quarta-feira, 16 de julho de 2014

Lição 3 CPAD - 3° Trimestre 2014



A Importância da Sabedoria Humilde
20 de Julho de 2014

TEXTO ÁUREO: “Não desampares a sabedoria, e ela te guardará; ama-a e ela te conservará” (Pv 4.6).
 

 
VERDADE PRÁTICA: A sabedoria que procede de Deus é humilde, por isso, equilibra o crente em todas as circunstâncias da vida.

 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Tiago 1.5; 3.13-18.


 
Tiago 1
5 - E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada.

 
Tiago 3
13 - Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre, pelo seu bom trato, as suas obras em mansidão de sabedoria.
14 - Mas, se tendes amarga inveja e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade.
15 - Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica.
16 - Porque, onde há inveja e espírito faccioso, aí há perturbação e toda obra perversa.
17 - Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois, pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia.
18 - Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz.

 
INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos os ensinamentos da Palavra de Deus acerca da importância da sabedoria divina para o nosso viver diário. Tiago inicia a temática em tom de exortação, enfatizando a necessidade da sabedoria divina como condição básica de levar a igreja a viver a Palavra de Deus com alegria, coerência, segurança e responsabilidade. E isso tudo sem precisar fugir das tribulações ou negar que o crente passa por problemas. A nossa expectativa é que você abrace o estilo de vida proposto pelo Santo Espírito nesta carta. Não fugindo da realidade da vida, mas enfrentando-a com sabedoria do alto e na força do Espírito Santo.

 
I. A NECESSIDADE DE PEDIRMOS SABEDORIA A DEUS (Tg 1.5)


1. A sabedoria que vem de Deus.
Tiago fala da sabedoria que vem do alto para distingui-la da humana, de origem má (Tg 3.13-17). Irrefutavelmente, a sabedoria que vem de Deus é o meio pelo qual o homem alcança o discernimento da boa, agradável e perfeita vontade divina (Pv 2.10-19; 3.1-8,13-15; 9.1-6; Rm 12.1,2). Sem esta sabedoria, o ser humano vive à mercê de suas próprias iniciativas, dominado por suas emoções, sujeitando-se aos mais drásticos efeitos das suas reações. Enfim, a Palavra de Deus nos orienta a vivermos com prudência. Todavia, quando nos achamos em meio às aflições é possível que nos falte sabedoria. Por isso, o texto de Tiago revela ainda a necessidade de o crente desenvolver-se, adquirindo maturidade espiritual.

 
2. Deus é o doador da sabedoria.
O texto bíblico não detalha a maneira pela qual Deus concede sabedoria. Tiago apenas afirma que o Altíssimo a dá. Juntamente com a súplica pela sabedoria que fazemos ao Pai em oração, a epístola fornece riquíssimos ensinamentos (v.5):
a) O Senhor é que dá sabedoria. Jesus ensina que o Pai atende às orações daqueles que o pedirem (Mt 7.7,8).
b) O Senhor dá todas as coisas. Neste sentido, dizem as Sagradas Escrituras: “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós, como nos não dará também com Ele todas as coisas?” (Rm 8.32 cf. Jó 2.10).
c) O Senhor dá a todos os homens. Ele não faz acepção de pessoas (At 10.34; Rm 2.11; Ef 6.9; Tg 2.1,9).
d) O Senhor dá liberalmente. É de graça! Nosso Deus não vende bênçãos apesar de pessoas, em seu nome, “comercializá-las”.
e) O Senhor dá sem lançar em rosto. A expressão é sinônima do adágio popular “jogar na cara”. O Pai Celeste não age dessa forma.

 
3. Peça a Deus sabedoria.
Ainda no versículo cinco, Tiago estimula-nos a fazermos as seguintes perguntas: Falta-nos sabedoria espiritual? Sentimental? Emocional? Nos relacionamentos? Caso ache em si falta de sabedoria em alguma área, não desanime! Peça-a a Deus, pois é Ele quem dá liberalmente. E mais: não lança em rosto! Ouça as Escrituras e ponha em prática este ensinamento. Fazendo assim, terás sabedoria do alto.

 
II. A DEMONSTRAÇÃO PRÁTICA DA SABEDORIA HUMILDE (Tg 3.13)


1. A sabedoria colocada em prática.
Tiago conclama os servos de Deus, mais notadamente aqueles que exercem alguma liderança na igreja local, a demonstrarem sabedoria divina através de ações concretas (Dt 1.13,15; 4.6; Dn 5.12). A sabedoria é a virtude que devemos buscar e cultivar em nossos relacionamentos neste mundo (Mt 5.13-16). O tempo do verbo “mostrar”, utilizado por Tiago em 3.13, indica uma ação contínua em torno da finalidade ou do resultado de uma obra. Desta maneira, a Bíblia está determinando uma atuação cristã que promova as boas obras no relacionamento humano.

 
2. A humildade como prática cristã.
Instruída pela Palavra de Deus, a humildade cristã promove as boas obras na vida do crente (Tg 1.17-20; cf. Mt 11.29; 5.5). Quem é portador dessa humildade revela a verdadeira sabedoria, produzindo para si alegria e edificação (Mt 5.16). A fim de redundar em honra e glória ao nome do Senhor Jesus, a humildade deve ser uma virtude contínua. Isso a torna igualmente uma porta fechada para o crente não retornar às velhas práticas. O homem natural, dominado pelo pecado, não tem o temor de Deus nem o compromisso de viver para a honra e glória dEle. Porém, o que nasceu de novo e, portanto, “ressuscitou com Cristo”, busca ajuda do alto para viver em plena comunhão e humildade com o seu semelhante (Cl 3.1-17).

 
3. Obras em mansidão de sabedoria.
Vivemos em um tempo onde as pessoas se aborrecem por pouca coisa, onde tudo é motivo para desejar o mal ao outro. Vemos descontrole no trânsito, o destempero na fila, a pouca cordialidade com o colega de trabalho e coisas afins. Parece que as pessoas não convivem espontaneamente com as outras. Apenas se toleram! Nesse contexto, o ensino de Tiago é de sobremodo relevante: “Mostre, pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria” (v.13). Amor, cordialidade e solidariedade são valores éticos absolutos reclamados no Evangelho. Ouçamos a sua voz!

