quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Lição 9 CPAD - 4° Trimestre 2016


LIÇÕES BÍBLICAS CPAD / ADULTOS

Título: O Deus de toda provisão — Esperança e sabedoria divina para a Igreja em meio às crises

Comentarista: Elienai Cabral

 
 
 
TEXTO ÁUREO: “Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses [...], que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas; que faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e veste” (Dt 10.17,18).

 
VERDADE PRÁTICA: Em tempos de crises Deus realiza o impossível e o extraordinário.

 
OBJETIVO GERAL: Ressaltar que em tempos de crise Deus opera o impossível.

 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I. Apontar a crise financeira pela qual a viúva que procurou Eliseu passava;

II. Mostrar que Deus realiza milagres;

III. Enfatizar que Deus dá a provisão na medida certa.

 
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Na lição de hoje estudaremos a respeito do milagre da multiplicação do azeite realizado pelo profeta Eliseu. O milagre da multiplicação do azeite nos mostra que para Deus não existem impossíveis. Não importa a crise que o nosso país esteja enfrentando, o Senhor pode realizar o impossível para nos abençoar financeiramente. A viúva endividada, no momento de crise foi até a pessoa certa, um profeta e homem de Deus. É preciso ter cuidado, pois muitos estão buscando o milagre divino no lugar errado e com a pessoa errada. Em tempos de crises não faltam falsos profetas que prometem soluções milagrosas. Estes pseudos profetas "vendem a bênção" do Senhor, ganhando com a dor e a miséria alheia. Precisamos estar atentos, pois Deus não negocia milagres.
 

INTRODUÇÃO
Deus concedeu a Eliseu autoridade espiritual para que ele pudesse suceder Elias. O seu ministério foi marcado por muitos milagres. Na lição de hoje, vamos estudar o milagre que Deus operou por intermédio do seu servo para salvar uma viúva e seus dois filhos de uma crise financeira.

 
PONTO CENTRAL: Em tempos de crises, Deus realiza milagres.
 

I. UMA FAMÍLIA EM DIFICULDADES

1. A crise das dívidas.
Não sabemos o nome da viúva nem dos seus filhos, mas sabemos que ela era esposa de um discípulo de Eliseu. Parece que este não lhe deixou nenhuma herança, apenas uma dívida impagável. A situação daquela mulher era desesperadora. As viúvas eram sustentadas pelos filhos e tudo indica que seus filhos ainda eram crianças.
 

2. O risco de perder os filhos.
A mulher corria o risco de perder seus dois filhos para os credores. Eles poderiam ser vendidos como escravos para saldar a dívida. A situação era gravíssima, pois não havia emprego para uma viúva. Ela também não tinha dinheiro, joias ou qualquer tipo de alimento em casa. Vivemos tempos de grandes dificuldades econômicas, quando muitas famílias estão vivendo em absoluta pobreza. O número de desempregados é um dos maiores da história do país. Muitos já não têm como sustentar suas famílias, e falta o pão de cada dia. Não poucos crentes, fiéis a Deus, estão desempregados e padecendo necessidades. Precisamos, como Igreja do Senhor, socorrer os necessitados e aflitos.
 

3. A viuvez.
No Antigo Testamento, a mulher trabalhava somente em casa e era sustentada por seu marido. Quando o marido morria, era amparada por seus filhos ou parentes, até que encontrasse algum familiar que se tornasse o remidor, casando-se com ela. No caso da viúva que Eliseu ajudou, não houve quem a remisse. Pelo contrário, a dívida contraída por seu marido deveria ser paga com a venda de seus filhos. Em meio à crise financeira, a mulher lembrou-se do homem de Deus. Talvez Eliseu tivesse conhecido aquela família nos tempos de bonança. Deus não desampara as viúvas e os órfãos.

 
SÍNTESE DO TÓPICO (I): A família da viúva que foi procurar a ajuda de Eliseu estava correndo sérios riscos.

