terça-feira, 18 de julho de 2017

Lição 4 CPAD - 3° Trimestre 2017


LIÇÕES BÍBLICAS CPAD / ADULTOS

Título: A razão da nossa fé — Assim cremos, assim vivemos

Comentarista: Esequias Soares

 

TEXTO ÁUREO: Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim(Jo 14.6).

 VERDADE PRÁTICA: Cremos no Senhor Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, plenamente Deus, plenamente Homem e o único Salvador do mundo.

 OBJETIVO GERAL: Explicar porque cremos que Jesus é o Filho Unigênito de Deus, plenamente Deus e plenamente homem.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I. Compreender que Jesus é o Filho Unigênito de Deus;

II. Mostrar a deidade do Filho de Deus;

III. Apresentar a humanidade do Filho de Deus.

 
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Prezado professor, nesta lição estudaremos a respeito do Homem mais importante que já viveu nesta terra, Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus. O seu nascimento foi e é um marco na história da humanidade. Depois da sua vinda ao mundo a História passou a ser dividida em antes de Cristo e depois dEle. É importante lembrar que quando Jesus veio ao mundo, à Palestina estava debaixo do jugo romano. César Augusto era o imperador e os imperadores romanos eram visto por todos como um deus. Porém, o Rei dos reis veio habitar entre nós. Ele nasceu em um lugar simples, em um estábulo. Seu berço não foi de ouro, mas foi uma simples manjedoura. Ele abriu mão de toda a sua glória para vir ao mundo salvar todos os perdidos e revelar-se aos piedosos e às minorias.


INTRODUÇÃO
Há inúmeros pontos da cristologia dignos de ocupar a mente e o coração de todos os seres humanos. O nosso espaço aqui é exíguo para um estudo completo. Temos de nos contentar com alguns pontos relevantes sobre a verdadeira identidade de Jesus. A provisão do Antigo Testamento sobre a obra redentora de Deus em Cristo é rica em detalhes. Os escritores do Novo Testamento reconhecem a presença e a obra de Cristo na história da redenção, nas suas instituições e festas. O nosso enfoque aqui é a verdadeira identidade Jesus.

 
PONTO CENTRAL: Cremos que Jesus é o Filho Unigênito de Deus, plenamente Deus e plenamente homem.

 
I. O FILHO UNIGÊNITO DE DEUS

1. O Filho de Deus.
O apóstolo João explica o motivo que o levou a escrever o seu evangelho com as seguintes palavras: “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31). Temos aqui dois pontos importantes. O primeiro é sobre a identidade de Jesus: Ele é o Cristo e o Filho de Deus; o outro é o motivo dessa revelação, a redenção de todo aquele que crê nessa verdade. É de toda importância saber o significado do título “Filho de Deus”. A profecia de Isaías anuncia: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu” (Is 9.6). Note que o menino nasceu, mas o Filho, segundo a palavra profética, não nasceu, mas “se nos deu”. O nascimento desse menino aconteceu em Belém, mas o Filho foi gerado desde a eternidade (Jo 17.5, 24), pois transcende a criação: “E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.17). É como disse Atanásio, em resposta aos arianistas, referindo-se à eternidade de Jesus: “o Pai não seria Pai se não existisse o Filho”.


2. Significado.
O significado do termo “filho” nas Escrituras é amplo, e uma das acepções diz respeito à mesma natureza do pai (Jo 14.8,9). Quando Jesus se declarou Filho de Deus, Ele estava reafirmado sua divindade, e os judeus entenderam perfeitamente a mensagem (Jo 5.17,18). O Mestre disse: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30). E, mais adiante, no mesmo debate com os judeus, Jesus esclareceu o que significa ser Filho de Deus: “àquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?” (Jo 10.36). Alegar que Jesus não é Deus, mas o Filho de Deus, como fazem alguns, é uma contradição.


3. Significado de “unigênito” (v.14b).
A etimologia do termo “unigênito”, monogenés, em grego, indica a deidade do Filho. Essa palavra só aparece nove vezes no Novo Testamento, sendo três em Lucas (7.12; 8.42; 9.38), uma em Hebreus (11.17) e as outras cinco em referência a Jesus nos escritos joaninos (Jo 1.14,18; 3.16,18; 1Jo 4.9). O vocábulo vem de monós, “único”, e de genés, que nos parece derivar de genós, “raça, tipo”, e não necessariamente do verbo gennao, “gerar”. Então, unigênito, quando empregado em relação a Jesus, transmite a ideia de consubstancialidade. É exatamente o que declara o Credo Niceno: “E [cremos] em um só Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, o Unigênito do Pai, que é da substância do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, não feito, de uma só substância com o Pai”.

