. Saber falar e saber ouvir.
Tiago, apóstolo de Jesus, deixou precioso ensino sobre o saber falar: “Sabeis isto, meus amados irmãos; mas todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tg 1.19). Há pessoas, nas igrejas, que falam demais. E dizem o que não deveriam, causando problemas de relacionamentos. Ser “tardio para falar” e “pronto para ouvir” é sinal de sabedoria, de maturidade emocional e espiritual. Quem lidera tem que desenvolver a capacidade de escutar as pessoas, ainda que não concorde com elas.

3. Integridade no falar.
O obreiro deve ter uma linguagem sempre sã e irrepreensível (Tt 2.8). Jesus ensinou: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna” (Mt 5.37). Quando alguém, na igreja local, diz uma coisa e faz outra ou, quando mente, torce a mensagem, por motivos pessoais ou para agradar alguém, está sendo usado pelo maligno. É “de procedência maligna”. Isso não convém à sã doutrina. Integridade é fazer o que diz (Tg 2.12). O que falamos deve contribuir para edificação de vidas (Ef 4.29).

 
SÍNTESE DO TÓPICO (I):  O líder cristão deve falar o que convém a sã doutrina.

 
SUBSÍDIO DIDÁTICO
 
Caro professor, neste tópico você deve destacar o fato de que os versículos 1 a 8 do capítulo 2 da Carta a Tito é uma lista semelhante a de deveres domésticos recomendados à Igreja em 1Tm 5.1-16 e 6.1,2. Mas diferente de 1 Timóteo, não há preocupação com as viúvas na igreja pastoreada por Tito, muito menos ele é instruído em como lidar com esses vários segmentos da igreja. O enfoque apostólico está nas responsabilidades de cada segmento que constituem a igreja em Creta: os idosos, os jovens, os servos, etc.

 
II. EXORTAÇÕES AOS IDOSOS, AOS JOVENS E SERVOS
 

1. Como os idosos devem portar-se.
“Os velhos que sejam sóbrios, graves, prudentes, sãos na fé, na caridade e na paciência” (v.2). O crente deve permanecer fiel ao Senhor e dar um bom testemunho até os últimos dias de sua vida. Muitos acreditam que, pelo fato de já terem passado dos sessenta anos, podem fazer e falar o que bem entenderem na igreja. Os mais idosos devem ser exemplo para os mais jovens, por isso, Paulo diz que estes devem ser moderados, sérios, prudentes, firmes na fé, no amor e na esperança. Acerca dos velhos crentes, disse o salmista: “Os que estão plantados na Casa do Senhor florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e florescentes, para anunciarem que o Senhor é reto; ele é a minha rocha, e nele não há injustiça” (Sl 92.13-15). Os mais jovens precisam aprender com os mais idosos, por isso, estes precisam ser exemplo em tudo.

2. As mulheres idosas devem ser exemplo para as mais novas.
“As mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias no seu viver, como convém a santas, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras no bem” (v.3). Mulher idosa tem vivência e experiência, seja como mãe e esposa, seja como serva de Deus, por isso podem ensinar as irmãs mais novas. Devem ser mulheres santas, “sérias no viver”, que não andem com atitudes e maus exemplos, na igreja, ou fora dela. Não devem ser caluniadoras (gr. diabolos), ou que se deem a costumes carnais de falar dos outros, de criticar, ou murmurar.

3. Os jovens cristãos (v.6).
Paulo chama a atenção para o comportamento juvenil, exortando os jovens a serem “moderados”, ou seja, controlados. O jovem cristão precisa ser moderado no falar, no agir e em todas as áreas da sua vida, procurando em tudo exaltar e glorificar o nome do Senhor.

4. O comportamento dos servos cristãos (vv.9,10).
Paulo escreveu em uma época onde havia a escravidão humana. Em Creta, assim como em todo o império romano, havia muitos escravos. Na igreja existia senhores e escravos que se converteram a Cristo, por isso, Paulo mostra como devia ser o relacionamento, a conduta dos servos e dos senhores. O apóstolo mostra que os servos deveriam agradar seus senhores “em tudo”, pois um senhor crente não daria ordens que fossem incompatíveis com a fé cristã e com a Palavra de Deus. Os escravos que tinham senhores crentes deveriam manter uma atitude de submissão.

 
SÍNTESE DO TÓPICO (II): O apóstolo Paulo exorta a Tito sobre como os idosos, os jovens e os servos devem proceder.