 
SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ

A viuvez no Antigo Testamento
No Antigo Testamento, a questão da viuvez já era tratada com muita atenção. Inclusive, Deus advertira fortemente ao povo de Israel para que tratasse bem aos órfãos e as viúvas, caso contrário, Ele castigaria contundentemente aqueles que os oprimissem (Êx 22.22-24; Sl 68.5; Ml 3.5).
Um detalhe interessante a ser notado é que as passagens tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, que tratam da questão da viuvez, não falam do cuidado com os viúvos, mas, sim, em relação às viúvas, uma vez que, no modelo de organização familiar daqueles tempos, a morte da esposa não mudava a posição social e econômica do marido, mas o contrário, sim. Lembremo-nos que, nos tempos antigos, ou seja, no período bíblico e também durante muitos séculos depois, não havia pensão alimentícia nem seguro social, e as mulheres também não tinham tantas alternativas de emprego em nossos dias. Já para o homem, que normalmente sustentava a família sozinho, havia muitas opções, além de ser privilegiado na questão das heranças. Por esse motivo as viúvas passavam geralmente grandes necessidades.
No período bíblico, perder o marido significava para a mulher perder de forma dramática a sua posição social e econômica, e, conforme os lembram dos teólogos Merril F. Unger e William White Jr, ‘a gravidade da situação era aumentada se ela não tivesse filhos’ (Dicionário Vine, p.33). No caso de não ter gerado filhos, a viúva voltava para a casa dos pais (Gn 28.1) e ficava sujeita à lei do levirato, que já era praticada antes de Moisés, mas foi estabelecida como lei, de fato, somente com ele (Dt 25.5,6) (COLEHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Vencendo as Aflições da Vida. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2012, pp.43,44).

 

CONHEÇA MAIS
Escravos
 
 

Nos tempos do Antigo Testamento, uma família de uma pessoa podia ser tomada e vendida para escravidão temporária para pagar uma dívida devida pelo pai. O ato de Eliseu demonstrou a preocupação de Deus pela viúva e pelo órfão que simbolizam o afligido pela pobreza e pela fraqueza no AT.
Óleo de oliva refinado era usado em cozimento, cosmético e queimado como combustível na iluminação e era sempre mantido em combustão, mesmo na casa mais pobre dos hebreus. Podia ter sido facilmente vendido pela viúva, à dívida paga e, assim, as necessidades da própria família seriam atendidas.
Para conhecer mais leia, Guia do Leitor da Bíblia, CPAD, p.245.

 
II. DEUS REALIZA MILAGRES

1. A fé do profeta.
O capítulo quatro do segundo livro de Reis registra quatro milagres operados por Eliseu. Estes milagres evidenciam a fé do profeta e o cuidado de Deus para com todos aqueles que creem nEle. Se quisermos ver milagres em nossas vidas precisamos crer. É preciso ter fé, pois o que duvida não pode receber nada do Senhor. Mesmo em tempos de crises, não podemos nos esquecer de que para Deus não existem impossíveis. Ele pode operar um milagre em sua vida, creia.
 

2. A viúva procura Eliseu.
Diante da crise, a viúva decidiu procurar a ajuda do profeta. A primeira pergunta que Eliseu fez à mulher foi: “Que te hei de eu fazer? Declara-me que é o que tens em casa”. A igreja neste tempo de crise econômica deveria fazer à sociedade a mesma pergunta. A Igreja de Cristo não pode fugir à sua responsabilidade para com os pobres, órfãos e viúvas. Precisamos investir no serviço social. Eliseu, como homem de Deus, sabia que o Senhor poderia reverter à situação financeira daquela viúva. Ele não quis saber quem era o responsável pela dívida, mas decidiu ajudar uma pessoa necessitada.
 

3. Deus utiliza aquilo que temos.
O que você tem em mãos para começar a ver o milagre de Deus? Moisés tinha um cajado e com ele Deus operou grandes maravilhas. Davi tinha uma funda e algumas pedrinhas e com elas derrotou o gigante Golias. Pedro tinha uma rede de pesca e viu o milagre de Deus, depois de uma noite sem pegar nada. É a partir de “uma botija de azeite” que Deus torna tudo abundante, porque Ele é o Deus de toda provisão.

 
SÍNTESE DO TÓPICO (II): Deus não mudou. Ele continua a realizar milagres.

