quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Lição 11 CPAD - 4° Trimestre 2014

 
Lições Bíblicas CPAD / Jovens e Adultos


Título: Integridade Moral e Espiritual — O legado do livro de Daniel para a Igreja de hoje

Comentarista: Elienai Cabral
 

 
 
TEXTO ÁUREO: E levantei os meus olhos, e olhei, e vi um homem vestido de linho, e os seus lombos, cingidos com ouro fino de Ufaz” (Dn 10.5).

VERDADE PRÁTICA: Deus revela o futuro, para que o seu povo não fique amedrontado e confuso.

INTERAÇÃO
Os anjos são seres espirituais presentes na Bíblia. Ele está envolvido com o futuro de Israel, no Antigo Testamento, e com o futuro da Igreja, em o Novo Testamento. Além disso, os anjos ministram por ordem divina e, por isso, não recebem adoração em hipótese alguma. Infelizmente, muitos têm ensinado uma falsa doutrina acerca dos anjos, dizendo que Gabriel está ali, Miguel, acolá. E Jesus? Onde fica nisso tudo? Prezado professor, você tem uma boa oportunidade, através do capítulo dez de Daniel, de desmistificar crendices que não exaltam a Deus e nem edificam vidas.

 
OBJETIVOS: Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

Discorrer sobre a visão celestial de Daniel.

Explicar o significado do homem vestido de linho.

Saber que os anjos de Deus são seres espirituais ajudadores.

 
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor, para concluir a aula da presente lição, reproduza o esquema abaixo de acordo com as suas possibilidades. O esquema é uma adaptação da explicação do teólogo pentecostal escocês, radicado nos EUA, Myer Pearman. Destaque para os alunos o que a Bíblia revela acerca da natureza dos anjos: são criaturas, espíritos, imortais e numerosos. A partir da análise da natureza angelical, enfatize que a Bíblia não nos ensina crendices quanto aos anjos. Boa aula!


 
Palavra Chave: Visão: Concepção ou representação, em espírito, de situações, questões, etc. Interpretação.

 
INTRODUÇÃO 
Ao estudarmos o capítulo dez, precisamos compreender que já se haviam passado uns quatro anos desde que Gabriel apareceu a Daniel com uma mensagem da parte de Deus. Era o terceiro ano do reinado de Ciro da Pérsia, e Daniel era um homem com mais de 90 anos de idade. Mesmo assim, não desistiu de orar e jejuar em favor do seu povo.
O capítulo dez trata da última visão do profeta a respeito dos acontencimentos dos últimos dias.

 
I. UMA VISÃO CELESTIAL (Dn 10.1-3)

1. “Foi revelada uma palavra a Daniel”.
O capítulo dez tem início com a visão que Daniel teve a respeito dos acontecimentos dos últimos dias. Neste capítulo, temos apenas o início da visão e da revelação de Daniel. Deus é Senhor e tem o conhecimento total e completo do futuro. Sua revelação é infalível e não deixa nenhuma dúvida.


2. Daniel um homem de oração.
Lendo os primeiros versículos do capítulo dez, podemos ver que Daniel estava mais uma vez se dedicando à oração e ao jejum. Mesmo estando exilado e tendo que servir a reis pagãos, Daniel não se descuidou de sua vida de jejum e oração. Ele era um homem que tinha um espírito excelente, por isso Deus lhe revelou seus desígnios.
Daniel era um homem determinado e consciente da situação do seu povo. Talvez, por isso, tivesse por três semanas consecutivas (21 dias) orado, jejuado e não se ungido com unguento (v.3). A perseverança de Daniel em oração fez com que os céus se abrissem. Temos um Deus que ouve e responde as nossas orações (Jr 33.3). Daniel não desistiu de clamar e pedir pelo retorno do seu povo. Ele sabia o quanto Deus é Poderoso e que no tempo certo Ele agiria em favor dos israelitas. O tempo de Deus não está preso às circunstâncias históricas. No tempo devido, seus desígnios são concretizados. Daniel havia entendido que o plano de Deus para o seu povo não havia findado.