SUBSÍDIO TEOLÓGICO

O apóstolo agora [a partir do versículo 2] fornece uma extensa seção de instruções a vários grupos de crentes com relação a seu caráter e conduta. O vocabulário empregado não é tão específico, e a seção é tão semelhante às antigas discussões extrabíblicas relativas ao comportamento virtuoso, que Paulo parece não estar tratando dos problemas das congregações de Creta, mas ‘de modo geral está incentivando os seus leitores às boas obras e a um estilo de vida cristão de modo que, em tudo, sejam ornamento da doutrina de Deus, nosso Salvador” (v.10). Os versos 2-10 são uma proteção espiritual — um medicamento ou um remédio que evita as enfermidades.
Paulo primeiramente ordena que ‘os velhos’ tenham quatro virtudes. A palavra grega para ‘velhos’ (presbytes) — e para ‘mulheres idosas’ (presbytis) em 2.3; cf. também presbytera (‘mulheres idosas’) em 1 Timóteo 5.2 — está relacionada à palavra grega empregada em Tito 1.5 para ‘presbíteros’ (presbyteros). Todas estas são derivadas da raiz léxica presby, ‘velho’. ‘Nos círculos judaicos e cristãos é frequentemente difícil distinguir entre a designação da idade e o título do ofício’ (Bromiley, 1985, 931). Todas as palavras acima também podem ser traduzidas como ‘presbítero [podendo ser aplicadas tanto a homens como a mulheres]’.
As instruções específicas de Paulo consistem em que os homens mais velhos sejam: (1) ‘temperantes’ ou ‘sóbrios’ (cf. 1Tm 3.2,11); (2) ‘graves’, ‘merecedores de respeito’ ou de bom caráter (cf. 1Tm 3.8); (3) ‘prudentes’ (cf. 1Tm 3.2; Tt 1.8; 2.5,6); (4) ‘sãos’ ou saudáveis nas três virtudes fundamentais: ‘na fé, na caridade e na paciência até o fim’. Ainda que nada disso seja explicitamente dito a respeito dos grupos mencionados a seguir, podemos assumir que isto seja esperado por parte de todos” (Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.1511).

 
III. O BOM EXEMPLO EM TUDO

1. Bom exemplo (vv.7,8).
O líder precisa ser exemplo. Se Deus lhe confiou a autoridade e a responsabilidade de um rebanho, você precisa ter uma vida irrepreensível. Ser irrepreensível não significa ser perfeito, dessa forma nenhum ser humano poderia assumir tal posição. Ser irrepreensível significa ter um padrão de conduta elevado e maduro, segundo os princípios bíblicos. A conduta do líder não pode minar a confiança do rebanho.

2. Incorrupção da doutrina.
Tito deveria ter muito cuidado com a doutrina, para que sua pregação e ensino fossem de modo correto, com fundamento na Palavra de Deus, na “doutrina dos apóstolos” (At 2.42). Jesus advertiu seus discípulos a se resguardarem da “doutrina dos fariseus” (Mt 16.6,12). Hoje, temos visto igrejas que “vendem” bênçãos por dinheiro; utilizam manipulação psicológica para arrecadar mais recursos das pessoas; fazem “curas” e milagres, em troca do vil metal.

3. Gravidade e sinceridade.
São atitudes que equivalem à seriedade. Um obreiro deve ser sério, honesto, com postura que honre a Deus e ao seu ministério. Completando a lista de recomendações, Paulo diz que Tito deve ter “linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer”. É conduta exemplar, exigida de todos os que querem ser obreiros, dedicados à obra do Senhor.

 
SÍNTESE DO TÓPICO (III): O líder cristão deve ser bom exemplo, preservar a integridade da doutrina e ser sincero em tudo.

 
SUBSÍDIO DIDÁTICO
 
Professor, a conclusão desta aula deve conduzir os alunos a compreenderem o chamado cristão para a família cristã cultivar bons exemplos de vida. No texto de Paulo a Tito, todos os homens, mulheres, idosos e jovens da igreja são desafiados a cultivarem virtudes como “autodomínio”, “perseverança” e “amor”. Por isso, a afirmação de Paulo “para que a palavra de Deus não seja blasfemada”. Só é possível isso acontecer quando a família cristã persevera no modelo dado por Deus, por intermédio do Evangelho, e vive em família como Jesus viveu: sua mensagem, seu anúncio, seus princípios e valores.