 
SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ

 
A solução dentro de casa
O problema da dívida daquela família precisava ser resolvido. Eliseu não pensou em buscar um empréstimo para saldar aquela pendência financeira. Ele perguntou o que a que mulher tinha em sua casa. Curiosa essa pergunta, pois se a mulher veio até o profeta pedir ajuda para não ter seus filhos levados como escravo por causa de uma dívida é plausível entender que ela não tinha bens de valor material em casa que fossem suficientes para a quitação do débito.
A mulher respondeu ao profeta: ‘Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite’ (2Rs 4.2). Em que um vaso de azeite seria útil em uma casa com falta de provisão? Lawrence O. Richards fala que óleo de oliva refinado no cozimento, cosmético e queimado como combustível na iluminação, e era sempre mantido em combustão, mesmo na casa do mais pobre dos hebreus’ (Guia do Leitor da Bíblia, p.245). É possível entender; dessa nota, que o azeite era um produto de pouco valor agregado, de baixo custo, mas essencial à vida de todos. A ordem de Eliseu à mulher foi que conseguisse muitos vasos emprestados, vazios, e que fechasse a porta de sua casa, e derramasse o pouco de azeite que tinha naqueles vasos. Obedecendo à palavra do profeta, aquela viúva viu o milagre que Deus realizou multiplicando o pouco que ela possuía. Não havendo mais recipientes onde estocar o azeite, cessou o milagre.
Aquela mulher tinha então uma grande quantidade de azeite em casa, mas parece que não sabia o que fazer com ele. Indo mais uma vez ao profeta, contou-lhe o ocorrido e ouviu dele que vendesse o azeite, pagasse a dívida e vivesse do restante. É preciso saber trabalhar com o que se tem em mãos.
A ordem era clara. Aquele milagre não aconteceu para que ela gastasse o dinheiro com coisas desnecessárias, mas sim para que pagasse a dívida adquirida por seu falecido esposo. Como servos de Deus, precisamos entender que Deus dá o necessário para as necessidades, e não para as vaidades (COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Vencendo as Aflições da Vida. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2012, pp.53-54).

 
III. PROVISÃO NA MEDIDA CERTA

1. Preparação para receber o milagre.
Eliseu orientou a viúva a respeito de como ela deveria proceder. A mulher precisaria de muitas vasilhas, pois a multiplicação do azeite, que havia em sua casa, seria sem medida. Ela precisava se preparar para receber tal bênção. Prepare também seu coração e sua casa para receber a provisão de Deus. O dia do seu milagre chegará, assim como chegou para a viúva.
 

2. Provisão abundante.
A viúva tinha somente uma botija de azeite e a lição que aprendemos é que Deus abençoa aquilo que temos, não importa a quantidade. Deus nunca nos dará uma porção menor do que necessitamos. Sua medida é sempre além, sacudida, recalcada e transbordante.
 

3. Fé em ação.
A viúva e seus filhos deveriam “tomar vasos emprestados”, tantos quantos pudessem conseguir e trazê-los para dentro de casa. Eles precisavam seguir as orientações do profeta. Para que não houvesse a interrupção dos credores à sua porta, nem o comentário de pessoas incrédulas, a viúva deveria fechar a porta de casa. O milagre de Deus era para aquela casa e não deveria ser partilhado com mais ninguém. O milagre de Deus é para você e sua família. A mulher encheu todas as vasilhas com o azeite e quando estas acabaram o azeite também acabou. A viúva não sabia o que fazer com o azeite, então ela retorna ao profeta a fim de ouvir suas instruções. Eliseu dá-lhe a seguinte instrução: que o azeite fosse vendido, e com o dinheiro, pagasse a dívida. O azeite foi suficiente para saldar as dívidas e cuidar dos filhos.

 
SÍNTESE DO TÓPICO (III): Deus nos concede a sua provisão na medida certa.