3. A tristeza de Daniel. “Estive triste por três semanas completas” (10.2).
Não sabemos o motivo real que trouxe tamanha tristeza e dor ao coração de Daniel. Todavia, sabemos que ele não se deixou abater por sua melancolia. Daniel continuou a orar e jejuar, buscando o socorro divino. As adversidades e tristezas desta vida não podem nos impedir de orar e prosseguir em nossa caminhada. Talvez um dos motivos da tristeza de Daniel seja o fato de que no terceiro ano de Ciro o trabalho da reconstrução do Templo havia sido interrompido (Ed 4.4,5,23,24).

 
SINOPSE DO TÓPICO (I): Daniel, um homem de oração, sentiu o peso da tristeza acerca da revelação das últimas coisas.

 
II. A VISÃO DO HOMEM VESTIDO DE LINHO (Dn 10.4,5)

1. Um “homem vestido de linho”.

A visão de Daniel é muito parecida com a que João teve na ilha de Patmos (Ap 1.12-20) e com a do profeta Ezequiel (Ez 1.26). Acredita-se que, assim como João e Ezequiel, o profeta Daniel tenha visto o Senhor Jesus Cristo. Tanto João como Daniel tiveram a mesma reação diante de tal visão: desfaleceram. Eles não encontraram forças para ficar de pé (Dn 10.8; Ap 1.17). Homem algum pode resistir diante da glória do Senhor. A visão do Filho do Homem fez com que as forças físicas de Daniel se esgotassem, todavia, o Senhor enviou um anjo para tocar o seu profeta (Dn 10.10).


2. “Eis que uma mão me tocou”.
Daniel é tocado pelo anjo de Deus e ouve palavras de consolo. Os anjos são seres celestiais reais, porém nem sempre podemos vê-los (Hb 12.22). A Palavra de Deus declara que eles são “espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação” (Hb 1.14). Alguns anjos se rebelaram contra Deus (Jd 6), cometendo um grave pecado. Estes foram expulsos do céu.
O número de anjos é imenso (Hb 12.22), porém, no livro do profeta Daniel encontramos a referência a dois anjos em especial: Gabriel, que ajudou a Daniel a compreender as revelações divinas (Dn 9.21-27) e Miguel, o arcanjo, protetor de Israel (Dn 12.1). No Antigo Testamento, uma das atribuições dos anjos era guardar o povo de Deus (2Rs 6.17). Na Bíblia os anjos também foram utilizados como agentes na execução do julgamento divino (Gn 19.1).


3. “O príncipe do reino da Pérsia”.
Quem era este príncipe? A maioria dos teólogos acredita que este príncipe seja um anjo satânico. Estes seres malignos obedecem ao comando de seu chefe, o Diabo. Neste capítulo, eles aparecem em oposição ao povo de Deus (vv.13,20). Precisamos de discernimento em relação aos anjos, pois a Palavra de Deus afirma que o próprio Satanás pode disfarçar-se em anjo de luz (2Co 11.14).

 
SINOPSE DO TÓPICO (II): A visão de Daniel acerca do homem vestido de linho é semelhante a que o apóstolo João teve na Ilha de Patmos e com a do profeta Ezequiel.

 
III. DANIEL É CONFORTADO POR UM ANJO (Dn 10.10-12)

1. Daniel é confortado por um anjo (10.10-12).
Diante da visão o profeta perdeu as suas forças. Porém, o Senhor envia um anjo para tocar Daniel e restaurar as suas forças físicas. A mão do anjo tocou o profeta e o ergueu. Observe que Daniel, “o homem mui desejado,” ficou como morto e depois de joelhos diante do Senhor. No grande dia, como ficarão aqueles que rejeitam e desprezam o Filho de Deus?


2. O conflito entre o Arcanjo Miguel e o príncipe do reino da Pérsia (10.13).
No capítulo dez do livro de Daniel, dois príncipes das milícias satânicas são identificados: “o príncipe do reino da Pérsia” (v.13) e o “príncipe da Grécia” (v.20). Estes príncipes não eram homens comuns, mas anjos satânicos. Estes anjos caídos só foram derrotados depois que Deus enviou Miguel, o príncipe de Israel (v.21). O anjo que falava com o profeta explicou que o príncipe da Pérsia estava impedindo que a mensagem de Deus fosse entregue. O propósito de Satanás era impedir que Daniel recebesse a revelação do Senhor.