 
SÍNTESE DO TÓPICO (I): Jesus Cristo é o Filho Unigênito de Deus.

 
SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Unigênito”

Monogenes é usado cinco vezes, todas nos escritos do apóstolo João, acerca de Jesus como o Filho de Deus; em Hebreus 11.17 é traduzido por ‘unigênito’, sobre a relação de Isaque com Abraão.
Com referência a Jesus, a frase ‘o Unigênito do Pai’ (Jo 1.14), indica que, como o Filho de Deus, Ele era o representante exclusivo do Ser e caráter daquele que o enviou. No original, o artigo definido está omitido tanto antes de ‘Unigênito’ quanto antes de ‘Pai’, e sua ausência em cada caso serve para enfatizar as características referidas nos termos usados. O objetivo do apóstolo João é demonstrar que tipo de glória ele e seus companheiros apóstolos tinham visto. Sabemos que ele não está fazendo somente uma comparação com as relações terrenas, pela indicação da preposição para, que significa ‘de proveniente de’. A glória era de uma relação única e a palavra ‘Unigênito’ não implica um começo de Sua filiação. Sugere, de fato, a relação, mas esta deve ser distinguida da geração conforme é aplicada aos homens.
Podemos apenas entender corretamente o termo ‘unigênito’ quando usados para se referir ao Filho, no sentido de relação não originada. A geração não é um evento no tempo, embora distante, mas um fato independente do tempo. O Cristo não se tornou, mas necessariamente é o Filho. Ele, uma Pessoa, possui todos os atributos da deidade pura. Isto torna necessária a eternidade, o ser absoluto; sobre este aspecto Ele não é ‘depois’ do Pai (Dicionário Vine: O significado exegético e expositivo das palavras do Antigo e do Novo Testamento. 14ª Edição. RJ: CPAD, 2011, p.1045).

 
II. A DEIDADE DO FILHO DE DEUS

1. O Verbo de Deus (Jo 1.1).
O “Verbo” é a Palavra, do grego Logos. O termo “Deus” aparece duas vezes nessa passagem, uma delas em referência ao Pai: “e o Verbo estava com Deus”. Aqui temos uma indicação do relacionamento intratrinitariano, ou seja, entre a Trindade, antes mesmo da fundação do mundo. A preposição grega pros usada para “com” nessa segunda cláusula, diz respeito ao plano de igualdade e intimidade, face a face, além de mostrar a distinção entre o Pai e o Filho, um golpe mortal contra o sabelianismo. A segunda referência, “e o Verbo era Deus”, aponta para o Filho. Não se trata de acréscimo de mais um Deus aqui, posto que ao apóstolo fosse revelado, pelo Espírito Santo, que o Verbo divino está incluído na essência una e indivisível da Deidade, embora seja Ele distinto do Pai (Jo 8.17,18; 2Jo 3). Da mesma forma, o apóstolo Paulo transmitiu essa verdade, ao dizer que “para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele” (1Co 8.6). Trata-se do monoteísmo cristão.


2. Reações à divindade de Jesus.
É digno de nota que os apóstolos João e Paulo, como os demais, eram judeus e foram criados num contexto monoteístico. Portanto, não admitiam em hipótese alguma outra divindade, senão só, e somente só, o Deus Javé de Israel (Mc 12.28-30). Observemos que, a cada fala do Senhor Jesus a respeito de sua divindade, de sua igualdade com o Pai, o próprio apóstolo João registra a reação dos judeus como protesto (Jo 5.18; 8.58,59; 10.30-33). Mesmo assim, esses apóstolos não hesitaram em declarar, com ousadia e abertamente, a deidade absoluta de Jesus (Jo 20.28; Rm 9.5; Cl 2.9; Tt 2.13; 1Jo 5.20).


3. O relacionamento entre o Pai e o Filho.
Os pais da Igreja perceberam também que, além das construções tripartidas, do relacionamento intratrinitariano e histórico-salvífico revelado nas Escrituras Sagradas, havia ainda as construções bipartidas que identificam a mesma deidade no Pai e no Filho. O Pai e o Filho aparecem no mesmo nível de divindade (Gl 1.1; 1Tm 6.13; 2Tm 4.1). Essas expressões bipartidas provam que o Pai e o Filho são o mesmo Deus, possuindo a mesma substância, mas são diferentes na forma e na função, não em poder e majestade. Veja o seguinte exemplo: “Graça e paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (Rm 1.7). Os primeiros cristãos não precisavam de explicações adicionais para compreender a divindade de Jesus em declarações como essas (2Pe 1.1).