 
SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ
Deus espera que ajamos com sabedoria em todos os momentos de nossa existência, sobretudo nas adversidades. O pouco que aquela mulher tinha em casa foi feito em muito, mas ela precisava ser sábia no tocante ao que fazer com aquele muito que o Senhor lhe dera. Ter recursos em abundância não é suficiente para que solucionemos problemas de escassez. É preciso que saibamos utilizar o que Deus nos deu.
A orientação de Eliseu foi que a mulher vendesse o azeite e pagasse a dívida que destruiria sua família que já estava desfalcada. A mulher já tinha visto o milagre sendo operado. Agora, deveria angariar os fundos necessários com a utilização correta do milagre de Deus. Lembre-se disso: Na hora em que a despensa está vazia, não adianta ter muitos recursos se você não sabe como aproveitá-los em prol de sua subsistência e de sua família (COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Vencendo as Aflições da Vida. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.54).

 
CONCLUSÃO
Muitos crentes estão vivendo o drama da despensa vazia, da falta de recurso e das muitas dívidas. Com certeza são momentos difíceis, mas não desanime. Ore ao Senhor, creia e o seu milagre chegará à sua casa. A viúva seguiu as orientações do profeta de Deus. Leia a Bíblia e ouça as orientações do Senhor para a sua vida. Deus vai instruí-lo a vencer a crise da escassez e do endividamento.

 
PARA REFLETIR

A respeito do milagre está em sua casa, responda:

1° Quem deveria sustentar as viúvas?
Resp: As viúvas eram sustentadas pelos filhos e parentes mais próximos.

 

2° O que aconteceria se a viúva não pagasse as dívidas?
Resp: A mulher corria o risco de perder seus dois filhos para os credores. Eles poderiam ser vendidos como escravos para saldar a dívida.

 

3° Qual foi à primeira pergunta do profeta para a viúva?
Resp: A primeira pergunta foi: O que você tem?

 

4° O que a viúva tinha em sua casa?
Resp: Uma botija de azeite.

 

5° O que você tem em suas mãos para ver o milagre de Deus?
Resp: Resposta pessoal.

 

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

 

O Milagre Está em Sua Casa

O nome Eliseu significa “Deus é salvação”. Auxiliar do profeta Elias, Eliseu era filho de Safate, de Abel-Meolá, no Vale do Jordão. Tinha como trabalho arar a terra com junta de bois. O jovem Eliseu foi convidado pelo profeta Elias a segui-lo. O texto bíblico mostra que ele “se levantou, e seguiu a Elias, e o servia” (1Rs 19.21).
O primeiro ponto digno de nota na vida do profeta Eliseu foi a sua humildade e a disponibilidade em aprender com o profeta Elias. Na caminhada com Deus, saber ouvir e ter o compromisso de aprender com o outro é muito importante. Na época de Eliseu não havia uma espécie de seminário teológico ou faculdade que tinha o objetivo de formar, embora houvesse escola de profetas, mas que nem de longe era parecida com as instituições modernas. Os profetas eram formados aos pés dos outros profetas. No dia a dia da caminhada, os profetas iam sendo formados, trabalhados e forjados diante de Deus e dos homens.
Outro ponto digno de nota é que o ministério do profeta Eliseu é permeado por milagres. Segundo especialistas em Antigo Testamento, excetuando a pessoa de Jesus Cristo, ninguém na história sagrada registrou a quantidade de sinais e maravilhas como consta o registro na vida do profeta mediante o seu ministério. Ele sarou águas infectadas (2Rs 2.19-22), fez brotar água no deserto (2Rs 3.9,16-20), proveu a necessidade da viúva (2Rs 4.1-7) e ressuscitou mortos (2Rs 4.18-37), além de curar leprosos (2Rs 5). Estes três últimos milagres antecipam o que o nosso Senhor faria em abundância em seu ministério terreno.
A vida e a obra de Eliseu nos ensinam que Deus traz provisão no momento oportuno. O ministério do profeta mostra uma profusa quantidade de ações divinas em favor das pessoas que por intermédio dele eram abençoadas.
Não podemos perder a dimensão da verdade bíblica de um Deus que provê. O que não significa abrir barganha com Ele. Nada disso. Resgatar a visão bíblica de que Deus intervém na circunstância de uma pessoa é urgente a fim de não cairmos no erro de uma religiosidade sem paixão, de uma ortodoxia morta e do gélido ceticismo.
À luz da vida de Eliseu, somos convidados a andar com Deus em fidelidade e verdade. Amá-Lo de todo o nosso coração, alma e pensamento. À medida que nos aproximamos mais de Deus por intermédio da oração e da leitura da Palavra, o Senhor se aproxima mais de nossas vidas. Por isso, busquemos ao Senhor, o reverenciemos enquanto há tempo.