 
III. O VALOR DA VERDADEIRA SABEDORIA E A ARROGÂNCIA DO SABER CONTENCIOSO (Tg 3.14-18)


1. Administrando a sabedoria.
A sabedoria mencionada por Tiago assinala a vontade de Deus para a vida do crente. Uma vez dada por Deus, tal sabedoria constitui-se parte da natureza do crente. É resultado do novo caráter lapidado pelo Espírito Santo. É um novo pensar, um novo sentir, um novo agir. Deus dá ao homem essa sabedoria para que ele administre as bênçãos, os dons e todas as esferas de relacionamentos da vida humana. Quando Jesus de Nazaré expressou “assim brilhe a vossa luz diante dos homens” (Mt 5.16), Ele estava refletindo sobre o propósito divino de o crente viver a inteireza do Reino de Deus diante dos homens.

 
2. Sabedoria verdadeira e a arrogância do saber.
Há pessoas orgulhosas que, por se julgarem sábias, não admitem serem aconselhadas ou advertidas. Sobre tais pessoas as Escrituras são claras (Jr 9.23). Entre os filhos de Deus não há uma pessoa que seja tão sábia que possa abrir mão da necessidade de aconselhar-se com alguém. O livro de Provérbios descreve que há sabedoria e segurança na multidão de conselheiros, pois do contrário: o povo perece (11.14). O rei Salomão orou a Deus pedindo-lhe sabedoria para entrar e sair perante o povo judeu (2Cr 1.10). Disto podemos concluir que lidar com o povo sem depender dos sábios conselhos de Deus é um pedantismo trágico para a saúde espiritual da igreja. Portanto, leve em conta a sabedoria divina! É um bem indispensável para os filhos de Deus. Para quem sente falta de sabedoria, Tiago continua a aconselhar: “peça-a a Deus”.

 
3. Atitudes a serem evitadas.
“Onde há inveja e espírito faccioso, aí há perturbação e toda obra perversa” (v.16). Aqui o autor da epístola descreve o resultado de uma “sabedoria” soberba e terrena. Classificando tal sabedoria, Tiago utiliza dois termos fortíssimos, afirmando que ela é “animal” e “diabólica”. Animal, porque é acompanhada por emoções oriundas de um instinto natural, primitivo, irracional e carnal, sendo por isso destituída de qualquer preocupação espiritual. Diabólica, porque o nosso adversário inspira pessoas a transbordarem desejos que em nada se assemelham aos que são oriundos do fruto do Espírito, antes, são sentimentos egoísticos, que se identificam com as obras da carne (2Tm 4.1-3; Gl 5.19-21). Atitudes que trazem contenda, facções, divisão, gritarias e irritabilidade devem ser evitadas em nossa família, em nossa igreja ou em quaisquer lugares onde nos relacionarmos com o outro. O Senhor nos chamou para paz e não para confusão. Vivamos, pois uma vida cristã sábia e em paz com Deus!

 
CONCLUSÃO

Após estudarmos o tema “sabedoria humilde” é impossível ao crente admitir a possibilidade de vivermos a vida cristã em qualquer esfera humana sem depender da sabedoria do alto. A sabedoria divina não só garante a saúde espiritual entre os irmãos, mas da mesma maneira, a emocional e psíquica. Ela estabelece parâmetros para o convívio social sadio ao mesmo tempo em que nos previne para que não caiamos nos escândalos e pecados que entristecem o Espírito Santo. Ouçamos o conselho de Deus. Que possamos viver de forma sóbria, justa e piamente (Tt 2.12).



sexta-feira, 11 de julho de 2014

Existem 7.106 idiomas no mundo e em apenas 2.544 dela há traduções da Bíblia

 


De acordo com o catálogo Ethnologue, existem 7.106 idiomas no mundo, 2.500 deles em risco de extinção.

De todas, as línguas mais faladas do mundo são: mandarim (mais de 1,1 bilhão de pessoas), espanhol (414 milhões), inglês (335 milhões), hindi (260 milhões) e árabe (237 milhões).

Na Ásia existem 2.303 línguas e a Europa possui 285 idiomas. A UE (União Europeia) possui 24 línguas oficiais, entre elas estão búlgaro, checo, eslovaco, estônio e romeno.

A República da África do Sul possui 11 línguas oficiais, segundo oGuinness World Records, o livro dos recordes. São elas: inglês, africâner, zulu, xhosa, soto do sul, tswana, sepedi, tsonga, suázi, ndebele e tshivenda.

Até 31/12/2012, a Bíblia havia sido traduzida para 2.544 línguas, ou seja, apenas um pouco mais que o total de línguas da Ásia.

Há muito o que fazer!

Fonte:   http://vedeoscampos.blogspot.com.br/




quarta-feira, 9 de julho de 2014

10 Coisas que não devemos dizer para as crianças




Pediatra lista 10 coisas que não devemos dizer para as crianças. Vale a pena ler, já que isso pode influenciar (e muito!) na personalidade delas.

 
1 - Não rotule seu filho de pestinha, chato, lerdo ou outro adjetivo agressivo, mesmo que de brincadeira. Isso fará com que ele se torne realmente isso.

 
2 - Não diga apenas sim. Os nãos e porquês fazem parte da relação de amizade que os pais querem construir com os filhos.

 
3 - Não pergunte à criança se ela quer fazer uma atividade obrigatória ou ir a um evento indispensável. Diga apenas que agora é a hora de fazer.

 
4 - Não mande a criança parar de chorar. Se for o caso, pergunte o motivo do choro ou apenas peça que mantenha a calma, ensinando assim a lidar com suas emoções.

 
5 - Não diga que a injeção não vai doer, porque você sabe que vai doer. A menos que seja gotinha, diga que será rápido ou apenas uma picadinha, mas não engane.

 
6 - Não diga palavrões. Seu filho vai repetir as palavras de baixo calão que ouvir.

 
7 - Não ria do erro da criança. Fazer piada com mau comportamento ou erros na troca de letras pode inibir o desenvolvimento saudável.

 
8 - Não diga mentiras. Todos os comportamentos dos pais são aprendidos pelos filhos e servem de espelho.

 
9 - Não diga que foi apenas um pesadelo e mande voltar para a cama. As crianças têm dificuldade de separar o mundo real do imaginário. Quando acontecer um sonho ruim, acalme seu filho e leve-o para a cama, fazendo companhia até dormir.