3. A hostilidade espiritual contra o povo de Deus.
O Inimigo tenta de todas as formas destruir Israel, todavia o Senhor tem uma aliança eterna com o seu povo. Satanás não pode impedir a bênção de Deus para Israel. O Inimigo também tenta de todas as formas destruir a Igreja de Cristo. Ele se opõe a Igreja assim como o rei da Pérsia se opôs a Daniel e ao anjo do Senhor.
Há resistência espiritual às nossas orações e a nós. Quando oramos entramos em batalha contra as potestades do mal (Ef 6.12). Israel tem o seu ajudador, o arcanjo Miguel. A Igreja é guardada pelo próprio Senhor Jesus Cristo, aquele que venceu as forças do Inimigo ao morrer e ressuscitar ao terceiro dia.

 
SINOPSE DO TÓPICO (III): Diante da visão Daniel desfaleceu. Mas, Deus enviou-lhe um anjo para confortá-lo e reerguê-lo.

 
CONCLUSÃO
Duas vezes o anjo de Deus tocou em Daniel para que ele pudesse recobrar as suas forças físicas. O toque de Deus nos anima e nos fortalece para que possamos, como Daniel, servir ao Senhor com temor e amor.

 
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

GILBERTO, Antônio. Daniel & Apocalipse. RJ: CPAD, 2006.
LAHAYE, Tim; HINDSON (Ed.). Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2004.

EXERCÍCIOS

1. Como se inicia o capítulo dez?

R. Com a visão que Daniel teve a respeito dos acontecimentos dos últimos dias.

2. Qual era o motivo da tristeza de Daniel?

R. Não sabemos o motivo real que trouxe tamanha tristeza e dor ao coração de Daniel. Todavia, sabemos que ele não se deixou abater por sua melancolia. Daniel continuou a orar e jejuar, buscando o socorro divino.

3. A visão de Daniel no capítulo dez se parece com quais visões?

R. A visão de Daniel é muito parecida com a que João teve na ilha de Patmos (Ap 1.12-20) e com a do profeta Ezequiel (Ez 1.26).

4. Quem era o “homem vestido de linho”?

R. Acredita-se que, assim como João e Ezequiel, o profeta Daniel tenha visto o Senhor Jesus Cristo.

5. Segundo a lição, quem era o príncipe da Pérsia?

R. A maioria dos teólogos acredita que este príncipe seja um anjo satânico.

 
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I

Subsídio Exegético

Uma Visão Celestial de Conflitos Terrenos, 10.1-12.13
A maioria dos intérpretes concorda em que os últimos três capítulos do livro de Daniel constituem uma unidade. Keil descreve os conteúdos dessa seção como ‘A revelação das aflições do Povo de Deus Infligidas pelos Governantes do Mundo até a Consumação do Reino de Deus’. Essa seção não está em forma de sonho ou visão. Ela é uma revelação, que vem diretamente a Daniel por intermédio de um ser celestial que age como o mediador da verdade. A expressão foi revelada uma palavra a Daniel (10.1) contém a palavra niglah, a forma passiva do verbo que significa ‘desvendar, manifestar, revelar’. Essa manifestação culminante experimentada por Daniel veio a ele na forma mais elevada de revelação, através do encontro direto com a deidade. Keil descreve essa experiência como uma teofania, uma manifestação ou aparição de Deus” (PRICE, Ross; GRAY, C. Paul (et al). Comentário Bíblico Beacon: Isaías a Daniel. 1ª Edição. Volume 4. RJ: CPAD, 2005, pp.538-39).