 
SÍNTESE DO TÓPICO (II): Cremos na deidade do Filho de Deus

 
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
A deidade de Cristo inclui sua coexistência no tempo e na eternidade, com o Pai e o Espírito Santo. Conforme indica o prólogo de João, o Verbo é eternamente preexistente. O uso do termo ‘Verbo’ (no grego, Logos) é significativo, visto que Jesus Cristo é a principal expressão da vontade divina. Ele não é somente o único Mediador entre Deus e a humanidade (1Tm 2.5), mas foi também o Mediador na criação. Deus, falando, trouxe o Universo à existência, através do Filho, a Palavra Viva. Porquanto, ‘sem ele nada do que foi feito [na criação] se fez’ (Jo 1.3). Colossenses 1.15 diz que Cristo é a ‘imagem do Deus invisível’. E a passagem de Hebreus 1.1,2 também proclama a grande verdade: Cristo é a mais completa e melhor revelação de Deus à humanidade. Desde o começo, o Verbo foi a própria expressão de Deus, e continua a demonstrá-lo. E então, ‘vindo a plenitude dos tempos’ (Gl 4.4), o ‘Verbo se fez carne e habitou entre nós...’ (Jo 1.14).
Antes de manifestar-se à humanidade dessa nova maneira, o Verbo esteve eternamente em existência como aquEle que revela a Deus. É bem provável que as teofanias do Antigo Testamento fossem, na realidade, ‘cristofanias’, visto que em seu estado preexistente, os encontros com várias pessoas, pode revelar a vontade de Deus, estaria de pleno acordo com seu ofício de Revelador (MENZIES, William; HORTON, Stanley M. Doutrinas Bíblicas: Os fundamentos da nossa fé. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2010, p.50).

 
CONHEÇA MAIS

Sabelianismo e unigênito
Heresia pregada por Sabélio, no III século, cuja principal tônica era a negação da Santíssima Trindade.
Título que descreve a filiação singular é única de Jesus em relação a Deus-Pai”. Para conhecer mais, leia Dicionário Teológico, CPAD, pp.282,324.

 

III. A HUMANIDADE DO FILHO DE DEUS

1. “E o Verbo se fez carne” (Jo 1.14a).
O prólogo do Evangelho de João começa com a divindade de Jesus e conclui com a sua humanidade. O Senhor Jesus Cristo é o verdadeiro Deus e o verdadeiro homem. A sua divindade está presente na Bíblia inteira, de maneira direta e indireta, nos ensinos e nas obras de Jesus, com tal abundância de detalhes que infelizmente não é possível mencioná-los aqui por absoluta falta de espaço. A encarnação do Verbo significa que Deus assumiu a forma humana. A concepção e o nascimento virginal de Jesus (Is 7.14; Mt 1.123) são obra do Espírito Santo (Mt 1.20; Lc 1.35). Tal encarnação do Verbo é um mistério (1Tm 3.16).


2. Características humanas.
Assim como as Escrituras revelam a deidade absoluta de Jesus, da mesma forma elas ensinam que Ele é plenamente homem: “Jesus Cristo, homem” (1Tm 2.5). Há abundantes e incontestáveis provas de sua humanidade, ou seja, de que Ele nasceu, cresceu e viveu entre nós. Seu nascimento é contado com detalhes nos dois primeiros capítulos de Mateus e de Lucas. Ele cresceu em estatura física e intelectual (Lc 2.52); e sentiu fome, sede, sono e cansaço (Mt 4.2; 8.24; Jo 4.6; 19.28).


3. Necessidade da encarnação do Verbo.
Jesus foi revestido do corpo humano porque o pecado entrou na humanidade por meio do casal Adão e Eva, seres humanos, e pela justiça de Deus o pecado tinha de ser vencido também por um ser humano (Rm 5.12,17-19). Jesus se fez carne. Fez-se homem sujeito ao pecado, embora nunca houvesse pecado, e venceu o pecado como homem (Rm 8.3). A Bíblia mostra que todo o gênero humano está condenado; que o homem está perdido e debaixo da maldição do pecado (Sl 14.2,3; Rm 3.23). Todos são devedores, por isso, ninguém pode pagar a dívida do outro. A Bíblia afirma que somente Deus pode salvar (Is 43.11). Então, esse mesmo Deus tornou-se homem, trazendo-nos o perdão de nossos pecados e cumprindo Ele mesmo a lei que promulgara (At 4.12; 1Tm 3.16; Cl 2.14).

 
SÍNTESE DO TÓPICO (III): Cremos na humanidade do Filho de Deus.