 
10 - Nunca diga que vai embora se não for obedecido. Ameaças e chantagens nunca são saudáveis.

 
Fonte: http://itodas.uol.com.br/mae/o-que-nao-se-deve-falar-para-as-criancas





terça-feira, 8 de julho de 2014

Lição 2 CPAD - 3° Trimestre 2014


Lições Bíblicas CPAD / Jovens e Adultos
 
3º Trimestre de 2014

 
Título: Fé e Obras — Ensinos de Tiago para uma vida cristã autêntica

Comentarista: Eliezer de Lira e Silva
 
 


TEXTO ÁUREO: Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência(Tg 1.2,3).

 
VERDADE PRÁTICA: O triunfo sobre a tentação fortalece-nos espiritualmente e nos torna mais íntimos de Deus.

 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 
Tiago 1.2-4,12-15.

2 - Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações,

3 - sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência.

4 - Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma.

12 - Bem-aventurado o varão que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam.

13 - Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta.

14 - Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.

15 - Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.

 
INTERAÇÃO

“Pare de sofrer! “, “É tempo de vitória!”, “Você vai conquistar!”. Estas são frases de efeito bem conhecidas no meio evangélico. Nelas, está presente a ideia do não sofrimento. A lição desta semana é um resgate do ensino bíblico quanto ao valor do sofrimento por Cristo e da sua importância para o nosso crescimento espiritual. A epístola de Tiago nos mostra que devemos nos alegrar na tentação, pois a partir desta reconhecemos a nossa inteira dependência de Deus. O sofrimento é uma realidade e não podemos fugir dele. Em Cristo, temos o privilégio de sofrermos para a honra do seu nome. A cruz de Cristo é a glória do Evangelho!

 
OBJETIVOS: Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

Conceituar a tentação.

Pontuar a origem da tentação.

Compreender o propósito da tentação.

 
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Pela tentação de Jesus Cristo, a tentação de Adão chegou ao fim. Tal como na tentação de Adão caiu toda a carne, assim toda a carne foi libertada do poder de Satanás na tentação de Jesus Cristo, pois Jesus Cristo carregou nossa carne, ele sofreu nossa tentação e obteve triunfo” (Dietrich Bonhoeffer). Prezado professor, reproduza este fragmento textual conforme as suas possibilidades e distribua-o aos alunos. Conclua a lição refletindo, juntamente com a classe, sobre o texto do teólogo alemão. Afirme que há um Sumo Sacerdote que em tudo foi tentado, mas sem pecado: Jesus Cristo. Este é a mediação entre Deus e o homem e, por isso, podemos ir ao Pai com confiança (Hb 4.15,16).


Palavra Chave: Tentação: Impulso para a prática de alguma coisa censurável ou não recomendável.

 
INTRODUÇÃO

Definitivamente, o homem moderno não está preparado para sofrer. Os membros de muitas igrejas evangélicas, através da Teologia da Prosperidade, têm se iludido com a filosofia enganosa do “não sofrimento”. O resultado é que quando o iludido sofre o infortúnio, perde a fé em “Deus”.
Mas, que se entenda bem, num “deus” que nada tem com as Escrituras! A lição dessa semana tem o objetivo de resgatar esse ensinamento evangélico (Tg 1.2). Aprenderemos acerca da tentação, do sofrimento e da provação, não como consequência de uma vida de pecado ou de falta de fé, mas como o caminho delineado por Deus para o nosso aperfeiçoamento. Ninguém melhor do que Jesus Cristo, com seu exemplo de vida, para nos ensinar tal lição (Hb 5.8). O convite do Mestre é um chamado ao sofrimento por amor do seu nome (Jo 16.33; Mt 5.10-12).

 
I. O FORTALECIMENTO PRODUZIDO PELAS TENTAÇÕES (Tg 1.2,12)


1. O que é tentação.
O termo empregado na Bíblia tanto no hebraico, massah, quanto no grego, peirasmos, para tentação, significa “prova”, “provação” ou “teste”. A expressão pode estar relacionada também ao conflito moral, isto é, a uma incitação ao pecado. De fato, como mostram as Escrituras, a tentação é uma provação, uma espécie de teste. O pecado, por sua vez, já se trata de um ato imoral consumado. Por isso, a tentação não é, em si mesma, pecado, pois ninguém peca quando passa pelo processo “probatório”. A própria vida terrena do Senhor Jesus demonstra, com clareza, a distinção entre tentação e pecado. A Epístola aos Hebreus afirma que Jesus, o nosso Senhor, em tudo r foi tentado. Ele foi provado e testado em todas as coisas. Todavia, o Mestre não pecou (Hb 4.14-16). Portanto, confiantes de que Jesus Cristo é o nosso Sumo Sacerdote perfeito, devemos nos aproximar, com fé, do trono da graça sabendo que Ele conhece as nossas tentações e pode nos dar a força necessária para resistirmos (1Co 10.13).

 
2. Fortalecimento após a tentação (v.2).

Do mesmo modo que o ouro precisa do fogo para ser refinado ou purificado, o cristão passa pelas tentações para se aperfeiçoar no Reino de Deus (1 Pe 1.7). Quando tentado, o crente é posto à prova para mostrar-se aprovado tal como Cristo, que foi conduzido ao deserto para ser tentado por Satanás e embora debilitado e provado espiritualmente, saiu do deserto vitorioso e fortalecido, tendo em seguida iniciado seu ministério terreno de pregação a respeito do Reino de Deus (Lc 4.1-13). À luz do exemplo de Cristo, compreendemos bem o que Tiago quer dizer quando exorta-nos a termos “grande gozo quando [cairmos] em várias tentações”. Tal conselho aponta para a certeza de que ao passar pela tentação, além de paciente e maduro, o crente se sentirá ainda mais fortalecido pela graça de Deus.