 


terça-feira, 15 de novembro de 2016

Lição 8 CPAD - 4° Trimestre 2016


4º Trimestre de 2016 / Adultos

Título: O Deus de toda provisão — Esperança e sabedoria divina para a Igreja em meio às crises

Comentarista: Elienai Cabral





TEXTO ÁUREO: “[...] Bendito seja o SENHOR, que não deixou, hoje, de te dar remidor, e seja o seu nome afamado em Israel” (Rt 4.14).

 
VERDADE PRÁTICA: Deus abençoa o trabalho, a fé e a persistência da família que o serve.

 
OBJETIVO GERAL: Ressaltar que Deus abençoa o trabalho, a fé e a persistência da família que o serve.

 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I. Apontar a crise econômica pela qual Belém estava passando;

II. Mostrar como Noemi e Rute superaram as crises;

III. Enfatizar que a fé e o trabalho nos ajudam a superar as crises.

 
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
A família de Elimeleque teve que deixar Belém devido a uma grave crise econômica. Era tempo de escassez. A crise era resultado da desobediência dos israelitas para com o Senhor no tempo dos juízes. Um tempo difícil, onde cada um fazia aquilo que parecia ser bom aos seus próprios olhos. A falta de temor e observância da lei trouxe sérios prejuízos espirituais e financeiros para Israel. A família de Elimeleque muda-se para Moabe na esperança de ter dias melhores. Mas, ali Elimeque morre e é enterrado. Seus dois filhos também vieram a falecer em Moabe. Noemi, a esposa de Elimeleque teve que enfrentar a perda do marido e dos filhos. Mas crises ainda piores estavam por vir. Todavia, Deus lhe concedeu um escape; uma nora que a amou e a acolheu em tempos de amargura. Noemi e Rute voltam para Belém, trabalham, mantém a fé em Deus e são grandemente abençoadas. Todos nós enfrentamos momentos de dor e aflição. Mas a nossa fé nos faz avançar, trabalhar e ver o impossível sendo realizado. Diante das adversidades, não desanime, não pare.

 
INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos a história de uma família que enfrentou a crise da fome, do luto e da desesperança. É a história de três viúvas: Noemi, Orfa e Rute. Elas enfrentaram momentos terríveis. Porém, duas delas não se deixaram abater pelas dificuldades. Com fé, inteligência, lealdade, persistência e esperança, venceram dificuldades. É uma história de trabalho, provisão e resgate.

 
PONTO CENTRAL: Deus trabalha em favor da família.

 
I. A CRISE ECONÔMICA

1. Fome na “casa do pão”.
Belém de Judá estava enfrentando uma terrível crise econômica. A fome tomou uma proporção gigantesca, obrigando as pessoas a deixarem a região. A escassez era resultado do mau governo dos últimos juízes de Israel. Estes haviam abandonado ao Senhor. Belém, que significa “casa de pão”, estava com fome. A cidade deixou de ser um celeiro de grãos para ser um lugar de escassez. Neste caso, a fome era resultado da disciplina divina (Lv 26.18-20). Israel afastou-se da comunhão com Deus, adorando ídolos pagãos. Nem todos agiam de modo pecaminoso, mas a disciplina era para todos.


2. A crise alcança uma família (Rt 1.1,2).
Elimeleque, Noemi e seus filhos, Malom e Quiliom são atingidos pela crise. A escassez obrigou Elimeleque a deixar, juntamente com a família, a sua terra. Naquele momento de crise, eles fizeram o que parecia ser o melhor para toda a família, ou seja, seguiram para Moabe. Ao chegarem a Moabe, ao invés de encontrar pão, encontraram a doença e a morte. Elimeleque e seus dois filhos morreram em Moabe. Noemi ficou sozinha com suas duas noras. Naquele tempo não havia previdência social. As viúvas eram sustentadas pelos filhos, em especial o primogênito. Logo, perder o marido e os filhos era uma situação terrível.