 
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
Jesus Cristo não somente era pleno Deus, como pleno ser humano. Ele não era em parte Deus e em parte homem. Antes, era cem por cento Deus, e, ao mesmo tempo, cem por cento homem. Em outras palavras, Ele exibia um conjunto pleno tanto de qualidades divinas quanto de qualidades humanas, numa mesma Pessoa, de tal modo que essas qualidades não interferiram uma com a outra. Ele há de retornar como ‘esse mesmo Jesus’ (At 1.11). Numerosas passagens ensinam claramente que Jesus de Nazaré tinha um corpo verdadeiramente humano e uma alma racional. Eram características de seres humanos não-caídos (isto é, Adão e Eva), que nEle podiam ser encontradas. Ele foi, verdadeiramente, o Segundo Adão (1Co 15.45,47). As narrativas dos evangelhos aceitam automaticamente a humanidade de Cristo. Ele é descrito como um bebê, na manjedoura, e sujeito às leis humanas do crescimento. Ele aprendeu, sentia fome, sentia sede e se cansava (Mc 2.15; Jo 4.6). Ele também sofreu ansiedade e desapontamentos (Mc 9.19); sofreu dor física e mental, e sucumbiu diante da morte (Mc 14.33,37). Na epístola aos Hebreus há grande cuidado em se mostrar sua plena identificação com a humanidade (2.9,17; 4.15; 5.7,8 e 12.2).
A verdade, pois, é que na pessoa única do Senhor Jesus Cristo habitam uma natureza plenamente divina e outra plenamente humana, sem se confundirem. Ele é, verdadeiramente, pleno Deus e pleno ser humano, Céu e Terra juntos na mais admirável de todas as pessoas (MENZIES, William; HORTON, Stanley M. Doutrinas Bíblicas: Os fundamentos da nossa fé. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2010, p.51).

 
CONCLUSÃO
O Senhor Jesus Cristo é a mais controvertida de todas as personagens da História porque é o único que é o verdadeiro Deus e o verdadeiro homem, e a sua verdadeira identidade só é possível pela revelação (Mt 16.17; 1Co 12.3). Isso revela a sua divindade.

 
PARA REFLETIR

A respeito do Senhor e Salvador Jesus Cristo, responda:

 
Que ideia transmite o termo “unigênito” em relação a Jesus?
Resp: A etimologia do termo “unigênito”, monogenés, em grego, indica a deidade do Filho. Unigênito, quando empregado em relação a Jesus, transmite a ideia de consubstancialidade.

 

2° O que representa para o sabelianismo, “e o Verbo estava com Deus”?
Resp: Significa um golpe mortal, pois “o Verbo estava com Deus” é uma indicação do relacionamento intratrinitariano, ou seja, entre a Trindade, antes mesmo da fundação do mundo.

 

3° O que identificam as construções bipartidas no Novo Testamento?
Resp: As construções bipartidas identificam a mesma deidade no Pai e no Filho. O Pai e o Filho aparecem no mesmo nível de divindade. Essas expressões bipartidas provam que o Pai e o Filho são o mesmo Deus, possuindo a mesma substância, mas são diferentes na forma e na função, não em poder e majestade.

 

4° Como começa e termina o prólogo do evangelho de João?
Resp: O prólogo do Evangelho de João começa com a divindade de Jesus e conclui com a sua humanidade.

 

5° Por que o Senhor Jesus é a personagem mais controvertida da História?
Resp: O Senhor Jesus Cristo é a mais controvertida de todas as personagens da História porque é o único que é o verdadeiro Deus e o verdadeiro homem, e a sua verdadeira identidade só é possível pela revelação.

 

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

 

O Senhor e Salvador Jesus Cristo

Jesus de Nazaré é a pessoa mais importante que existiu no mundo. Ele veio em forma de uma criança, cresceu na graça e no conhecimento, diante de Deus e dos homens. Jesus iniciou o seu ministério com doze discípulos, pregando o Reino de Deus por toda a Antiga Palestina. É impossível alguém ficar indiferente em relação ao seu ministério. Se os nossos alunos o conhecerem como descrevem as Escrituras, “rios de águas vivas fluirão do seu interior”.
 

Jesus chamado “Cristo”
Jesus (que quer dizer “o salvador”) é o “Messias” de Israel, isto é, o ungido de Deus Pai para redimir o povo de Israel e o “Cristo” para redimir o mundo: “Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo” (At 2.36). Jesus Cristo é o evento anunciado por João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Nele, a condenação eterna é apagada, as prisões psicológicas e emocionais são abertas. Nossa natureza humana pecaminosa, egoísta e perversa é completamente transformada.