3. Felicidade pela tentação (v.12).
Quando o cristão é submetido às tentações há uma tendência de ele entregar-se à tristeza e à angústia. Mas atentemos para esta expressão: “Bem-aventurado o varão que sofre a tentação”. Em outras palavras, como é feliz, realizado ou atingiu a felicidade aquele crente que é provado, não em uma, mas em várias tentações (v.2). Ser participantes dos sofrimentos de Cristo e ao mesmo tempo felizes parece paradoxal. A Bíblia, porém, orienta-nos a que nos alegremos em Deus porque a tribulação produz a paciência, e esta, a experiência que, finalmente, culmina na esperança (Rm 5.3-5). Isto mesmo! Vivemos sob a esperança de receber diretamente de Jesus a coroa da vida. Uma recompensa preparada de antemão pelo nosso Senhor para os que o amam. Você ama ao Senhor? É discípulo dEle? Então, não tema passar pela tentação. Há uma promessa: Você “receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam”. Alegre-se e regozije-se em ser participante das aflições de Cristo, pois é justamente nessa condição — de felicidade verdadeira —, que Ele nos deixará por toda a eternidade quando da revelação da sua glória (1Pe 4.12,13)!

 
SINOPSE DO TÓPICO (I): A tentação é uma espécie de prova ou teste, que uma vez vencido, fortalece a vida do crente.

 
II. A ORIGEM DAS TENTAÇÕES (Tg 1.13-15)


1. A tentação é humana.
Embora a tentação objetive provar o crente, as Escrituras afirmam que ela não vem da parte de Deus, mas da fragilidade humana (Tg 1.13). O ser humano é atraído por aquilo que deseja. A história de Adão e Eva nos mostra o primeiro casal sendo tentado por aquilo que lhe atraía (Gn 3.2-6). Mesmo sabendo que não poderiam tocar na árvore no centro do Jardim do Éden, depois de atraídos pelo desejo, Adão e Eva entregaram-se ao pecado (Gn 3.6-9). A Epístola de Tiago aplica o termo “gerar”, utilizado no versículo 15, à ideia de que ninguém peca sem desejar o pecado. Assim, antes de ser efetivamente consumada, a transgressão passa por um processo de gestação interior no ser humano. Portanto, a origem da tentação está nos desejos humanos e jamais no Altíssimo, “porque Deus [...] a ninguém tenta”.

2. Atração pela própria concupiscência.

O texto bíblico é claro ao dizer que “cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência” (v.14). A tentação exterioriza o vício, os desejos, a malignidade da natureza humana, isto é, a concupiscência. Ser tentado é sentir-se aliciado pela própria malícia ou os sentimentos mais reclusos de nossa natureza má. Você tem ouvido o ressoar das suas malícias? Elas te atraem? Ouça a Epístola de Tiago! Não dê vazão às pulsões interiores, antes procure imitar Jesus afastando-se do pecado. Assim, não darás luz ao pecado e viverás.


3. Deus nos fortalece na tentação.
Embora a tentação seja fruto da fragilidade humana, quando ouvimos o Espírito Santo, Deus nos dá o escape em tempo oportuno: “Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar” (1Co 10.13). O Santo Espírito nos fará lembrar a Palavra de Deus para não pecarmos contra o nosso Senhor Altíssimo (Is 30.21; Jo 14.26). Todavia, para que isso seja uma realidade em nossa vida, precisamos cultivara Palavra de Deus em nossos corações (Sl 119.11).

 
SINOPSE DO TÓPICO (II): A origem das tentações é a fragilidade humana, a atração pela própria concupiscência. Todavia, Deus é a fonte do nosso fortalecimento na tentação.

 
III. O PROPÓSITO DAS TENTAÇÕES (Tg 1.3,4,12)

1. Para provar a nossa fé (v.3).

Na época de Tiago, os cristãos estavam desanimados por passarem duras provas de perseguição. No versículo três, o meio-irmão do Senhor utiliza então o termo “sabendo”, o qual se deriva do verbo grego ginosko e significa saber, reconhecer ou compreender, para encorajá-los a compreenderem o propósito das lutas enfrentadas na lida cristã: Deus prova a nossa fé (Tg 1.12). À semelhança do aluno que estuda e pesquisa para submeter-se a uma prova e, em seguida, ser aprovado e diplomado, os filhos de Deus são testados para amadurecer a fé uma vez dada aos santos (Jo 16.33; Jd 3). O capítulo 11 da epístola aos Hebreus lista inúmeras pessoas que tiveram sua fé provada, porém, terminaram vitoriosas e aprovadas. Por isso o referido texto bíblico é conhecido como a “galeria dos heróis da fé”.


2. Produzir a paciência (vv.3,4).
No grego, “paciência” deriva de hupomone e denota a capacidade de perseverar, ser constante, ser firme, suportar as circunstâncias difíceis. A palavra aparece em o Novo Testamento ao lado de “tribulações” (Rm 5.3), aflições (2Co 6.4) e perseguições (2Ts 1.4). Mas também está ligada à esperança (Rm 5.3-5; 15.4,5; 1Ts 1.3), à alegria (Cl 1.11) e, frequentemente, à vida eterna (Lc 21.19; Rm 2.7; Hb 10.36). O termo ilustra a capacidade de uma pessoa permanecer firme em meio à alguma pressão, pois quem é portador da paciência bíblica não desiste facilmente, mesmo sob as circunstâncias das provas extremas (Jó 1.13-22; 2.10). Tiago encoraja-nos então a alegrarmo-nos diante do enfrentamento das várias tentações (v.1), pois a paciência é resultado da prova da nossa fé.

 
3. Chegar à perfeição.
A habilidade de perseverar ou desenvolver a paciência não acontece da noite para o dia. Envolve tempo, experiência e maturidade. O meio-irmão do Senhor destaca na epístola a paciência para que o leitor seja estimulado a chegar à perfeição e, consequentemente, à completude da vida cristã, que se dará na eternidade. A expressão “obra perfeita” traz a ideia de algo gradual, em desenvolvimento constante, com vistas à maturidade espiritual. O motivo pelo qual o cristão é provado não é outro senão para que persevere na vida cristã e atinja o modelo de perfeição segundo Cristo Jesus (Sl 119.67; Hb 5.8; Ef 4.13).

 
SINOPSE DO TÓPICO (III): O propósito das tentações é amadurecer o crente, para que este desenvolva a paciência e chegue à perfeição.

 
CONCLUSÃO

Sabemos que todo cristão passa por aflições e tentações ao longo da vida. Talvez você esteja vivendo tal situação. Lembre-se de que o nosso Senhor Jesus passou por inúmeras tribulações e tentações, mas venceu todas, tornando-se o maior exemplo de vida para os seus seguidores. Cada tentação vencida pelo crente significa um avanço rumo ao amadurecimento espiritual. Um dia ele atingirá a estatura de varão perfeito à medida da estatura de Cristo (Ef 4.13). Este é o nosso objetivo na jornada cristã! Deus nos recompensará! Estejamos firmes no Senhor Jesus, pois Ele já venceu por nós e por isso somos mais que vencedores.