 
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II

Subsídio Bibliológico

Anjos Caídos
Os anjos malignos, dos quais Satanás é o príncipe (Jo 12.31; 14.30; Ef 2.2; cf. 6.12), se opõem aos bons (Dn 10.13), perturbam o bem-estar do homem às vezes adquirindo o controle que Deus tem sobre as forças da natureza (Jó 1.12-19) e as doenças (Jó 2.4-7); cf. Lc 13.16; At 10.38. Eles tentam o homem para pecar (Gn 3.1-7; Mt 4.3; Jo 13.27; 1Pe 5.8) e espalham falsas doutrinas (1Rs 22.21-23; 2Co 11.13,14; 2Ts 2.2; 1Tm 4.1). No entanto, sua liberdade para tentar e testar o homem está sujeita à vontade permissiva de Deus (Jó 1.12; 2.6).
Embora eles ainda tenham a sua habilitação no céu e, às vezes, tenham acesso ao próprio trono de Deus (Jó 1.6), serão lançados à terra por Miguel e seus anjos antes da Grande Tribulação (Ap 12.7-9), e finalmente serão lançados no lago de fogo e enxofre ‘preparado para o diabo e seus anjos’ (Mt 25.41).
Os anjos, como seres criados separadamente, não se casam nem se dão em casamento (Mt 22.30; Lc 20.36). Em contraste, os homens são todos participantes da raça humana e descenderam do primeiro casal, Adão e Eva. Deus, portanto, não pode lidar com os anjos através de um representante e, sendo assim, os anjos caídos não podem ser remidos por um comandante federal como o homem (por exemplo, ‘em Adão’ e ‘em Cristo’ Rm 5.12ss.; 1Co 15.22).
Com que base Deus, então, separou os santos anjos (Mt 25.31; Mc 8.38) daqueles que pecaram (2Pe 2.4; cf. Jd 6)? Com base em sua obediência, amor e lealdade a Ele. Aqueles que seguiram a Lúcifer em sua rebelião contra Deus (Is 14.12-17; Ez 28.12-19) desse modo pecaram e caíram. Alguns destes foram colocados em cadeias eternas (Jd 6), mas os outros ainda estão livres e ativos e são chamados demônios. Aqueles anjos que continuaram firmes em amor, lealdade e obediência a Deus foram confirmados em um caráter de justiça. Assim, os anjos podiam pecar ou permanecer puros até serem totalmente testados e confirmados em justiça” (PFEIFFER, Charles F.; VOS, Howard, F. Dicionário Bíblico Wycliffe. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009, p.139).

 
SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

O Homem vestido de linho
O capítulo que ora vamos estudar encontra-se numa seção que se destaca dos capítulos sete a nove: a de dez a doze. Estes aparecem como profecia que os remete a uma retrospectiva histórica dos capítulos sete a nove. A seção dos capítulos dez a doze dividi-se basicamente em três partes: introdução longa que descreve a aparição do emissário divino para Daniel (cap. 10); a revelação que envolve a história dos quatro impérios mencionados em profecias anteriores (11.1-12.4); a consumação dos segredos divinos até o tempo do fim (12.5-13).
O capítulo dez retrata o envio de um emissário celestial, conhecido como o homem vestido de linho, que trouxe uma mensagem a Daniel acerca do futuro das nações e do povo de Israel. O profeta Daniel esgotou-se fisicamente diante da realidade espiritual permeada na batalha entre anjos cuja maioria dos estudiosos conservadores diz serem aqueles anjos guardiões das nações que habitavam a região da Palestina e adjacências.
Mais importante é destacar que neste capítulo os anjos aparecem com uma missão específica em relação ao desenrolar da história revelada em visão a Daniel. Os seres espirituais são enviados pela parte de Deus para auxiliar o profeta concernente a interpretação de algo que Daniel buscava compreender. Perceba que em nenhum momento há uma atitude de deslumbramento por parte do profeta com relação aos seres espirituais. Pois o seu desgaste físico tem haver com a dimensão do mundo espiritual que ele viu-se imerso. Por isso, não podemos usar este texto para justificar os movimentos contemporâneos de “cair no espírito”. É um “assalto” hermenêutico utilizar textos como este de Daniel para justificar movimentos que nada tem haver com o desenrolar do futuro das nações onde Deus se predispõe a revelar os mistérios divinos.
Não se pode deixar de apontar também que no nascimento de Jesus de Nazaré esta dimensão celestial foi novamente representada através dos anjos. O anjo Gabriel anunciou o advento do Messias. Na tentação de Jesus, após Ele ser provado e ter vencido as tentações, anjos o serviram. O apóstolo Paulo nos falou que a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra as potestades nas regiões celestiais. Os anjos são reais, o mundo espiritual é real e, por isso, não podem ser banalizados por meninices e falta de bom senso e respeito às coisas de Deus.



quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Lição 10 CPAD - 4° Trimestre 2014



Lições Bíblicas CPAD / Jovens e Adultos
 
 
Título: Integridade Moral e Espiritual — O legado do livro de Daniel para a Igreja de hoje

Comentarista: Elienai Cabral


TEXTO ÁUREO: Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para extinguir a transgressão, e dar fim aos pecados, e expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e ungir o Santo dos santos” (Dn 9.24).
 