 
O “Logos”
O Evangelho afirma que só há verdadeira vida por intermédio do verbo vivo de Deus: Jesus Cristo, a vida eterna que pulsa de Deus para nós. É vida verdadeira que dá conta de todas as interrogações, questionamentos e dúvidas humanas. Mas o mundo não compreendeu o significado dessa vida, desse verbo e desse sentido último (Jo 1.5).
Para descrever esse evento extraordinário o apóstolo João usou um termo bem peculiar em o Novo Testamento, Logos, que quer dizer “verbo” ou “palavra”. O apóstolo escreveu assim o primeiro versículo no seu Evangelho: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1). Esse versículo descreve Jesus como o início de todas as coisas e o significado último da vida: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens” (Jo 1.3,4). Segundo o Evangelho, só há verdadeira vida por intermédio do verbo vivo de Deus: Jesus Cristo, a vida que pulsa de Deus para nós. Só ele quem pode doar vida verdadeira. Só Ele quem dá conta de todas as interrogações, questionamentos e dúvidas humanas. Mas o mundo não compreendeu o significado dessa vida, desse verbo e desse sentido último (Jo 1.5). Mas para nós, os que cremos, o servo Jesus é Senhor e Cristo. Sejamos servos disponíveis no serviço, olhando sempre para o autor e consumador da nossa fé.




quinta-feira, 13 de julho de 2017

Lição 3 CPAD - 3° Trimestre 2017


LIÇÕES BÍBLICAS CPAD / ADULTOS

Título: A razão da nossa fé — Assim cremos, assim vivemos

Comentarista: Esequias Soares


 

TEXTO ÁUREO: Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19).

 
VERDADE PRÁTICA: Cremos em um só Deus, eternamente subsistente em três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo iguais em substância, glória, poder e majestade.

 
OBJETIVO GERAL: Saber que cremos em um só Deus, eternamente subsistente em três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I. Explicar as construções bíblicas trinitárias;

II. Mostrar que Deus é trino e único;

III. Conhecer algumas crenças inadequadas a respeito da Trindade;

IV. Apresentar algumas respostas às objeções acerca da Trindade.
 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Na lição de hoje estudaremos a respeito de uma das mais importantes e cruciais doutrinas do pensamento cristão, a Trindade. Não cremos na existência de três deuses, mas em um só que subsistente em três pessoas distintas, eternas e que criaram todas as coisas. É importante que você procure, no decorrer da lição, enfatizar que embora não conste na Bíblia a palavra Trindade, vamos encontrar tanto no Antigo Testamento quanto no Novo, evidências desta relevante doutrina. Veremos na lição como o conceito de Trindade foi formulado. Segundo Stanley Horton, “historicamente, a Igreja formulou a doutrina da Trindade em razão do grande debate a respeito do relacionamento entre Jesus de Nazaré e o Pai”.
Que o Deus Trino e Uno abençoe sua aula e seus alunos de modo que eles possam compreender e confessar ao mundo a fé em um só Deus, existente em si mesmo como Pai, Filho e Espírito Santo.
 

INTRODUÇÃO
A doutrina da Trindade é a verdade mais crucial do pensamento cristão, mas como conciliar o monoteísmo revelado no Antigo Testamento com a divindade de cada pessoa da Trindade? Esse é o enfoque da presente lição.

 
PONTO CENTRAL: Cremos em um só Deus, eternamente subsistente em três pessoas.

 
I. CONSTRUÇÕES BÍBLICAS TRINITÁRIAS

1. A unidade na Trindade (1Co 12.4-6).
Uma leitura superficial dessa passagem pode levar alguém a argumentar que o texto não diz que cada uma dessas pessoas é Deus, como costumam fazer determinados grupos tidos como cristãos. O apóstolo Paulo se refere à Trindade usando outra linguagem. Ele afirma a unidade de Deus, uma só essência e substância, em diversidade de manifestações de cada Pessoa distinta. E declara que o Espírito é o mesmo, o Senhor é o mesmo e o Deus Pai é o mesmo. É a unidade na diversidade.


2. A bênção apostólica (2Co 13.13).
Há aqui certo paralelismo com a bênção sacerdotal (Nm 6.24-26). Essa saudação final não é comum nas epístolas paulinas. Não parece haver aqui intenção de explicar a doutrina da Trindade. Trata-se do pronunciamento habitual do ministro de culto ao despedir os fiéis no fim das reuniões nas primeiras décadas da história da Igreja. Se isso puder ser confirmado, significa que os cristãos já estavam conscientes dessa realidade divina desde muito cedo na vida da Igreja. A fonte da graça do Senhor Jesus é o amor de Deus no Espírito Santo. É uma saudação trinitária.