 
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

PFEIFFER, Charles F.; VOS, Howard, F. Dicionário Bíblico Wycliffe. RJ: CPAD, 2009.
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1 ed., RJ: CPAD, 2007.

 
EXERCÍCIOS

1. Segundo as Escrituras o que é tentação?
R. O termo empregado na Bíblia tanto no hebraico, massah, quanto no grego, peirasmos, para tentação, significa “prova”, “provação” ou “teste”.

 
2. Quais são as origens das tentações?
R. Os desejos humanos. O ser humano é atraído por aquilo que deseja.

 
3. Qual é a ideia que a expressão “obra perfeita” traz?
R. A expressão “obra perfeita” traz a ideia de algo gradual, em desenvolvimento constante, com vistas à maturidade espiritual.

 
4. Qual é o motivo pelo qual o cristão é provado?
R. O motivo pelo qual o cristão é provado não é outro senão para que persevere na vida cristã e atinja o modelo de perfeição segundo Cristo Jesus (Sl 119.67; Hb 5.8; Ef 4.13).

 
5. O que significa cada tentação vencida pelo crente?
R. Cada tentação vencida pelo crente significa um avanço rumo ao amadurecimento espiritual.

 
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I

Subsídio Teológico

“A Tragédia do Desejo Consumado (1.15)

No versículo 14, concupiscência provavelmente refere-se a qualquer atração para o mal. A linguagem, no entanto, é mais comumente associada à indução ao pecado sexual. Tiago usa essa figura no versículo 15 para traçar o curso do mal, iniciando com um pensamento errado, que resulta em um ato pecaminoso e termina com o julgamento de Deus. Um pensamento errado dá à luz quando lhe damos o consentimento da vontade. Segue-se então o ato em si. Sendo consumado não se refere tanto ao ato completado do pecado, mas sim ao acúmulo de atos maus que constitui uma vida pecaminosa. Philips associa este versículo ao versículo 16 e o interpreta da seguinte forma: ‘E o pecado com o tempo significa morte — não se enganem, meus irmãos! ‘” (TAYLOR, S. Richard. Comentário Bíblico Bacon: Hebreus a Apocalipse. Volume 2, 1 ed., RJ: CPAD, 2006, p.160).

 
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II

Subsídio Teológico

“A Tentação Vem de Dentro (1.14)
Tiago conhecia os poderes sobrenaturais do mal que agiam no mundo (cf. 3.6), mas aqui ele procura ressaltar o envolvimento e a responsabilidade pessoal do homem ao cometer pecados. O engodo do mal está em nossa própria natureza. Ele está de alguma forma entrelaçado com a nossa liberdade. A questão é: ‘Será que eu preferiria ser livre, tentado e ter a possibilidade de vitória ou ser um bom robô?’. O robô está livre de tentação, mas ele também não conhece a dignidade da liberdade ou o desafio do conflito e não conhece nada acerca da imensa alegria quando vencemos uma batalha.

Tiago diz que cada um é atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Essa palavra epithumia (‘desejo’, RSV) pode ter um significado neutro, nem bom nem mal. Assim, H. Orton Wiley escreve: ‘Todo apetite nunca se controla, mas está sujeito ao controle. Por isso o apóstolo Paulo diz: ‘Antes, subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado’ (1Co 9.27)’. Este talvez seja o sentido que Tiago emprega aqui.

No entanto, na maioria dos casos no Novo Testamento, epithumia tem implicações maléficas. Se for o caso aqui, quando um homem é seduzido para longe do caminho reto, isso ocorre por causa de um desejo errado. Tasker escreve: ‘Este versículo, na verdade, confirma a doutrina do pecado original. Tiago certamente teria concordado com a declaração de que ‘a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice’ (Gn 8.21). Desejos concupiscentes, como nosso Senhor ensinou de maneira tão clara (Mt 5.28), são pecaminosos mesmo quando ainda não se concretizaram em ações lascivas’. Se essa interpretação for verdadeira, há aqui mais uma dimensão na origem da tentação. Desejos errados podem ser errados não somente porque são incontrolados, mas porque, à parte da presença santificadora do Espírito, eles são carnais” (TAYLOR , S. Richard. Comentário Bíblico Beacon: Hebreus a Apocalipse. Volume 2, 1 ed., RJ: CPAD, 2006, pp.159-60).

 
SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

O Propósito da Tentação
“Não nos deixes cair em tentação”. Foi a oração de Jesus ensinada aos discípulos. No tempo da provação, angústia, tristeza e sofrimento são realidades presentes na vida do discípulo de Cristo. Infelizmente, e em nome de uma teologia, muitos desejam descartar da vida esta realidade humana e não dá ao seguidor do caminho o direito de sofrer. Não é isto que a Palavra de Deus nos ensina! Pelo contrário, o sofrimento por Cristo nos dá a oportunidade de mostrarmos a nossa fé e amor por Ele, como os mártires que não retrocederam na convicção do Evangelho.

A lição desta semana tem um penoso objetivo: o de resgatar a doutrina bíblica do sofrimento por Cristo. Esta, por vezes, tem sido esquecida pela Igreja Evangélica. Quando falamos de sofrimento, algumas pessoas nos perguntam: “Mas por que o crente deveria sofrer?”; “Devemos ensinar a teologia da miséria?” etc. Tais perguntas são descabidas, pois não escolhemos sofrer por Jesus, é Este quem nos escolhe. Por consequência, ao vivermos para Cristo precisamos estar dispostos a também sofrermos por Ele. Note as palavras do Meigo Nazareno: “E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Porque qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida a salvará. Porque que aproveita ao homem granjear o mundo todo, perdendo-se ou prejudicando-se a si mesmo?” (Lc 9.23-25).