3. Três viúvas.
Essas mulheres, desprotegidas, sofreram enormes dificuldades para sobreviver. Mas Deus não abandona seus filhos nem os desampara. O Senhor já tinha um plano de redenção e bênção preparado para Noemi e Rute. Em momentos de crises, muitas vezes achamos que Deus está silencioso e distante. Parece não haver saída, mas Ele está trabalhando em nosso favor. Por isso, não tenha medo. Deus não vai desamparar você.

 
SÍNTESE DO TÓPICO (I): A crise econômica em Belém fez Elimeleque e sua família buscarem melhores condições de vida em Moabe.

 
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
A história de Rute desenrola-se durante o período dos juízes. Ela revela que durante a deplorável apostasia moral e espiritual daqueles dias, havia um remanescente fiel que continuava a amar e obedecer a Deus. O livro salienta o fato de que Deus opera na vida daqueles que permanecem fiéis a Ele e à sua Palavra.
Embora Noemi fosse uma fiel seguidora do Senhor, experimentou grande adversidade. (1) Ela e a sua família sofreram os efeitos da fome, e tiveram que abandonar sua própria casa. Além disso, ela perdeu seu marido e seus dois filhos. Parecia que o Senhor a abandonara e até mesmo se voltara contra ela. (2) A história de Rute, no entanto, revela que Deus continuava cuidando dela, inclusive agindo através de terceiros, para socorrê-la em suas necessidades. Como no caso de Noemi, o crente fiel e leal a Cristo pode experimentar grandes adversidades na sua vida. Tal fato não significa que Deus o abandonou ou que está castigando. As Escrituras frisam, repetidas vezes, que Deus continua, com todo o amor, a fazer todas as coisas cooperarem para o nosso bem em tempos de aflição (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, p.422).

 

CONHEÇA MAIS



NOS DIAS DOS JUÍZES
A história de Rute desenrola-se durante o período dos juízes. Ela revela que durante a deplorável apostasia moral e espiritual daqueles dias, havia um remanescente fiel que continuava a amar e obedecer a Deus. O livro salienta o fato de que Deus opera na vida daqueles que permanecem fiéis a Ele e à sua Palavra”. Para conhecer mais leia, Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.422.

 
II. SUPERANDO AS CRISES

1. Noemi enfrenta a crise.
Noemi tornou-se uma mulher amarga, triste e sem esperança. Parecia não existir solução para a crise que estava vivendo. As dificuldades podem embaçar a nossa visão e tirar toda a nossa expectativa. Se você está enfrentando uma situação que não parece ter solução, não se desespere. Tenha fé no Deus de toda a provisão. Noemi foi dominada pela amargura e dor. Seus sentimentos tornaram-se amargos. Ela não esperava mais nada da vida, senão a morte.


2. O retorno para sua terra.
Noemi tomou a decisão de retornar para Belém, a sua terra natal. Porém, antes ela decidiu liberar suas noras, Orfa e Rute, para que voltassem às suas famílias. Orfa aceitou a liberação de sua sogra e retornou para sua família. Mas Rute não quis abandonar a sogra. Talvez, Noemi estivesse pensando que Deus a estava castigando com todos aqueles sofrimentos. Ela não podia imaginar o plano de Deus em todas aquelas adversidades. Aprendemos com a Palavra de Deus que “[...] todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus [...]” (Rm 8.28).


3. Rute e o Deus de Israel.
Rute declarou: “[...] O teu Deus é o meu Deus” (Rt 1.16). Sua sogra, embora atravessando um momento difícil, deu um excelente testemunho. A convivência com Noemi levou Rute a ter uma experiência pessoal com Deus. Rute se apegou à sua sogra. Tal gesto de amor e generosidade nos mostra que é possível o bom relacionamento entre noras e sogras.

 
SÍNTESE DO TÓPICO (II): Noemi e Rute com fé e trabalho superaram as crises.