VERDADE PRÁTICA: Deus revela os seus mistérios a quem reconhece a sua soberania e submete-se a sua vontade em amor e contrição.
 

INTERAÇÃO

Prezado professor, na lição de hoje estudaremos as setenta semanas do livro de Daniel. Este é um assunto que deve ser estudado com muita dedicação. Depois de estudar com zelo as profecias do profeta Jeremias, Daniel compreendeu o futuro do seu povo. A profecia de Daniel começou a se cumprir a partir do decreto da restauração de Israel por ordem do rei Artaxerxes (Ne 2.1-8). Porém, a profecia ainda não se cumpriu na íntegra, pois a septuagésima semana de Daniel foi interrompida pelo Todo-Poderoso. A Igreja de Cristo não verá o cumprimento total desta profecia, pois antes que a septuagésima semana se cumpra ela já terá sido arrebatada.
 

OBJETIVOS: Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

1° Conhecer que Daniel compreendeu o futuro de Israel após estudar as profecias de Jeremias.

2° Compreender as setenta semanas profetizadas no livro de Daniel.

3° Saber os propósitos da septuagésima semana.
 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Para introduzir o segundo tópico da lição desta semana reproduza o esquema abaixo conforme as suas possibilidades. Com o auxílio do esquema, explique que a profecia de Daniel começou a se cumprir a partir do decreto da restauração de Israel por ordem de Artaxerxes (Ne 2.1-8), em 444 a.C. Em seguida, diga aos alunos que essa profecia não foi cumprida cabalmente, pois a septuagésima semana de Daniel foi interrompida por Deus. Então deu-se o advento da Igreja. Afirme que a Igreja deve primeiramente ser arrebatada, para em seguida, a profecia sobre a septuagésima semana cumprir-se literal e plenamente.
 

Palavra Chave: Soberania: Qualidade ou condição de soberano; superioridade derivada de autoridade, domínio, poder.
 

INTRODUÇÃO

Diferentemente dos capítulos anteriores, o nono capítulo de Daniel não descreve o futuro dos impérios mundiais, mas o de Israel. Nesta lição, estudaremos a pesquisa de Daniel quanto à profecia de Jeremias: as setenta semanas, um período de 490 anos para o povo judeu. Este período compreende o fim do tempo da escravidão e do exílio dos israelitas em terras estranhas. A partir de uma circunstância histórica, Deus revelou a Daniel uma verdade futura acerca do seu povo. Pelo período de setenta anos, Israel veria a soberania de Deus intervindo em seu futuro. E após uma visão estarrecedora dos capítulos 7 e 8, referente ao tempo vindouro, em que “um rei feroz” prefigurava o futuro Anticristo, o profeta enfraqueceu-se física e emocionalmente, restando-lhe tão somente orar e buscar o socorro de Deus.
 

I. DANIEL INTERCEDE A DEUS PELO SEU POVO (Dn 9.3-19)

1. O tempo da profecia de Jeremias (vv.1,2).

Daniel, agora um ancião, ainda exercia suas atividades políticas sob domínio de Dario. O profeta esquadrinhou a mensagem do livro de Jeremias. E descobriu que a profecia de Jeremias determinava um tempo de setenta anos de cativeiro para os judeus. Logo este tempo marcado pelo sofrimento chegaria ao fim. Ao compreender a mensagem, o profeta Daniel orou a Deus, pedindo-lhe o cumprimento da promessa ao seu povo e que, por fim, Ele restaurasse o reino a Israel.
 