As expressões “negue-se a si mesmo”, “tome cada dia a sua cruz” e “siga-me” significam o convite para peregrinarmos o caminho da execução do nosso eu. Este é o caminho da Cruz de Cristo! Há, porventura, coisa mais difícil do que negar a nós mesmos? Esmagar a nossa vontade para fazer a do outro? A expressão “cada dia” revela-nos que o caminho da cruz deve ser feito por nós, diariamente, crucificando assim o “eu”. O teólogo French L. Arrington amplia este conceito: “Tomar a cruz significa uma resolução diária em negar a si mesmo por causa do Evangelho. [...] Não é questão momentânea, mas um modo de vida. Os cristãos nunca devem deixar de carregar a cruz” (Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento, CPAD, p.374).

O Evangelho não deixa outra escolha: o nosso caminho é o do sofrimento por Cristo. O ensino de Tiago sobre o sofrimento está em pleno acordo com o Evangelho de Cristo.



 AUXÍLIOS COMPLEMENTARES
 
 


Quando nos tornamos cristãos, temos a ilusão de que a vida será convertida e não haverá mais problemas, ou testes. Acreditamos que nunca faltará trabalho, que o orçamento será suficiente para cobrir todas as despesas, que o casamento nunca irá falhar ou que não teremos a nossa fé testada. Na realidade não é assim!
Quando temos um objetivo para alcançar devemos saber que as tribulações virão junto, porque o nosso objetivo faz parte de um contexto social onde cada passo deverá ser cuidadosamente analisado. Já no contexto Cristão a tribulação ou tribulações fazem parte dos desafios de transformação pessoal decorrente de um mundo que anda ao contrário do proposto pela Bíblia e isso nos enche de aflições (tormentos, adversidades).
É evidente que ninguém gosta de passar por tribulações, mas é igualmente evidente que todos nós passaremos por elas, querendo ou não. Mesmo Jesus, o homem mais santo que passou por esta terra, passou pelas aflições. O fato é que devemos ter em mente que a tribulação não produz apenas dificuldades e dores, pelo contrário, pode produzir muito mais do que isso. Esse pensamento é a chave para avançarmos e sermos vitoriosos.

 
I. O FORTALECIMENTO PRODUZIDO PELAS TENTAÇÕES (Tg 1.2,12)

1. O que é tentação. A palavra aqui traduzida provações é o termo grego peirasmos cujo significado temos que entender plenamente se é que desejamos captar a verdadeira essência da vida cristã. Peirasmos é prova, juízo, tentação dirigida para um fim. E este fim é que aquele que é submetido à prova saia dela fortificado e purificado. O verbo correspondente, peirazein — às vezes traduzido tentar — tem o mesmo significado. A ideia não é nos seduzir para que pequemos, mas sim nos fortalecer, nos purificar e nos provar. Por exemplo: diz-se que uma pintinho prova (peirazein) suas asas. A rainha do Sabá foi provar (peirazein) a sabedoria de Salomão. É-nos dito que Deus provou (peirazein) a Abraão quando lhe apareceu exigindo que sacrificasse a Isaque (Gn 22.1). Quando Israel chegou à Terra Prometida, Deus não retirou aos povos que já estavam ali, mas sim que os deixou para que Israel pudesse ser provado (peirazein) na luta contra eles (Jz 2.22; 3.1,4). As experiências de Israel foram provas que contribuíram à formação desse povo (Dt 4.34; 7.19).
Este é um grande e inspirador pensamento. Hort escreve: “O seguidor de Cristo tem que esperar que as provas o impulsionem em seu caminho cristão”. Teremos toda aula de experiências. Virá a prova da tristeza e do desalento que tentará arrebatar nossa fé. Virão as provas dos perigos, da antipatia, dos sacrifícios, coisas nas quais tão frequentemente o cristão se acha envolto. Mas o verdadeiro propósito para o qual essas circunstâncias nos sãos enviados não são para nos fazer cair, senão para nos elevar. Não são enviadas para que nos derrotem, senão para que nós as derrotemos. Não são enviadas para que nos debilitem, senão para que nos fortaleçam. Portanto, não podemos nos lamentar por causa de tais provas, mas sim, pelo contrário, nos exultar, nos alegrar. O cristão é como um bom atleta. Quanto mais pesada a tarefa que o treinador lhe atribui, quanto mais intensifica seu treinamento e por isso mais se alegra o atleta porque sabe que todo vai capacitando para o vigoroso esforço que o levará à vitória.

 
2. Fortalecimento após a tentação (v.2). As provações são pedagógicas (1.3,4). Nas provações da vida, nossa fé é testada para mostrar a sua genuinidade, e, consequentemente, levar-nos a um fortalecimento espiritual.
Quando Deus chamou a Abraão para viver pela fé, ele o testou com o fim de aumentar a sua fé. Deus sempre na prova para produzir o melhor em nós; Satanás nos tenta para fazer o pior em nós. As provas da fé provam que, de fato, estamos firmes em Cristo. As provações de nossa fé trabalham por nós, e não contra nós, visto que produzem perseverança. Deus está no controle de nossa vida. Tudo tem um propósito. Diz o apóstolo Paulo: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus...” (Rm 8.28). Paulo diz ainda que a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um eterno peso de glória (2Co 4.17). Em Efésios 2.8-10, Paulo diz que Deus trabalha por nós, em nós e através de nós.
Ele trabalhou em Abraão, José, Moisés antes de trabalhar através deles. E assim que Deus faz com você ainda hoje.
Paulo diz em Romanos 5.3-5 que as tribulações são pedagógicas, levam-nos à maturidade. A palavra hupomone significa paciência com as circunstâncias, ou seja, coragem e perseverança em face do sofrimento e das dificuldades. Os crentes imaturos são sempre impacientes. A impaciência pode acarretar graves consequências: Abraão coabitou com Agar, Moisés matou o egípcio, Sansão contou seu segredo para Dalila e Pedro quase matou Malco. Maturidade e fortalecimento espiritual não se alcançam apenas lendo um livro, é preciso passar pelas provas!