 
SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

A declaração de Rute (1.16,17)
A famosa expressão de compromisso de Rute à sua sogra não somente demonstra lealdade a uma amiga, mas também esclarece um aspecto teológico. Rute disse ‘seu povo será o meu povo’ antes de dizer ‘e seu Deus será o meu Deus’. Nos tempos do Antigo Testamento, Deus tinha um relacionamento de aliança somente com Israel. Ao identificar-se com o povo da aliança, Rute qualificou-se ao proclamar o Deus de Israel.
Em lugar de fazer Noemi feliz, os envolvimentos familiares e velhos amigos tornaram a aflição de Noemi mais intensa. Podemos entender por que. Voltar para casa depois da morte de um ente querido é igualmente fazer-nos sentir nossa perda. Nosso lar parece vazio, o silêncio é escurecedor. De repente somos esmagados pela aflição, pela ausência. Nossos queridos é que fazem de nossa casa o ‘lar’. Aos olhos de Noemi, que deixara Belém com um marido e dois filhos, o retorno trouxe-lhe à consciência a brutal extensão de sua perda (RICHARDS, Lawrence. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, p.175).
 

III. FÉ E TRABALHO

1. Noemi e Rute chegam à terra do pão.
A chegada de duas mulheres viúvas à cidade deve ter chamado a atenção das pessoas, especialmente daquelas que haviam conhecido Noemi antes de sua partida. Noemi agora se encontrava com a alma amargurada. Por isso, pede para ser chamada não mais de Noemi, que significa “agradável”, mas “Mara”, isto é, “amarga”. Noemi retornou à sua cidade sem marido, sem filhos e sem bens. Ela acreditava que todo aquele sofrimento vinha de Deus, como uma forma de punição (Rt 1.21).


2. Rute ajuda Noemi.
Elas chegaram a Belém no “princípio da sega das cevadas” (Rt 1.22), ou seja, quando a colheita estava começando. Se em Moabe a situação era precária, agora em Belém, havia esperança, pois havia trabalho na colheita da cevada. Vencemos as crises com a ajuda de Deus e com muito trabalho. O trabalho é bênção de Deus, pois é do nosso salário que tiramos a provisão para nossas famílias.


3. Rute trabalha apanhando espigas.
Rute vai para um campo de cevada que pertencia a um parente de Elimeleque. Ali, ajunta as espigas que os segadores deixavam para trás. Essa prática era permitida pela Lei Mosaica para ajudar os necessitados (Dt 24.19-21). Nosso país vive um momento de crise econômica, e a falta de emprego é uma realidade que tem atingido milhões de pessoas. Muitos que perderam seus empregos buscam qualquer serviço que lhes dê condições de sobrevivência. Siga o exemplo de Rute, não fique de braços cruzados. Ela trabalhou todo o dia no campo até ajuntar cevada suficiente para si e sua sogra. Sua diligência no trabalho chamou a atenção do dono do campo, Boaz. O trabalho dignifica o trabalhador, e Rute demonstrou sua lealdade e beneficência para com sua sogra.
Ao dispor-se a trabalhar no campo, Rute descobriu que Boaz era parente de Elimeleque e, por lei ele poderia se casar com ela e redimi-la. Boaz fez tudo conforme orientava a lei. Ele é um tipo de Cristo, o nosso Redentor, que sendo rico se fez pobre para nos fazer herdeiros das suas riquezas (2Co 8.9). Boaz casa com Rute e ela dá à luz a um filho, o qual recebeu o nome de Obede. Mais tarde Obede se tornou o avô de Davi. Deus honrou a decisão, a atitude e o trabalho de Rute.

 
SÍNTESE DO TÓPICO (III): Fé em Deus e trabalho são fundamentais para vencer as crises.

 
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

Uma reputação merecida
Em uma pequena comunidade, a história de Rute e Noemi seria de domínio público, o alvo das atenções. Agora, os eventos mostravam Rute trabalhando arduamente (Rt 2.7): reverenciosa (Rt 2.10), recatada, bem-agraciada (Rt 2.13). A reputação que construímos abre, ou fecha portas para a oportunidade.
A declaração de Boaz abençoando Rute pode ser considerada uma oração (Rt 2.12). ‘Recompensa’ aqui é maskoret, uma palavra com sentido de ‘salários’. Boaz credita a Rute o melhor, por sua piedade e escolha do Deus de Israel, e está convencido de que um Deus justo providenciar-lhe-á a justa recompensa. Disse tudo isso saber que seria ele próprio o instrumento para esta resposta. Deus, frequentemente, usa como seu agente aquele que ora para responder tal oração (RICHARDS, Lawrence. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, p.176).