2. A confissão dos pecados de um povo (vv.3-11,20).

A oração de Daniel demonstrou uma atitude confessional e de reconhecimento da culpa. Ele não apenas informou a culpabilidade do seu povo, mas a sua própria também: “pecamos, e cometemos iniquidade, e procedemos impiamente, e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos” (v.5). A despeito da sua integridade, Daniel não foi presunçoso diante da justiça de Deus, pois ele colocou-se debaixo da mesma culpa do povo e suplicou o perdão a Deus.
 

3. Daniel reconheceu a justiça de Deus (vv.7,16).

A princípio, como um ser humano imerso no sofrimento, Daniel não compreendeu a manifestação da justiça de Deus contra o seu povo, mas ao mesmo tempo ele estava convicto acerca da perfeição da justiça divina.

Não podemos, entretanto, confundir o juízo de Deus com os acertos de contas humanos. A justiça divina não é justiça humana.
 

SINOPSE DO TÓPICO (I): As guerras e pelejas entre os crentes são frutos dos desejos egoístas e carnais que carregamos em nosso interior.


II. DEUS REVELA O FUTURO DO SEU POVO (Dn 9.24-27)

1. As setenta semanas (v.24).

Daniel confirmara que Jeremias profetizou os setenta anos do exílio de Israel (Jr 25.11-13; 2Cr 36.21). Por isso, na Bíblia, o número setenta ganhou um sentido profético. Assim, cada dia da semana pode significar um ano; cada semana, um período de sete anos. Então, as setenta semanas compreendem o período de 490 anos, setenta multiplicado por sete. Mas quando se deu o início do cumprimento das setenta semanas? Para respondermos a esta pergunta, temos de explicar primeiramente a expressão “setenta semanas”:

a) Explicação. O versículo 24 afirma que Deus determinou as setenta semanas. O bloco que forma os versículos 24-27 é profeticamente dividido em três grupos: 1) sete semanas (49 anos); 2) sessenta e duas semanas (434 anos); 3) uma semana (7 anos). Estes somam as setenta semanas:

b) O primeiro grupo (1). O início desta profecia deu-se com o decreto da reconstrução de Jerusalém (v.25). Os principais estudiosos do assunto concordam que se trata do decreto de Artaxerxes Longímano, baixado em 445 a.C. (cf. Ne 2).

c) O segundo grupo (2). É o período do advento do Messias, Jesus de Nazaré (vv.25,26). Neste tempo o Senhor foi morto e mais tarde Jerusalém foi novamente destruída através da liderança do general do exército romano, Tito, em 70 d.C.

d) O terceiro (3). Esta semana ainda não aconteceu (v.27). Compare o versículo 27 de Daniel com Mateus 24.15 e veja como se trata de uma profecia que ainda não se cumpriu. Esta última semana refere-se, então, ao período que implicará o advento do Anticristo e o início do tempo de tribulação para Israel.
 

2. Os três príncipes são mencionados na profecia (vv.25,26).

O primeiro príncipe é o Messias (v.25). O segundo apareceu posteriormente e destruiu a cidade de Jerusalém e o santuário em 70 d.C., trata-se do general Tito (v.26). E o terceiro príncipe surgirá no futuro, na última semana profetizada por Daniel (v. 27). Este príncipe não é o Messias “tirado” (9.26), mas certamente um personagem mais poderoso que Antíoco Epifânio e o general Tito. Trata-se, portanto, do Anticristo (2Ts 2.3-9; 1Jo 2.18).
 

3. O intervalo que precede a septuagésima semana (v.27).

O estudo das Escrituras demonstra um longo intervalo de tempo que precede a septuagésima semana. A Bíblia identifica este intervalo profético como “o tempo dos gentios”. A comunhão espiritual entre judeus e gentios, mediante a salvação em Cristo, formou um novo povo para Deus: a Igreja (Ef 2.12-16; 1Pe 2.9,10). Atualmente, estamos no tempo da graça de Deus e temos de anunciar o ano aceitável do Senhor para o mundo inteiro (Lc 4.18,19).

Após o tempo gentílico virá a última semana que, identificada pelas profecias bíblicas, significa um tempo de Grande Tribulação. É neste tempo que o “assolador”, isto é, o “anticristo” ou “o homem do pecado” ou “o homem da perdição”, virá sobre a asa das abominações (v.27).