3. O Deus trino e uno revelado (Ef 4.4-6).
Temos aqui a diversidade de operações e funções na unidade de Deus. É Deus quem nos chama por meio do Espírito Santo. Jesus é o nosso Senhor, a fonte de nossa fé e esperança. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são iguais em poder, glória e majestade, que subsistem desde a eternidade em uma só substância indivisível, mas manifestos na história salvífica em formas pessoais e funções distintas (1Pe 1.2).

 
SÍNTESE DO TÓPICO (I): Na Bíblia encontramos algumas construções trinitárias.

 
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
O conceito do Deus Trino e Uno acha-se somente na tradição judaico-cristã. Esse conceito não surgiu mediante a especulação dos sábios deste mundo, mas através da revelação outorgada passo a passo na Palavra de Deus. Em todos os escritos dos apóstolos, a Trindade é implícita e tomada como certa (Ef 1.1-14; 1Pe 1.2). Fica claro que o Pai, o Filho e o Espírito Santo, existem eternamente como três Pessoas distintas, mas as Escrituras também revelam a unidade dos três membros da Deidade.
As Pessoas da Trindade têm vontades separadas, porém nunca conflitantes (Lc 22.42; 1Co 12.11). O Pai fala ao Filho, empregando o pronome da segunda pessoa do singular: ‘Tu és meu Filho amado; em ti me tenho comprazido’ (Hb 9.14). Declara que veio ‘não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou’ (Jo 6.38) (HORTON, Stanley. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1996, pp.162-3).

 
II. O DEUS TRINO E UNO

1. Uma questão crucial.
A Bíblia mostra com clareza meridiana a divindade do Filho: “e o Verbo era Deus” (Jo 1.1). Trata-se de uma divindade plena e absoluta: “porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9). As Escrituras afirmam também que o Espírito Santo é Deus: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Co 3.16); e é também Senhor: “Ora, o SENHOR é o Espírito” (2Co 3.17 — ARA). Como conciliar essa verdade com o monoteísmo ratificado pelo próprio Senhor Jesus? (Mc 12.29,30). Tal não se trata de triteísmo, isto é, “três deuses”, pois existe um só Deus e Deus é um só (1Co 8.6; Gl 3.20). A única explicação é a Trindade.


2. A Trindade.
A Trindade está presente na Bíblia desde o Antigo Testamento (Gn 1.26; 3.22; Is 6.8). O Senhor Jesus apresenta o Pai e o Espírito Santo num tipo de relacionamento “eu, tu ele” (Jo 16.7-16). Antes de sua ascensão ao céu, Jesus mandou que os discípulos batizassem “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Essa é a passagem bíblica mais contundente em favor da Trindade. Temos aqui um conceito trinitário muito claro e vívido. Trata-se de um resumo da realidade divina ensinada durante seu ministério acerca de si mesmo e do Pai (Mt 11.27) e do Espírito Santo (Mt 12.28). A Igreja, desde a antiguidade, resume essas passagens bíblicas na fé em um só Deus que subsiste eternamente em três pessoas distintas.

 
SÍNTESE DO TÓPICO (II): Cremos em um Deus trino e uno.

 
SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Trindade”
[Do grego trias; do latim trinitatem, grupo de três pessoas] Doutrina segundo a qual a Divindade, embora uma em sua essência subsista nas Pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo. As Três Pessoas são iguais nas substâncias e nos atributos absolutos, metafísicos e morais.
Apesar de o termo não se encontrar nas Sagradas Escrituras, as evidências que atestam a doutrina são, tanto no Antigo, como no Novo Testamento, incontestáveis.
A palavra Trindade foi usada pela primeira vez, em sua forma grega, por Teófilo; e, em sua forma latina, por Tertuliano.
O Credo Atanasiano assim se expressa acerca da doutrina da Santíssima Trindade: ‘Adoramos um Deus em trindade, e a trindade em unidade, sem confundir as pessoas, sem separar a substância (ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 8ª Edição. RJ: CPAD, 1999, p.279).

 
CONHEÇA MAIS

Trindade
“[Do gr. trias, três; do lat. trinitatem, grupo de três pessoas] Doutrina bíblica segundo a qual a divindade, embora uma em sua essência subsista nas Pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Para conhecer mais, leia Dicionário Teológico, CPAD, p.349.