 
CONCLUSÃO
Rute teve algumas perdas em sua vida; perdeu o sogro, o cunhado e o marido. Além dessas perdas, teve que cuidar de uma sogra triste e desamparada. Mas o Deus da provisão não desamparou Rute nem Noemi. Temos um Deus que nos ajuda e abençoa-nos com o trabalho e a sua provisão. Confie!

 
PARA REFLETIR

A respeito de Rute, Deus trabalha pela família, responda:

 
1° A escassez em Belém era resultado de quê?
Resp: A escassez era resultado do mau governo dos últimos juízes de Israel. Estes haviam abandonado ao Senhor.

 

2° Para onde Elimeleque e sua família foram para escapar da fome?
Resp: Eles foram para Moabe.

 

3° No tempo de Noemi quem deveria sustentar uma viúva?
Resp: Os filhos e parentes mais próximos.

 

4° Qual o significado dos nomes Noemi e Mara?
Resp: Noemi significa agradável, mas Mara, amarga.

 

5° Boaz é um tipo de quem?
Resp: Boaz é um tipo de Cristo, o nosso Redentor que sendo rico se fez pobre para nos fazer herdeiros das suas riquezas (2Co 8.9).

 
 

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO



Rute, Deus trabalha pela família
Rute era uma moabita que casou com dois homens judeus. O primeiro, que posteriormente faleceu, Malom, filho de Noemi (Rt 1.2). O segundo, Boaz, um parente do marido de Noemi (4.3). Na lei, mais especificamente em Deuteronômio 23.3,4, havia uma proibição expressa de os judeus aceitarem moabitas em sua comunidade: “Nenhum amonita ou moabita entrará na congregação do SENHOR; nem ainda a sua décima geração entrará na congregação do SENHOR, eternamente. Porquanto não saíram com pão e água a receber-vos no caminho, quando saíeis do Egito; e porquanto alugaram contra ti a Balaão, filho de Beor, de Petor, da Mesopotâmia, para te amaldiçoar”. É possível que a geração de Noemi desconhecesse essa lei, pois se tratando do período dos juízes, uma característica dessa geração era desconhecer a Lei de Deus.
Entretanto, a opção de Rute chama atenção de qualquer estudioso ou leitor do livro. Num contexto em que se achava sua sogra, um momento difícil sob o ponto de vista político e econômico, seria natural que Rute tomasse a mesma decisão que a da sua irmã, Orfa. Sem marido, sem herança e na pobreza, por que não voltar para sua terra natal e estabelecer uma nova família de dentro do seu povo original?!
Mas Rute renunciou o seu próprio povo para ficar com outro estranho para ela. Isso significou trocar a cultura do seu povo pela do outro povo, deixar o deus da sua casa e reconhecer o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. O resultado da devoção de Rute a Deus e a sua consideração por Noemi, sua sogra, foi à providência de um remidor, Boaz, que a remiu e assumiu toda a responsabilidade marital com Rute. O que significava naquele tempo sobrevivência pessoal e da descendência da família.
No Evangelho de Mateus, Rute, a moabita, é mencionada na genealogia de Jesus (1.5). É muito interessante, que além de Raabe, uma ex-prostituta de Jericó, apareça a moabita Rute oriunda de uma cultura pagã e idólatra. É a prova de que Cristo Jesus veio como o salvador de qualquer ser humano e que a sua graça é capaz de alcançar o mais vil pecador.
A história de Rute nos mostra o quanto Deus guia os passos dos que desejam servi-Lo com verdade. Embora vivendo um contexto de escassez e fome, Deus trouxe provisão à necessidade de Rute. A história dessa grande mulher nos estimula a vivermos uma vida de devoção sincera a Deus, sabendo que o Pai é grande o bastante para abençoar o esforço das nossas mãos e a sinceridade da nossa fé.