Os sinais que precedem a revelação dessa figura abominável estão ocorrendo por toda parte. Todavia, a Igreja de Cristo não mais estará neste mundo, pois a noiva do Senhor será arrebatada antes do tempo da tribulação (1Co 15.51,52).


SINOPSE DO TÓPICO (II): Na Bíblia, o número setenta ganhou sentido profético, pois a partir desta visão profética Deus revelou o futuro do seu povo a Daniel.
 
 

III. OS PROPÓSITOS DA SEPTUAGÉSIMA SEMANA (Dn 9.27)

1. Revelar o “homem do pecado” (2Ts 2.3).

De acordo com as profecias, nem Antíoco Epifânio nem o general Tito foram objetos das predições do versículo 27 de Daniel. A passagem bíblica começa com o pronome “ele”, também identificado como “o rei de cara feroz”; “o chifre pequeno”; “o animal terrível e espantoso”. Mas quem será o personagem do livro de Daniel? Em o Novo Testamento, ele é identificado como “o anticristo” (1Jo 2.18; 4.3) e “a besta que saiu do mar” (Ap 13.1). Apesar de apresentada numa linguagem simbólica, a personagem é literal. Trata-se de um líder mundial poderoso que chamará a atenção das nações pela sua diplomacia, astúcia e inteligência política.
 

2. A Grande Tribulação (Mt 24.15,21).

O Anticristo “fará uma aliança com muitos por uma semana” (v.27). Note a expressão “com muitos”! Esta quer dizer que o Anticristo fará uma aliança com Israel, mas de início esta aliança não será unânime entre os judeus. Contudo, o Anticristo terá influência suficiente para impor a sua liderança política e, por fim, alcançar o sucesso e sua completa aceitação entre os judeus.

A força política do Anticristo será reconhecida nos três primeiros anos e meio, isto é, na primeira metade da última semana, quando a marca desse tempo será um período de falsa paz e harmonia. Em seguida, surgirá um tempo de sofrimento e tamanha aflição em todo o mundo. Perseguição, humilhação e morte serão a tônica desse tempo, a segunda fase da Grande Tribulação. Entretanto, e antes de tudo isso ocorrer, a Igreja será arrebatada e estará para sempre com Cristo na glória.
 

3. Revelar a vitória gloriosa do Messias.

Jesus Cristo, o Messias prometido, será revelado quando da sua segunda vinda visível sobre o Monte das Oliveiras (Zc 9.9,10). O Rei aniquilará por completo o poderio do Anticristo, do falso profeta e do próprio Diabo (Ap 19.19-21) e estabelecerá um reino de paz e harmonia no mundo todo. Esta é uma mensagem de esperança para o nosso coração. Não tenhamos medo, creiamos tão somente! Breve Jesus voltará! Alegremo-nos nesta esperança!

 

SINOPSE DO TÓPICO (III): Os propósitos da septuagésima semana são revelar ao povo de Deus o “homem do pecado”, “a Grande Tribulação” e o tempo da vitória gloriosa do Messias.

 

CONCLUSÃO

Vivemos um tempo de incredulidade. Muitos se dizem teólogos, mas negam e desprestigiam as profecias bíblicas. Eles preferem as alegorias ao invés de se debruçarem sobre as Escrituras e estudá-las com fé, graça e humildade. Entretanto, a Igreja não pode rejeitar as verdades futuras de nosso Senhor. Portanto, corramos e prossigamos em conhecê-lo mais, sabendo que um dia tudo será desvendado aos nossos olhos.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

LAHAYE, Tim; HINDSON (Ed.) Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2004.
MERRIL, Eugene H. História de Israel no Antigo Testamento: O reino de sacerdotes que Deus colocou entre as nações. 6ª Edição. RJ: CPAD, 2007.
ZUCK, Roy B. (Ed.) Teologia do Antigo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD. 2009.

 

EXERCÍCIOS

1. Em relação à profecia de Jeremias, o que Daniel descobriu?

R. Ele descobriu que a profecia de Jeremias determinava um tempo de setenta anos de cativeiro para os judeus. Logo este tempo marcado pelo sofrimento chegaria ao fim.