 
CONCLUSÃO
 
As exortações de Paulo a Tito são de grande valor para os obreiros, em todos os lugares e em todos os tempos. Ele especifica como tratar as pessoas, por suas diversas faixas etárias. Destaca o valor do exemplo cristão, como forma de evitarem-se os escândalos que tanto comprometem o bom nome do evangelho e da Igreja de Cristo. São ensinamentos perfeitamente atualizados, não obstante terem sido escritos há tanto tempo.

 
PARA REFLETIR

A respeito das Cartas Pastorais:

1° De acordo com a lição, como deve ser o falar do líder?
Resp: O líder deve ter a sua fala sempre fundamentada na Palavra de Deus.


2° Ser “tardio para falar” e “pronto para ouvir” é sinal de quê?
Resp: De sabedoria, de maturidade emocional e espiritual.


3° Como o cristão idoso deve portar-se?
Resp: Sóbrios, graves, prudentes, sãos na fé, na caridade e na paciência.


4° Como a mulher cristã idosa deve portar-se?
Resp: Sérias no seu viver, como convém a santas, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras no bem.


5° As exortações de Paulo a Tito são importantes para os obreiros de hoje?
Resp: Resposta pessoal.
 

 
SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO
 
 

Exortações gerais
Nesta lição os temas a serem tratados são de natureza prática. O capítulo apreciado por nós é o 2 da epístola da de Paulo a Tito. Nele, o apóstolo emite uma série de conselhos práticos ao jovem pastor dentre os quais podem ser destacados os seguintes: o respeito às pessoas idosas; o cuidado que as mulheres jovens devem ter (isto é, por intermédio dos conselhos das mulheres idôneas); exortação aos jovens à moderação; ao próprio Tito para ser exemplo em toda boa obra; admoestação aos servos para honrarem os seus senhores.

Uma série de conselhos práticos foi repassada a Tito para que as igrejas de Creta fossem educadas e desenvolvessem assim uma ética cristã segundo os preceitos de Cristo Jesus, o nosso Senhor.
Antes de aconselhar qualquer pessoa, o líder cristão é quem deve dar o primeiro exemplo em tudo. Assim, alguns cuidados e zelos esse líder deve demonstrar para com a Igreja de Deus: “fala o que convém a sã doutrina”; saber falar e ouvir; integridade no falar.

O líder cristão deve ter o compromisso de expor as Escrituras Sagradas com fidelidade, pois a isto é o que se refere a expressão “fala o que convém a sã doutrina”. É não abrir mão de proclamar todos os desígnios de Deus contidos nas Escrituras. É expor a verdade de Deus com autoridade, dignidade e integridade. Entretanto, isso não significa que o líder cristão só deva falar. Muito pelo contrário, o ministro vocacionado por Deus deve ter a paciência de ouvir a demanda do rebanho do Senhor. Muitas ovelhas procuram os seus pastores para receberem aconselhamentos para as suas vidas. O pastor não pode se furtar de cumprir esse mandato do Senhor, pois eles velam pelas almas das ovelhas (Hb 13.17).

Além de falar o que convém a “sã doutrina” saber falar e ouvir o rebanho, o líder cristão deve ter uma integridade em seu falar. Muitos problemas seriam evitados se muitos líderes tivessem maior sabedoria para falar com os jovens, com os mais velhos, com as mulheres e tantas outras pessoas que gostam de respeito e diálogo. Um líder cristão não pode furtar-se do diálogo, da boa conversa. Mas tudo com integridade e dignidade de alma e de mente.

As últimas exortações do apóstolo ao jovem pastor de Creta visam relembrá-lo da importância do trabalho de um verdadeiro pastor. Um verdadeiro pastor não vive para si mesmo, mas para o outro. Por isso que o chamado pastoral é para poucos, ainda que, infelizmente, muitos se aventurem nessa vocação não aberta ao grande público.
 
 
 

 


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Lição 11 CPAD - 3° Trimestre 2015


Lições Bíblicas CPAD / Adultos

3º Trimestre de 2015

Título: A Igreja e o seu Testemunho — As ordenanças de Cristo nas cartas pastorais

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

Data: 13 de Setembro de 2015
 

 

TEXTO ÁUREO: Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros, como já te mandei” (Tt 1.5).

VERDADE PRÁTICA: A igreja local deve subordinar-se à orientação de Deus, através de sua Palavra, que é o “Manual de Administração Eclesiástica” por excelência.

OBJETIVO GERAL: Apresentar os requisitos bíblicos para formar um ministro do Evangelho.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I. Explicar o panorama da epístola a Tito.
II. Conscientizar sobre as qualificações dos pastores segundo a epístola.