 

III. AS CRENÇAS INADEQUADAS

1. Os monarquianistas dinâmicos.
Trata-se de um movimento que surgiu após a metade do segundo século em torno do monoteísmo cristão. Tertuliano, um dos líderes cristãos daquela geração, polemizou com eles, chamando-os de monarquianistas (do grego, monarchia, “governo exercido por um único soberano”). Eles ensinavam que Jesus recebeu a dynamis, “poder”, em grego, por ocasião do seu batismo no rio Jordão; outros afirmavam que Jesus se tornou divino por ocasião de sua ressurreição. Todas as ideias do movimento negavam a deidade absoluta de Jesus e contrariavam a crença desde a Era Apostólica, que considerava Jesus “o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1Jo 5.20). Eles são os ancestrais do arianismo.


2. Os monarquianistas modalistas.
Esses são assim identificados porque ensinavam que Deus aparece de modos diferentes. Para eles, Deus aparece com a máscara de Pai na obra criadora, com a máscara de Filho no seu nascimento e na ascensão, e a partir daí aparece com a máscara de Espírito Santo. Pai, Filho e Espírito Santo não são três pessoas, mas três faces, semblantes ou máscaras. É a doutrina unicista que nega a Trindade. Trata-se de um erro teológico crasso, pois a Bíblia é clara na distinção dessas pessoas (Mt 3.16,17; Jo 8.17,18; 2Jo 3). O bispo Sabélio foi o principal expoente dessa doutrina, por isso ela é conhecida como sabelianismo. Seus herdeiros espirituais ainda estão por aí. O resumo teológico deles é o seguinte: Deus é Jesus; no entanto, a Bíblia ensina que Jesus é Deus.


3. O arianismo.
É o nome da doutrina formulada por Ário e do movimento que ele fundou em Alexandria, Egito, no ano 318. Sua doutrina contrariava a crença ortodoxa seguida pelas igrejas desde o período apostólico. Ário ensinava que o Senhor Jesus não era da mesma substância do Pai; era criatura, criado do nada, uma classe divina de natureza inferior, nem divina nem humana, uma terceira classe entre a deidade e a humanidade. A palavra de ordem de seus seguidores era: “Houve tempo em que o Verbo não existia”. Mas o ensino bíblico sustentado pelas igrejas desde o princípio afirma que o Filho é eterno (Is 9.6), pois transcende a criação: “E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.17).

 
SÍNTESE DO TÓPICO (III): Os monarquianistas dinâmicos, os modalistas e o arianismo propagam crenças inadequadas a respeito da Trindade.

 
SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Arianismo”
Heresia fermentada por um presbítero do 4º século chamado Ário. Negando a divindade de Cristo, ensinava ele ser Jesus o mais elevado dos seres criados. Todavia, não era Deus. Por este motivo, seria impropriedade referir-se a Cristo como se fora um ente divino.
Para fundamentar seus devaneios doutrinários, buscava desautorizar o Evangelho de João por ser o propósito desta Escritura, justamente, mostrar que Jesus Cristo era, de fato, o Filho de Deus. Os ensinos de Ário foram condenados no Concílio de Niceia em 325 (ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 8ª Edição. RJ: CPAD, 1999, p.52).

 

IV. RESPOSTA ÀS OBJEÇÕES ACERCA DA TRINDADE

1. Esclarecimento.
Os unicistas modernos pregam que a doutrina da Trindade é uma invenção do Concílio de Niceia, por ordem de um imperador romano pagão. Mas esses movimentos estão equivocados, pois mais de cem anos antes Tertuliano já havia formulado a doutrina da Trindade. Além disso, o tema do referido Concílio, o Filho, reafirma a deidade de Jesus e a sua consubstancialidade com o Pai. O Credo não traz informação alguma sobre o Espírito Santo. O documento aprovado em Niceia tornou-se ponto de partida, ao invés de ponto de chegada. A controvérsia prosseguiu por duas razões principais: a volta do arianismo e a indefinição sobre o Espírito Santo.


2. A definição de Tertuliano.
Ele foi o neologista da Igreja que criou o termo “Trindade”, na seguinte declaração: “Todos são um, por unidade de substância, embora ainda esteja oculto o mistério da dispensação que distribui a unidade numa Trindade, colocando em sua ordem os três, Pai, Filho e Espírito Santo; três, contudo, não em essência, mas em grau; não em substância, mas em forma; não em poder, mas em aparência; pois eles são de uma só substância e de uma só essência e de um poder só, já que é de um só Deus que esses graus e formas e aspectos são reconhecidos com o nome de Pai, Filho e Espírito Santo” (Contra Práxeas, II). Um só Deus, portanto, a essência, a substância e o poder são um só; mas a diferença está no grau, na forma e na aparência que chamamos de “pessoas” (Mt 28.19).