2. O que a oração intercessória de Daniel demonstrou?

R. A oração de Daniel demonstrou uma atitude confessional e de reconhecimento da culpa.

3. Como está dividido o bloco dos versículos 24-27?

R. O bloco que forma os versículos 24-27 é profeticamente dividido em três grupos: 1) sete semanas (49 anos); 2) sessenta e duas semanas (434 anos); 3) uma semana (7 anos).

4. Como é identificado o intervalo da “septuagésima semana”?

R. Esta última semana refere-se ao período que implicará o advento do Anticristo e o início do tempo de tribulação para Israel.

5. Mencione os propósitos da septuagésima semana.

R. Revelar ao povo de Deus o “homem do pecado”, “a Grande Tribulação” e o tempo da vitória gloriosa do Messias.

 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

Subsídio Teológico

O CONTEXTO DA PROFECIA

Daniel entendeu, a partir das profecias de Jeremias, que o exílio na Babilônia duraria setenta anos (Dn 9.2; Jr 25.11; 29.10). Ele reconheceu que a restauração dependia do arrependimento nacional (Jr 29.10-14), de modo que Daniel intercedeu pessoalmente por Israel com penitência e petições. Ele orou especificamente pela restauração de Jerusalém e do Templo (Dn 9.3-19). Aparentemente, Daniel esperava o cumprimento imediato e completo da restauração de Israel com a conclusão do cativeiro dos setenta anos. No entanto, a resposta que lhe foi entregue pelo arcanjo Gabriel (a profecia dos setenta anos) revelou que a restauração de Israel seria progressiva e se cumpriria definitivamente somente no tempo do fim” (LAHAYE, Tim; HINDSON (Ed.) Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.429).

 

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

As Setenta Semanas

O capítulo nove de Daniel é um dos mais controvertidos e especulados da Bíblia. Quantas datas foram marcadas para a vinda de Jesus a partir desse capítulo? Quantas pessoas pensaram que o Anticristo foi o Hitler? Ou o Papa? Tudo a partir da leitura desse capítulo.

O que se tem no capítulo nove é a terceira visão dos mistérios proféticos a respeito do tempo do fim onde de forma direta e através do anjo Gabriel o profeta Daniel recebeu de Deus tais informações. Duas divisões naturais aparecem neste capítulo: a oração de Daniel (vv.3-19) e a resposta divina transmitida pelo anjo Gabriel (vv.20-27).

A respeito da oração de Daniel é importante que o professor considere algumas questões importantes:

1. A oração de Daniel foi motivada por uma reflexão acerca das profecias de Jeremias. O povo judeu passaria setenta anos cativo e desolado (v.2);

2. Enquanto empenhava-se por entender a mensagem do profeta Jeremias, Daniel humilhou-se na presença de Deus e jejuou (v.3);

3. Daniel suplica ao Senhor confessando o pecado do povo e colocando-se, juntamente com o povo cativo, responsável por aquele pecado (vv.4-14);

4. Suplicou também pela misericórdia divina lembrando esta mesma misericórdia quando o Senhor livrou o Seu povo do Egito e, igualmente, usou de justiça para castigar o pecado de Jerusalém (vv.15,16).

5. Por fim, Daniel pede a Deus para libertar a cidade santa, Jerusalém, e a nação cujo Deus é o Senhor (vv.17-19);

6. O anjo Gabriel responde a Daniel após o processo de busca por resposta divina. É interessante destacar que é a primeira vez que um anjo aparece se locomovendo no Antigo Testamento. Antes, outros anjos apenas apareciam.

O capítulo pelo qual estamos estudando revela a disposição e a motivação de Daniel em buscar os desígnios de Deus. Embora não seja, neste espaço, a nossa intenção criar uma espécie de receita de bolo para buscarmos a Deus, pois entendemos que as experiências espirituais são de caráter subjetivo, cada pessoa tem a sua experiência com o Pai, mas é impossível não observarmos algumas características que chama-nos atenção na atitude de Daniel: a sua sede de conhecer a vontade de Deus, a humildade; a sinceridade; a disposição em orar e jejuar. Que a atitude de Daniel estimule-nos a buscarmos a vontade de Deus para a nossa vida!