III. Destacar a percepção de pureza que a epístola apresenta.

 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Caro professor, é importante que você compreenda e ressalte para os alunos o objetivo da epístola de Tito: Aconselhar o jovem pastor sobre a tarefa de “pôr em ordem” o que Paulo havia deixado inacabado nas igrejas de Creta. Outro ponto importante é saber que essa epístola tem algumas características especiais: (1) Ela possui dois resumos sobre a natureza da salvação em Jesus Cristo (2.11-14; 3.4-7); (2) A igreja e o ministério de Tito deveriam estar edificados sobre firmes alicerces espirituais e éticos (2.11-15); (3) Contém uma das duas listas do Novo Testamento sobre as qualificações necessárias ao ministério de uma igreja (1.5-9; cf. 1Tm 3.1-13). Além dessas informações, para aprofundá-las, pesquise em bons comentários bíblicos sobre o panorama dessa epístola.

 

INTRODUÇÃO
Com esta lição estaremos iniciando o estudo da Epístola de Tito. Timóteo recebeu a incumbência de exortar uma igreja que estava sofrendo com os ataques dos falsos mestres. A missão de Tito era semelhante a de Timóteo, mas com um encargo a mais, que foi o de estabelecer presbíteros, “em cada cidade”, pondo “em ordem” a Igreja. Paulo mostra, na Carta a Tito, que não era apenas pregador, ensinador e “doutor dos gentios”, mas também um administrador eclesiástico.

 
PONTO CENTRAL: A epístola de Paulo a Tito demonstra com vigor as qualificações honestas para quem se pretende pastor.

 
I. A EPÍSTOLA ENVIADA A TITO

1. O intento da Epístola.
Qual era o principal propósito da Epístola de Tito? O objetivo de Paulo era dar conselhos ao jovem pastor Tito a respeito da responsabilidade que ele havia recebido. Tito recebeu a incumbência de supervisionar e organizar as igrejas na ilha de Creta. Paulo havia visitado a ilha com Tito e o deixou ali com esta importante incumbência (v.5).


2. Data em que foi escrita.
Acredita-se que foi escrita no ano de 64.d.C., aproximadamente. A carta a Tito foi escrita na mesma época da Primeira Carta a Timóteo. Provavelmente foi redigida na Macedônia, durante as viagens que Paulo fez quando esteve sob a custódia dos romanos.


3. Um viver correto.
Como ministro do evangelho, Paulo exige ordem na igreja e que os irmãos vivam de maneira correta, santa. Segundo a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, a ilha de Creta era conhecida pela preguiça, glutonaria e maldade de seus habitantes. Ao aceitar a Cristo como Salvador, o novo convertido torna-se santo pela lavagem da regeneração do Espírito (Tt 3.5), por meio da Palavra de Deus (Ef 5.26). A santificação é também um processo gradual e contínuo que conduz ao aperfeiçoamento do caráter e da vida espiritual do crente, tornando-o participante da natureza divina (2Pe 1.4). Sem a santificação, jamais alguém verá a Deus (Hb 12.14).

 
SÍNTESE DO TÓPICO (I): A epístola objetivava dar instruções ao jovem pastor Tito a respeito da responsabilidade que ele havia recebido de Paulo. A carta foi escrita aproximadamente em 64 d.C..

 
SUBSÍDIO TEOLÓGICO

Tito, como 1 e 2 Timóteo, é uma carta pessoal de Paulo a um dos seus auxiliares mais jovens. É chamada de ‘epístola pastoral’ porque trata de assuntos relacionados com ordem e o ministério na igreja. Tito, um gentio convertido (Gl 2.3), tornou-se íntimo companheiro de Paulo no ministério apostólico. Embora não mencionado nominalmente em Atos (por ser, talvez, irmão de Lucas), o grande relacionamento entre Tito e o apóstolo Paulo vê-se (1) nas treze referências a Tito nas epístolas de Paulo, (2) no fato de ele ser um dos convertidos e fruto do ministério de Paulo (1.4; como Timóteo), e um cooperador de confiança (2Co 8.23), (3) pela sua missão de representante de Paulo em pelo menos uma missão importante a Corinto durante a terceira viagem missionária do apóstolo (2Co 2.12,13; 7.6-15; 8.6,16-24), e (4) pelo seu trabalho como cooperador de Paulo em Creta (1.5)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD, 1995, pp.1886-87).