3. Formulação definitiva da Trindade.
Isso só aconteceu no Concílio de Constantinopla em 381, com base nos trabalhos de Atanásio que combateram os arianistas e também os grupos contrários à doutrina do Espírito Santo, como os pneumatomacianos e os tropicianos; e com base nas obras dos chamados pais capadócios: Basílio de Cesareia, Gregório de Nissa e Gregório de Nazianzo. O Credo Niceno-Constantinopolitano reafirma o Credo de Niceia e define a divindade do Espírito Santo, estabelecendo de uma vez por todas a doutrina da Santíssima Trindade.

 
SÍNTESE DO TÓPICO (IV):  A Bíblia Sagrada encontramos as respostas às objeções acerca da Trindade.
 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Concílio de Niceia e de Constantinopla”
Primeiro concílio ecumênico da história. Convocado pelo imperador Constantino, em 325, teve como objetivo solucionar os problemas que dividiam a cristandade. Problemas esses causados pelo arianismo. Buscando reafirmar a unidade da Igreja, os participantes do concílio redigiram uma confissão teológica, confirmando a ortodoxia doutrinária do Cristianismo.
Em 381, reuniram-se em Constantinopla 150 bispos, a pedido do imperador Teodócio I, com o objetivo de confirmar a unidade da igreja no Oriente. Terminado os trabalhos, aquele segmento da cristandade livrava-se de mais de meio século de domínio ariano (ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 8ª Edição. RJ: CPAD, 1999, pp.88,89).

 
CONCLUSÃO
Diante do exposto, está claro que a doutrina da Trindade é bíblica e está presente desde o Gênesis até o Apocalipse.

 

PARA REFLETIR
A respeito da Santíssima Trindade: Um só Deus em três pessoas, responda:

 

1° Qual a passagem bíblica mais contundente em favor da Trindade?
Resp: Mateus 28.19.

 

2° O que significa ser “unicista”?
Resp: Significa crer na doutrina unicista que nega a doutrina da Trindade.

 

3° O que é arianismo?
Resp: É a doutrina formulada por Ário e o movimento que ele fundou em Alexandria, Egito. Ário ensinava que o Senhor Jesus não era da mesma substância do Pai.

 

4° Quem criou o termo Trindade no mundo Ocidental?
Resp: Tertuliano.

 

5° Quando e onde a formulação trinitária se definiu?
Resp: A formulação trinitária só aconteceu no Concílio de Constantinopla em 381.

 

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO


A Santíssim Trindade: Um só Deus em três Pessoas
Os maiores equívocos em relação à doutrina da Trindade se dão quando se relativiza a natureza da relação trinitária, pois “as distinções entre os membros da Deidade não se referem à sua essência ou substância, mas ao relacionamento. Noutras palavras: a ordem de existência na Trindade, no tocante ao ser essencial de Deus, está espelhada na Trindade salvífica. ‘São, portanto, três, não na posição, mas no grau; não na substância, mas na forma; não no poder, mas na sua manifestação’” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. CPAD, p.177). Dessa forma a Santíssima Trindade se manifesta em perfeita comunhão ao longo de todo o plano de salvação provido por Deus.

 
Uma natureza amorosa
Deus é amor! Devemos destacar que o Pai provou o seu amor pelo mundo quando enviou o seu Filho em nosso lugar (Jo 3.16). O Filho provou o seu amor por nós quando, espontaneamente, obedeceu ao Pai e doou-se para a humanidade, morrendo em nosso lugar para nos redimir, regenerar, justificar e salvar (Rm 8.1-11). O Espírito Santo prova o seu amor por nós quando convenceu-nos do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.7-11). A Santíssima Trindade opera amorosamente em nossa vida.

 
Uma natureza servidora
Concomitantemente a pessoa do Espírito Santo, é necessário destacar tam bém que a natureza do ministério de Jesus Cristo é servidora: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração, a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, há anunciar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18,19). O Deus Trino trabalha de maneira servidora em favor das pessoas. Não podemos jamais esquecer esse aspecto de serviço pelo qual aprendemos com a operação das pessoas da trindade em nossa vida.

 
Uma natureza de comunhão
Logo, a Santíssima Trindade é por natureza comunitária porque as pessoas trinitárias não vivem separadamente, pois são inseparáveis, indivisíveis. O Pai, o Filho e o Espírito Santo vivem em profunda comunhão. Por isso, somos encorajados a vivermos uma comunhão verdadeira com os nossos irmãos, a ajudar o outro, a chorar com o outro, a cantar com o outro, orar com e pelo outro. Portanto, como partes dessa comunidade de santos, a Igreja de Deus, são chamadas a expressar essa comunhão trinitária e multiforme no mundo.