 
3. Felicidade pela tentação (v.2,12). Tiago orienta seus leitores a considerarem as tribulações, que funcionam como prova da fé, como motivo para grande alegria. Evidentemente, o autor não proíbe ao cristão o choro, a dor e a tristeza pelos infortúnios, desgraças, desastres, perseguições, doenças e outras tribulações comuns a esta vida, que subitamente vêm sobre nós, para nos provar. Não é pecado dizer a Deus: “está doendo”, quando a prova se torna intensa. O próprio Tiago cita Jó como modelo de sofrimento (5.11). E sabemos pelo livro de Jó que, ao ser provado, ele sentiu profundamente a dor e a tristeza pela perda dos filhos e de tudo que tinha, e ainda a angústia mental de não saber a causa de seus sofrimentos (cf. Jó 3.1-26, etc.). Tiago também cita como modelos de sofrimento os profetas do Antigo Testamento (5.10). Entre os que mais sofreram, encontramos o profeta Jeremias, cujos lamentos e tristezas estão registrados em seus livros (Ver Jr 15.10, etc.). Na verdade o que não devemos fazer é nos afundar numa disposição mental triste e desconsolada, que nos faria desfalecer nas provações, mas precisamos nos empenhar em manter o nosso espírito elevado e firme, para melhor discernir a nossa situação, e para maior vantagem nossa devemos empenhar-nos em fazer o melhor dela. Para agirmos assim precisamos focar nossa visão não na tribulação, mas, sim, no caráter que ela produz quando assim agimos. Outra coisa importante que precisamos entender é que alegria e felicidade não é fruto de circunstâncias externas e matérias, mas de uma atitude mental produzida pelo Espírito Santo.
Portanto, a alegria é produto do crescimento espiritual, e consiste de um senso de bem-estar e de regozijo, porque o indivíduo está em harmonia com Deus, desfrutando da comunhão com Deus que satisfaz à alma e a torna feliz.

 
II. A ORIGEM DAS TENTAÇÕES (Tg 1.13-15)

1. A tentação é humana. A concepção de Tiago é de que Deus jamais induz o crente à tentação de tal maneira que a única opção que ele tenha seja a queda. Face a decisão tomada por Caim de matar seu irmão Abel, Deus o adverte no sentido de que ele resista àquela tentação e que sobre ela tenha controle (Gn 4.7). Caim caiu, tornou-se o primeiro homicida, não porque essa fosse a sua única opção. Ele caiu sob a tentação porque escolheu assim fazer.
O apostolo Paulo tinha compreensão da afirmação de Tiago (“Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta”), quando escrevendo aos crentes de Corinto e a nós hoje, disse: “Não veio sobre vós tentação senão humana; mas fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que possais suportar” (1Co 10.13). E nos escritos do apóstolo João ele nos mostra que as más inclinações do coração do homem estão perfeitamente alinhadas com “a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, e a soberba da vida” (1Jo 2.16). Portanto, o maior problema do cristão é quando ele permite que a fraqueza da carne, a busca pelo prazer e a força da tentação vença a sua determinação de não ceder.

 
2. Atração pela própria concupiscência. Tiago usa duas figuras para ilustrar o engano da tentação: a figura do caçador que usa uma armadilha (atrai) e a figura do pescador que usa o anzol com isca (seduz). Se Ló pudesse ver a ruína que estava por trás de Sodoma, e se Davi pudesse ver a tragédia sobre a sua casa quando se deitou com Bate-Seba, eles jamais teriam caído. Precisamos identificar a isca e a arapuca do diabo, para não cairmos na rede de seu engano. Com isso, ele deseja destacar mui claramente que a tentação se origina realmente em nós e que, dessa forma, somos nós mesmos os responsáveis pelo pecado que cometemos. Somos tentados por nossa própria cobiça. Tiago está consciente de que o fato de seus leitores serem crentes em Jesus Cristo não os livra da presença da cobiça no coração. Aliás, ele os adverte de que a origem das guerras e contendas entre eles são os “prazeres que militam na vossa carne” (Tg 4.1 — ARA).
Assim como os rabinos, que falavam de um “impulso maligno” (Gr. yeserhara) que habita em cada pessoa, Tiago parece pensar na tendência inata do homem em direção ao pecado. A tentação brota deste “impulso maligno”, quando este atrai e seduz o homem. O primeiro verbo (Gr. exelkō) tem o sentido de alguma coisa que arrasta pela força, enquanto o outro (Gr. deleázō) sugere a atração exercida por uma isca. Os dois termos eram usados num sentido metafórico para descrever a força atrativa do prazer ou de professores convincentes. Mas, provavelmente, ainda está presente a figura da pesca, com a qual as palavras estavam originalmente associadas: a “cobiça” é como um anzol com sua isca, que primeiro atrai sua presa e depois a arrasta. Se a atração superficial da “cobiça” não sofrer uma brava resistência, a pessoa poderá acabar “fisgada”, incapaz de fugir de seu engodo todo-poderoso.

 
3. Deus nos fortalece na tentação. JESUS sabia que seus discípulos não conseguiriam na sua própria força fazer tudo o que ele lhes havia ordenado. Levando-se em conta a magnitude de sua missão de pregar, a força dos opositores e a fragilidade humana, era evidente que eles necessitariam de força sobrehumana. Assim, pouco antes de sua ascensão ao céu, Jesus garantiu a seus discípulos: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (At 1.8). O poder que Deus concede a seus servos por meio do Espírito Santo habilita cada um de nós a cumprir nossa dedicação cristã e, quando necessário, a resistir a forças negativas empregadas contra nós.
Os últimos dias nos quais vivemos, em especial, são “tempos trabalhosos” (2Tm 3.1). A influência do adversário é muito difundida e sedutora. Satanás tenta enganar e tornar o pecado atraente. Mas todo cristão é capaz de derrotar Satanás e vencer a tentação. Todo servo de Deus tem o poder do alto para vencer a tentação. Aqueles que se humilham perante Deus e oram continuamente por forças não serão “tentados além do que [podem] suportar”. Se obedecerem voluntariamente aos mandamentos, o Pai Celestial vai fortalecê-los para que suportem as tentações.
Paulo ensina que Deus pode nos capacitar para vencermos as tentações se permanecermos fiel à Sua Palavra (1Co 10.13-22). Atentemos para as palavras do apóstolo: “Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar” (1Co 10.13).
Deus permite que sejamos tentados (provados), porque Ele sabe até onde podemos suportar. A palavra “tentação” mencionada nesse versículo é peirasmos, uma palavra muito mais próxima de prova e teste, do que tentação. A tentação tem uma conotação negativa para nós. E algo colocado no nosso caminho para nos fazer pecar enquanto a prova é algo que Deus permite em nossa vida para nos depurar, purificar e fortalecer. Deus não tenta a ninguém, Deus prova (Tg 1.13). Quem tenta é o diabo. Quando Deus permite uma prova em nossa vida é para nos fortalecer e nos conduzir à vitória.
Paulo não diz que Deus vai livrá-lo da prova, mas com a prova Ele vai prover livramento. Às vezes queremos ficar livres da prova e libertos do problema. Deus não impediu que os três amigos de Daniel fossem jogados na fornalha; não impediu que Daniel fosse jogado na cova dos leões nem que Pedro fosse para a prisão. Deus não os livrou da prova, mas na prova.