 
II. O PASTOR PRECISA PROTEGER O REBANHO DE DEUS

1. Qualificação dos pastores.
Em sua carta a Tito, Paulo enfatiza as qualificações do bispo, em relação a família, como homem casado, fiel à sua esposa e na criação de seus filhos de forma exemplar (v.6). Paulo diz que os filhos dos ministros, presbíteros ou pastores, não devem ser “acusados de dissolução”, nem de serem “desobedientes”. No original, tais adjetivos vêm de anupotaktos, “não sujeito”, “indisciplinado”, “desobediente”. O exemplo mau dos filhos do sacerdote Eli é referência negativa para a família dos pastores (1Sm 2.12,31). Paulo mostra que o bispo deve ser uma pessoa íntegra, irrepreensível, “como despenseiro da casa de Deus” (v.7). Por outro lado, ensina também que o bispo não pode ser “soberbo”, “iracundo”, “dado ao vinho”, “não espancador”, “cobiçoso de torpe ganância” (vide os mercantilistas na atualidade que só trabalham por dinheiro). Paulo instrui que o obreiro precisa ser “[...] dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante” (Tt 1.8).


2. Crentes, porém problemáticos.
Paulo ressalta o respeito que o presbítero deve ter à doutrina e a autoridade ministerial para argumentar com os contradizentes (vv.9,10). Entre os crentes da igreja de Creta, haviam os “complicados” e “contradizentes”, “faladores”, tipos não raros em igrejas nos tempos presentes. Mas o apóstolo indicou a maneira de tratá-los. Aos contradizentes e desobedientes ao ensino da Palavra de Deus, Paulo demonstra não ter nenhuma afinidade com eles, pois são perigosos, não só para a igreja local, mas para as famílias cristãs, e devem receber a admoestação e repreensão à altura: “[...] aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras, ensinando o que não convém, por torpe ganância” (v.11). O fato de tais falsos crentes terem espaço para transtornar “casas inteiras” se devia à realidade das igrejas cristãs em seus primórdios. Elas funcionavam, em grande parte, nas residências dos convertidos (Rm 16.5; 1Co 16.19; Cl 4.15). Além de desordenados, eles são “faladores” e murmuradores.


3. Não dar ouvidos a ensinos falsos.
Tito, na condição de “supervisor”, estabelecendo igrejas, “de cidade em cidade”, tinha que ministrar a palavra de edificação e advertência contra os falsos cristãos. Deveria repreendê-los de modo veemente. Na verdade, eles eram desviados da verdade. Mais adiante, Paulo resume como tratar os desviados e hereges: “Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o” (Tt 3.10).


SÍNTESE DO TÓPICO (II): A qualificação dos pastores, segundo a epístola, é fundamental ser observada para que sejam competentes no relacionamento com os crentes problemáticos.

 
SUBSÍDIO TEOLÓGICO

As qualificações dos presbíteros (1.6-9)
As qualificações no verso 6, de acordo com o idioma original, são condições ou questões indiretas relativas aos candidatos que estão sendo considerados para o ministério. O grego traduz literalmente: ‘Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução [desperdício de dinheiro] nem são desobedientes’ — este pode ser considerado como um candidato ao presbitério.

Paulo parece estar usando as palavras ‘ancião/presbítero’ (presbyteros, v.5) e ‘líder/bispo’ (episkopos, v.7) de modo intercambiável. Neste primeiro período da história da Igreja, os ofícios ministeriais eram variáveis e indistintos.

Paulo chama os bispos de ‘despenseiros da casa de Deus’. Os despenseiros (pessoas encarregadas de administrar os negócios de uma casa) eram bem conhecidos daqueles que viveram no primeiro século. Uma vez que tais pessoas tinham perante o dono da casa a responsabilidade de cuidar desta, era necessário que fossem irrepreensíveis. Note também que os bispos não são simplesmente responsáveis perante Deus como seus servos, cuidando das coisas de Deus” (Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.1509).

 
III. A PERCEPÇÃO DA PUREZA PARA OS PUROS E PARA OS IMPUROS

1. Tudo é puro para os puros (v.15).
Paulo diz que “todas as coisas são puras para os puros” (Tt 1.15), pois esses procuram viver segundo a Palavra de Deus. Aqueles que vivem de modo santo não veem mal em tudo, pois seus olhos são bons, santos. Isso é reflexo de suas mentes e corações bondosos. Deus nos chamou para sermos santos em todas as esferas e aspectos da nossa vida (1Pe 1.15). Quem despreza esse ensino não despreza ao homem, mas sim a Deus.


2. Nada é puro para os impuros (v.15).
De fato, para os “contaminados e infiéis”, tudo o que eles pensam e praticam é de má natureza. O motivo pelo qual “nada é puro para os contaminados” é porque “confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda boa obra” (v.16). Esses são hipócritas e maliciosos, pois dizem uma coisa e fazem outra.


3. Conhecem a Deus, mas o negam com as atitudes (v.16).
Atualmente muitos dizem conhecer a Deus, porém, se olharmos para suas atitudes veremos que estes nunca conheceram ao Senhor. A nossa conduta revela a nossa fé e o nosso relacionamento com Deus. O que as pessoas aprendem com você ao observar a sua conduta na igreja e fora dela?

 
SÍNTESE DO TÓPICO (III): O apóstolo admoesta que para os puros, tudo é puro; para os impuros, nada é puro. Há quem diga que conhece a Deus, mas o nega com suas atitudes: isso é perfeitamente possível.

 
CONCLUSÃO

A administração de uma igreja requer a observância de preceitos e diretrizes, emanadas da Palavra de Deus, o maior e melhor “manual de administração eclesiástica”. Por isso, Paulo escreveu três cartas pastorais, visando o estabelecimento, a organização e o crescimento sadio da Igreja do Senhor Jesus.

PARA REFLETIR

A respeito das Cartas Pastorais:

1° Qual era o propósito da Epístola de Tito?
Resp: Dar conselhos ao jovem pastor Tito a respeito da responsabilidade que ele havia recebido.

 
2° Qual era a incumbência de Tito?
Resp: Supervisionar e organizar as igrejas na ilha de Creta.

 
3° Em que ano a Epístola de Tito foi escrita?
Resp: Aproximadamente no ano 64 d.C.

 
4° Por que para os puros tudo é puro?
Resp: Pois estes procuram viver segundo a Palavra de Deus.

 
Por que nada é puro para os impuros?
Resp: Porque “confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda boa obra” (v.16).

 
SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

A organização de uma igreja local




Segundo os estudiosos, a epístola do apóstolo Paulo a Tito foi escrita aproximadamente no 64 d.C., e provavelmente, foi redigida na Macedônia, uma província que fazia fronteira com a Grécia. Por certo, a carta foi escrita no tempo em que Paulo estava sob a custódia dos soldados romanos.

Nesta epístola, podemos dizer que há pelo menos quatro assuntos principais ensinado pelo apóstolo Paulo:

(1) O ensino sobre o caráter e as qualificações espirituais necessárias a todos os que são separados para o ministério na igreja — isto é, “homens piedosos”, “de caráter cristão comprovado” e “bem sucedidos na direção da sua família” (1.5-9);

(2) estímulo a Tito para ensinar a “sã doutrina”, repreender e silenciar os falsos mestres (1.10—2.1);

(3) descrição de Paulo para Tito do devido papel dos anciões (2.1,2), das mulheres idosas (2.3,4), das mulheres jovens (2.4,5), dos homens jovens (2.6-8) e dos servos (2.9,10) na comunidade cristã em Creta;

(4) por último, o apóstolo enfatiza que as boas obras e uma vida de santidade a Deus são o devido fruto da fé genuína (1.16; 2.7,14).

Mediante essa lista de requisitos, notamos o quanto é importante que, em primeiro lugar, quem se sente vocacionado para um chamado ministerial, acima de tudo, seja reconhecido pela Igreja de Cristo. O ministério na vida de uma pessoa não é algo oculto, ou de conhecimento apenas para quem o deseja, mas é manifesto, reconhecido pela comunidade local a quem ele serve. O ministério de Deus na vida de um vocacionado também não é confirmado por uma só pessoa, mas confirmado e aprovado pela Igreja de Cristo reunida naquela comunidade local. O ministério vocacional de um escolhido por Deus, que ama o Senhor acima de todas as coisas, tem de ser reconhecido pelo Corpo de Cristo, a igreja local.

Mas é preciso a igreja local saber discernir quem é de quem não é vocacionado para o ministério. Para isso, o nosso Deus manifestou a sua vontade nas Escrituras por intermédio do apóstolo Paulo sobre as características de como deve ser uma pessoa vocacionada para o santo ministério. A Igreja de Cristo não pode se furtar dessa responsabilidade, pois segundo a herança da tradição da Reforma Protestante: não há um sacerdote como representante de Deus para o povo; muito pelo contrário, em Cristo, todos somos sacerdotes, a nação santa e o povo adquirido para propagar o Evangelho.