 
III. O PROPÓSITO DAS TENTAÇÕES (Tg 1.3,4,12)

Não deveria o crente olhar para a provação com medo ou pesar, mas olhar além da provação, para os resultados que ela produz.

1. Para provar a nossa fé (v.3). Quando Deus chamou Abraão para viver pela fé, ele o provou a fim de aumentar essa fé. Deus sempre na prova para fazer aflorar o que temos de melhor; Satanás nos tenta a fim de fazer aflorar o que temos de pior. A provação de nossa fé mostra que somos, verdadeiramente, nascidos de novo. Pois só quando a fé é provada em meio as tentações e adversidade da vida é que ela se transforma em testemunho vivo de fidelidade diante de Deus.
A provação trabalha a nosso favor, não contra nós. A tradução para a palavra “confirmada” na versão revisada é “aprovada”. Mais uma vez, o apóstolo Pedro nos ajuda a entender melhor essa afirmação: “Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo” (1Pe 1.7). Prova é a palavra usada para crisol em Provérbios 27.21 (LXX). O garimpeiro leva amostras de minério ao contrasteador para testá-la. A amostra, em si, não vale mais do que alguns trocados, mas a aprovação — a declaração oficial sobre o minério — vale milhões! Dá ao garimpeiro a certeza de que tem uma mina de ouro. A aprovação de Deus de nossa fé é preciosa porque garante que nossa fé é autêntica. Portanto, não importa quão difícil ou desagradável seja a provação, é por meio dela que Deus está aperfeiçoando o crente.

 
2. Produzir a paciência (vv.3,4). Podemos ver na Bíblia muitos exemplos de pessoas cuja paciência foi característica de sua caminhada com Deus. Tiago nos aponta aos profetas: “Meus irmãos, tomai por exemplo de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor” (Tg 5.10). Ele também se refere à Jó, cuja perseverança foi recompensada: “Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso” (Tg 5.11). Abraão também foi paciente: “E assim, esperando com paciência, alcançou a promessa” (Hb 6.15). Assim como Jesus é o nosso modelo em todas as coisas, Ele demonstrou ser o modelo perfeito com sua perseverança paciente: “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” (Hb 12.2).
O exercício da paciência é uma qualidade bastante difícil nos dias em que vivemos, principalmente devido ao corre-corre de nosso dia a dia, mas é de imprescindível importância para o crente que deseja ir morar no céu. É nos momentos de maior tensão que somos testados nessa qualidade do fruto do ESPÍRITO que está implantada em nós. É notado e louvado o cristão que consegue ser paciente diante das adversidades que surgem em seu viver terreno. Somente com a ajuda do ESPÍRITO SANTO é que conseguimos exercer paciência e ajudar aos que estão a nossa volta, a passar pelas tribulações do cotidiano.
Muitos crentes oram pedindo paciência, como se esta fosse uma virtude comunicada diretamente e exclusivamente por Deus. Com o fato de que a paciência é uma virtude aprendida, resultante das provações da vida, concorda o apóstolo Paulo quando escreve: “...a tribulação produz a paciência” (Rm 5.3). Portanto, que nenhum de nós se assuste ao ver multiplicada as suas tribulações, pois a paciência, perseverança é produzida em meio a dificuldades e tribulações da vida. A única maneira de o Senhor desenvolver paciência em nossa vida é por meio das tribulações. A paciência sob as provas nos guardará de dizer e fazer aquilo que nos prejudique a alma e aos que se acham ao nosso redor. Sejam as nossas provações quais for, coisa alguma nos pode causar sérios danos, caso exerçamos paciência.

 
3. Chegar à perfeição. Deus não edifica nosso caráter sem nossa cooperação. Se resistirmos, vai nos disciplinar até nos rendermos. Mas se nos sujeitarmos, ele realiza sua obra. Deus não se contenta com um trabalho inacabado; quer realizar uma obra perfeita e deseja que o produto final seja maduro e completo.
O objetivo de Deus para nossa vida é a maturidade. Seria trágico se nossos filhos permanecessem bebês pelo resto da vida. Gostamos de vê-los amadurecer, mesmo quando a maturidade traz consigo certos perigos. Muitos cristãos guardam-se das tribulações da vida e, como resultado, nunca crescem.
Provado e aprovado por Deus, Davi pôde testemunhar da sua capacidade de esperar com paciência no Senhor, em meio às circunstâncias de adversidades da vida (Sl 40.1-3). Mas ao contrário do doce salmista de Israel, muitos crentes têm perdido excelentes oportunidades de crescerem espiritualmente e de desenvolverem o seu caráter em meio as provações pelas quais passam.
Desenvolver um caráter cristão requer paciência e perseverança. David O. McKay disse que assim com um escultor que leva algum tempo para moldar a partir de um material bruto e disforme uma linda obra, levamos uma vida para esculpir a nossa própria alma. Se “ela vai terminar deformada ou se revelará algo admirável e belo”, depende de nós, da nossa disposição em trabalhar para esse fim.


CONCLUSÃO
Tiago procura nos dizer que, a paciência cristã é aprendida com as provações da fé, e uma vez que há um fruto espiritual resultante de toda demonstração de fé nas provações, então estas devem ser acolhidas com grande alegria e não com tristeza, porque são oportunidades para glorificarmos o nome de Deus, e experimentarmos Seu poder consolador e libertador, através delas, em crescimento rumo à nossa maturidade espiritual.
Deste modo, o alvo da provação é muito mais do que simplesmente confirmar e aperfeiçoar
a nossa fé, pois se refere, sobretudo ao nosso amadurecimento espiritual.

Assim, a paciência é algo para ser aprendido e também para ser aplicado na hora da provação. Dificuldades e aflições dolorosas pode ser a porção até mesmo dos melhores cristãos, e é isto que o Espírito nos ensina pelas palavras do apóstolo mais do que uma vida para vivermos neste mundo há um testemunho e uma obra que devemos fazer para Deus.